<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547</id><updated>2012-01-09T18:28:55.861-08:00</updated><title type='text'>Faca Amolada</title><subtitle type='html'>Contos, opiniões e poesia. Aqui se escreve com lâmina afiada e não há cortes. Desfiramos golpes certeiros!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>64</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-1120976525216833962</id><published>2012-01-04T08:20:00.002-08:00</published><updated>2012-01-04T08:27:44.549-08:00</updated><title type='text'>Abrir caminhos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sentir saudade é indefinível. Pode-se, claro, recorrer à tentativa de explicá-la através de uma música daquela época, de um cheiro da infância, de um lugar, de um sabor. Dizem que ter saudade é bom; também sei dos que concordam que é ruim, pois certas vezes não poderemos, nunca, encontrar naquela pessoa ou naquilo que nos faz lembrar daquele tempo, a razão da falta. &amp;nbsp;E aí dá um aperto no peito: a respiração vacila.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Abrir espaço para o novo. A frase que ouço desde criança reaparece na memória logo no início do ano. Talvez porque minha mãe repita tais palavras naquela ordem nesse mesmo período. Sempre me perguntei a razão do conselho, se é que pode-se chamar assim, mesmo que saiba de minha dificuldade em desvencilhar-me do passado. Recortes de jornal, revistas antigas, contas já pagas, comprovantes bancários, fotografias de pessoas que não amo mais e, ainda, das que não me amaram nunca. Lá no fundo, apertando a ferida, insisto: ah, mas, de repente, posso precisar ler de novo aquele artigo, o banco pode dizer que não fiz o depósito, podem dizer que o pagamento já saiu. Aquela pessoa pode voltar, aquele tempo pode voltar e eu posso voltar a ser aquele que guardou a foto. E logo após o mergulho, ao recuperar o ar do tempo, reconheço que a lágrima é o único líquido retido pela lembrança. Amontoar recordações, quaisquer que sejam, impossibilita viver coisas novas – ou simplesmente viver.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
No entanto, buscar a saudade é estranho. Cercar-se de artifícios que nos remetam a outras épocas ou a outros eus, os que passaram, não nos ajuda a abrir o caminho para o novo. Quase forjamos uma nova personalidade a partir da antiga, não nos permitimos falhas; o receio de seguir em frente, mesmo quando seguir em frente não significa seguir em frente: às vezes caímos num precipício, outras tropeçamos – e só seria possível se déssemos o passo na direção da vida. Quem é esse novo? O amor, o trabalho, o sofrimento, a saudade.. Ainda não sei bem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas mudar sempre é novo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Calibri, sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: 15px; line-height: 17px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-1120976525216833962?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/1120976525216833962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2012/01/abrir-caminhos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/1120976525216833962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/1120976525216833962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2012/01/abrir-caminhos.html' title='Abrir caminhos'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-6688740623019425045</id><published>2011-12-19T18:00:00.002-08:00</published><updated>2011-12-19T18:06:10.110-08:00</updated><title type='text'>Uma estrela amiga</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Outro dia a Cris preparou um almoço delicioso na casa dela, coisa que volta e meia ela, zás, cisma de cozinhar. O menu era&amp;nbsp; risoto de figo e peito de pato. Pode parecer metido à besta, mas quando ela cozinha, a certeza do bom gosto se sobrepõe à dúvida da oferta. Chamei a Luizinha e chegamos junto com o Ceguinho. Ziza apareceu logo depois e éramos cinco à mesa. Abrimos um vinho que levei de minha modesta adega que, apesar da tarde quente, caiu muito bem. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Uvas verdes, nutella e sorvete de creme para fechar bem o cardápio do dia. Depois fomos à sala e ficamos de conversa fiada, para jiboiar a comida. Aquela lombeira gostosa depois de uma bela refeição. Foi quando Cris me desafiou a tocar violão, quando falávamos do duvidoso talento de um amigo em manusear o instrumento. Saiu e voltou com a viola nos braços: toca aí, então, alguma coisa pra gente. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O reencontro inesperado com minha adolescência me trouxe tanta coisa boa, como me levou de volta àqueles tempos maravilhosos. Toquei Legião Urbana, Cazuza, Marisa Monte... Tinha me esquecido de como é bom reunir amigos e cantar, viajar na sua onda, pensar na vida, tentar se procurar, mais uma vez, nas letras e na melodia. Lembrar porque tal música me faz – ou fazia – sentir aquilo que sentia; relembrar o que se pensava naquela época, em se gostava de certa pessoa. Havia mais de dez anos que não tocava violão. Já havia dedilhado uma viola na casa de algum amigo, mas tocar por boa parte de um sábado à tarde, cercado das minhas três melhores amigas, um camarada a quem tenho grande apreço, depois de um almoço saborosíssimo, me fez perceber que estou vivo. E mais do que isso: eu preciso estar vivo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E percebi que tudo isso só foi possível por causa da Cris. Quando nos conhecemos, em circunstâncias curiosas, ainda éramos estagiários em empresas diferentes; quando ainda não nos sabíamos felizes graças a quem nos cercava; quando cismávamos em socorrer quem não nos socorria; quando permiti que ela me puxasse a orelha, quando precisava ouvir o que só ela poderia me dizer, me alertar, me colocar no chão. Eu, que já considerei um erro sua mania de ser mãezona, que já lhe fiz as maiores grosserias; ela sempre esteve lá, ao meu lado ou me colocando debaixo da asa. A tarde que passamos na sua casa. Os amigos que fiz a partir da nossa amizade. Amigos que chegam depois e ficam pra sempre. O violão. A melodia. A dança. O bolo de aniversário que ela levou pra mim; o aniversário da Aline no Dendê; as compras da festa junina; o saquê que eu poderia pagar depois; o réveillon inacreditavelmente inédito; a Ziza; o ombro, o rosto, o sorriso; as lágrimas. O abraço. A amizade. O amor. E, como nos versos na música do Tim Maia, Cris, que leva seu nome: Meu caminho é ida sem volta/ Uma estrela amiga me g&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;ui&lt;span style="line-height: 19px;"&gt;a/ Minha asa presa se solta.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pensei: deve ser possível então ser feliz. E naquela tarde foi assim.&amp;nbsp;É como no filme em que o personagem do George Clooney pergunta ao noivo da irmã: pense em todos os momentos felizes da sua vida. Em qual deles você estava sozinho?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Obrigado, Cris. Você é foda.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-6688740623019425045?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/6688740623019425045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/12/uma-estrela-amiga.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6688740623019425045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6688740623019425045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/12/uma-estrela-amiga.html' title='Uma estrela amiga'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-1348885496813753356</id><published>2011-12-11T16:22:00.011-08:00</published><updated>2011-12-14T06:25:21.485-08:00</updated><title type='text'>Fantasias</title><content type='html'>&lt;div&gt;Nunca tinha ido àquele lugar, mas o aniversário de um amigo me fez debutar no referido inferninho do rock’ n’ roll.  Fui sozinho, cheguei a beber em casa algumas doses de uísque, mas não fazia diferença mais o quanto beberia depois, porque quando conhecemos alguma coisa nova somos todos agraciados pelo sumiço do que fomos até ali. Como uma folha amarelada e seca ao desprender-se do galho, depois de uma varredura despretensiosa de uma brisa.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Adentrei ao salão rumo à pista de dança. Estiquei o pescoço por cima da multidão espremida e embalada pelas músicas estrangeiras. Entre pedidos de licença e de desculpas, alcancei o grupo de amigos onde estava o aniversariante e pousei próximo à rodinha de amigos e conhecidos. Sacolejei um pouco o corpo e rapidamente, impulsionado pelos goles do escocês que havia no copo de vidro da mão, entrei no ritmo da bateria, contra-baixo e guitarra. Tudo bem até aí, novidades são sopros do acaso, quando ficamos à mercê das coincidências. E eis que uma amiga de ascendência oriental, queridíssima, repousa a mão sobre meu ombro e me apresenta uma amiga, supondo que, acredito, já nos conhecêssemos. Ao perceber a dupla negativa, não houve tempo para saia justa, ela e eu, num movimento involuntariamente fabricado, cumprimentamo-nos e tentamos nos (re)conhecer melhor, procurando encontrar outras pessoas em comum. Pois bem, achamos alguns tais, mas que não valem a pena divagar por estas linhas. Sigamos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gostei do jeito dela dançar, sabia sacolejar bem, melhor do que eu, mas isso não chega a ser difícil, porém, de qualquer maneira, agradou-me. O jeito que jogava os braços para cima e para baixo, as pernas desordenadas rabiscando o chão escuro e quiçá invisível, rosto inclinado para baixo; cabelos, cortinas. E eu a-com-pa-nha-va seus movimentos sem ensaio, pelas curvas das músicas. Procurava seus olhos. E ela ali, firme, sabia que eu a fitava, e eu tinha consciência de que ela consentia meu descaramento velado. Eu ainda procurava disfarçar, à meia-boca, alternando pequenos goles de malte que já estava aguado pelo gelo precocemente liquefeito. Ela aproximou os lábios ao pé do meu ouvido, perguntando qualquer coisa. A música alta impossibilitava qualquer diálogo que a situação merecia, mas mesmo assim, embalamos num papo legal, que tinha Rock’n’Rio como assunto inicial, quando foi o primeiro, e o segundo?, você era nascida, eu também, mas, Bruno, você era muito novo, como lembra?, olha, eu consigo recordar alguma coisa, quantos anos nos separam? Ah, você não sabe, faça as contas; E eu fiz qualquer operação algébrica, que, evidentemente, estava errada – e ela me corrigiu, sorrindo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As bexigas apertaram e nos separamos por alguns minutos. Como as coincidências fabricadas, nos esbarramos, de novo, e subimos para o outro andar. Música lenta, ou melhor, menos agitada, pessoas esparramadas pelo sofá, pelos pufes, fantasias penduradas pelos cabideiros da sala. Chegamos a dançar alguma coisa, rostinhos colados, risos descolados, porque somos moderninhos, um esboço de beijo, uma recusa despretensiosa, uma provocação deliciosa. Dançamos mais um pouco. Atendendo aos apelos de uma moça, que deveria ser amiga dela, posamos para fotos engraçadas, dessas da moda, onde escolhemos fantasias e nos expomos ao deleite da ocasião. Bengalas, chapéus, perucas e outros apetrechos, não lembro se ela chegou a usar alguma echarpe, mas não importa, fotografaram nós dois. E mais outra foto. E a terceira, como se fôssemos quase amigos, um beijinho doce, uma bitoquinha, que deu apenas para sentir o gosto dos lábios dela nos meus, talvez por isso estalei os beiços depois de passar a língua sobre eles. Descemos de volta. Antes disso, porém, ficamos na fila (bexigas apertam sempre, é fogo) do banheiro e este que escreve estas palavras sem ordem, precisava, também, aliviar a vontade de aliviar-se, pois é muito novo para contar com problemas nefrológicos. Pois bem: eu desci, ela viria depois. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Poucos minutos depois, ainda desnorteado pela afinidade surpreendente, procurei por ela através da multidão de cabeças e corpos espremidos no recinto que transbordava gente pelo ladrão. Tinha ela indo embora? Não.  Ainda não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi quando ela surgiu na minha frente, me buscou pela mão, a mesma do copo, a mesma que lhe segurou a cintura na hora da dança, a mesma que protegia a boca na hora de confiar-lhe um galanteio, e me arrastou para o canto escuro e invisível. Recostou-se na parede. Fitamo-nos de olhos fechados. E foram lábios e línguas e respirações e sorrisos. Os movimentos repetiram-se por mais alguns instantes.&amp;nbsp;E ela desapareceu como veio: despretensiosamente encantadora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-1348885496813753356?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/1348885496813753356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/12/fantasias_11.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/1348885496813753356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/1348885496813753356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/12/fantasias_11.html' title='Fantasias'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-6069484599843663309</id><published>2011-11-20T17:00:00.004-08:00</published><updated>2011-11-24T07:42:39.185-08:00</updated><title type='text'>Domingo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não escrevo há alguns dias, mas não deixei de pensar em escrever.&amp;nbsp; Quase uma cobrança diária, mas não chegava a me incomodar. Quer dizer, não chegava a me incomodar tanto. Simplesmente não estava com paciência ou inspiração para colocar os pensamentos em palavras. Muitas coisas aconteceram neste intervalo, talvez, então, esperei a massa secar. Permiti que o tempo se encarregasse da minha ausência literária&amp;nbsp; - também não tenho lido. Primo Bazilio deve estar meio puto comigo, não lhe faço uma visita há semanas. Mas tudo bem, vida que segue. Vida. Adoro essa palavra. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É estranho preencher espaços abertos pela solidão. Estar só nem tanto. Um almoço com a melhor amiga, moqueca de peixe, camarão e siri (este último só entrou na panela por pura insistência dela, admito que soube convencer o garçom a convencer a cozinheira com maestria e simpatia) e passamos a tarde aqui em casa. Rimos, conversamos, assistimos a um jogo de futebol, depois a um filme. E quando ela desceu para tomar o táxi, a porta fechada abriu ferida antiga: o silêncio das decisões.&amp;nbsp; É quando revemos o que fizemos, o que deixamos de fazer, o que deveríamos ter feito antes. No amor, no trabalho e na vida. Aquela palavra que gosto tanto. Será que estou no caminho certo? Se minha ex gosta de outro, que bom, ela seguiu adiante. Se a mulher que estou saindo me deu um pé, que lástima, levarei tantos outros. E é como aquele poema do Cacaso: “Perder um amor é muito duro/ Perder dois, bem menos.” Se o pessoal do trabalho me ligou perguntando quando volto, que ótimo, disse que voltaria só daqui a alguns meses. Se minha vida tem algum sentido até aqui, que merda, não consigo ter certeza, mas posso escrever. E é a única coisa que sei que gosto de fazer.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Deixar de escrever é meu maior silêncio. Palavras desesperadas se estapeiam aqui dentro e não há tocaia que me faça mais cair nessa armadilha solitária. Ausentar-me de mim. Como é bom ouvir o som das palavras surgindo à minha frente, o barulho distante dos carros passando pela rua, sentir o gosto amargo de uma noite de domingo. Acho que a vida é meio domingo: uma dádiva que não sabemos apreciar, mas quando teimamos em aceitá-la, somos felizes. Na medida exata de sua existência efêmera e, por isso, deliciosamente paradoxal. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-6069484599843663309?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/6069484599843663309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/11/domingo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6069484599843663309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6069484599843663309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/11/domingo.html' title='Domingo'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-8535328268407012538</id><published>2011-11-18T06:42:00.001-08:00</published><updated>2011-11-18T06:45:13.204-08:00</updated><title type='text'>Quem quer fumo, vai à boca</title><content type='html'>- Cana de otário é vadiagem.&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A segurança, o desafio nas palavras, vem na voz cantada de Luís Carlos de Souza, 25 anos, um mulato franzino conhecido pelo apelido de Pimenta, morador atualmente do “Inferno Colorido”, um conjunto habitacional no bairro de Realengo, e freqüentador da maior boca de fumo do Rio, a do morro da Providência, atrás da Central do Brasil. O movimento na área dos traficantes “Tainha” e “Cueca”, que estão na cadeia mas conseguem ainda dar ordens no morro, é grande, organizado e vigiado, dia e noite há quase dez anos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O caminho que leva à boca todo mundo sabe, inclusive a polícia. A escadaria que dá na Ladeira do Barroso, no alto do morro, entre a Gamboa e o bairro de Santo Cristo, começa em frente à 2ª Delegacia Policial, na Rua Bento Ribeiro. À medida em que se vai subindo os degraus irregulares, nota-se pelos lados, atrás dos barracos, homens com atitudes suspeitas. No rosto, a marca da desconfiança transmitindo medo a qualquer estranho. Nas janelas ou estendendo roupas no varal, os olhares interrogativos das mulheres. Ali ninguém confia em ninguém. Quando uma lei no morro não é respeitada, “dança” até quem não tem culpa. Todo cuidado é pouco. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Tá limpeza, irmão. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O sinal verde do homem de boné, jaqueta Lee, apesar do calor, é confirmado por outros três colocados estrategicamente perto das escadas. O desconhecido está sozinho. Lá embaixo, a delegacia e os carros desaparecendo dentro do túnel João Ricardo. Luís Carlos, de camisa aberta no peito onde desponta uma guia vermelha e preta de Exú, aperta um “fininho”, sentado num degrau com a marmita do lado. O relógio da Central do Brasil marca 18h45 e ele acabou de chegar de uma obra na Praia do Flamengo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Para aturar a batalha, só fazendo a cabeça. Se a gente dá duro, os “zome” cisma. Se a gente fica no desvio, nem se fala. Mas nessa transa de bagulho, eles gostam é de pegar os pleibóis que vêm vacilar aqui em cima.&amp;nbsp; A patrulhinha só fica esperando lá embaixo. N a descida, tem que deixar uma nota. Eles têm sempre um troco para não ver o sol quadrado, não é mesmo? Com a gente, se não levar na conversa, o coro come e ninguém vê. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pelos lados, homens, rapazes e mulheres conversam alto, contando vantagens. O revólver de cabo de madrepérola aparece na cintura do mais afoito, com toda pinta de guardião da boca. O fuminho vai correndo solto de boca em boca, sem pressa. Se demorar, neguinho chia. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Solta a franga. Ô da política, tá com chiclete no dedo?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Um pouco destacado está um rapaz de calça jeans, camiseta e óculos escuros. Acabou de descer de um Volks vermelho, no Largo do Barroso. Subiu uns lances de escada e logo – logo fez um canudo com uma nota de Cr$ 10,00, com que aspira um papelote de cocaína, que custa Cr$ 150,00 e arriscado a vir, todo malhado, muito talco, sal e açúcar. É vendido quase exclusivamente a “estrangeiro” e tem o sugestivo nome de “Brizola”. O cartucho de maconha custa 60 cruzeiros e geralmente é vendido pelo dobro no asfalto. No Baixo Leblon, qualquer baseado vale um “galo” (50 cruzeiros). &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;As crianças não avisam, mas quando a polícia chega no morro é o medo delas que dá o alerta. Brincam pelas escadas implorando sempre ao estranho um trocado, um refrigerante ou mesmo um pão. As maiorzinhas participam da transação, vendendo fumo. Ganham 10% por cada cartucho vendido, uma maneira do dono do peso escapar do flagrante. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pimenta está de cabeça feita e as palavras são fortes e agressivas:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Tô numa batalha lá no Flamengo, de servente de obra. Dá pra tirar um trocado, que vai tudo na passagem. Às vezes, fico injuriado e faço uns ganhos. Sei que não vale a pena, mas meu filho ficar sem leite e comida é duro. Como vou provar aos homens que estou trabalhando se minha carteira não está assinada? Tem que ficar sempre atento para dar o pinote.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sentado nas escadas tranquilamente, de barba rala, chapéu enterrado na cabeça, o homem da boca vai contando o dinheiro e só passam entre os dedos notas de Cr$ 50,00, Cr$ 100,00 e Cr$ 500,00. &amp;nbsp;Ao lado dele, uma sacola onde está guardada a erva. O movimento continua, com gente chegando a pé pelas escadas ou de carro pela Ladeira do Faria, na Gamboa.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O movimento da boca cresce, como também a atenção dos homens que vigiam as entradas principais. Antes de ir embora, em direção à Central, onde vai pegar o direto para Realengo, Luís Carlos se despede:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Vou dar linha à pipa que o vento tá a favor. Sou mesmo é empregado da vida. Ela, às vezes, maltrata, machuca a gente, mas a dor é só minha. E ninguém tem nada com isso. Quem trata de mim sou eu. Olha aí, vou sartá. Até mais. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;(Tim Lopes – REPORTER – Nº17 – MAIO DE 1979 – PÁGINA 7)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-8535328268407012538?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/8535328268407012538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/11/quem-quer-fumo-vai-boca.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8535328268407012538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8535328268407012538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/11/quem-quer-fumo-vai-boca.html' title='Quem quer fumo, vai à boca'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-4771824187423167396</id><published>2011-10-12T07:01:00.002-07:00</published><updated>2011-10-12T07:06:46.217-07:00</updated><title type='text'>Vovó Guiomar</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vovó Guiomar faria hoje cem anos de idade. Libriana dos pés ao fio de cabelo. Uma doçura de pessoa. Terna, paciente e muito sensata. Não havia parado para pensar na data centenária, sua filha, minha mãe, que me lembrou anteontem: sua avó completaria um século de vida nesta quarta-feira. Sorri com a boca entreaberta, busquei sua imagem no ar pela memória e consegui vê-la sentada no canto do sofá, lado direito, seu lugar cativo do apartamento da Joaquim Nabuco. A casa da Santa Clara, que não pude conhecer, se desenha sempre diferente na minha imaginação. Pois fiquemos pelo apartamento, quarto andar do prédio, de frente para rua, onde me sabia cada vez mais velho à medida que meus olhos iam ultrapassando os limites do parapeito. “Não debruça, menino!”. Hoje alcanço a saudade olhando pela mesma janela. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os almoços de domingo e os Natais eram sempre lá. Família reunida somente no fim do ano – isso quando calhava de conciliar os compromissos de todos. Era povo de Brasília, São Paulo, Porto Alegre, daqui. Primos que iam se multiplicando, outros que se ausentavam para outras ceias – havia mais famílias além da nossa. E vovó assistia a tudo, àquela bagunça, sempre sorrindo serena, sentadinha à direita do sofá, ou à direita da cabeceira da mesa de jantar, lugar que era meu até o tio Sérgio chegar. Aquele lugar era dele, mas me emprestava enquanto estivesse na Granja Viana, em Cotia. Ric vinha sempre ao Rio comprar camisas da Company (não vendiam em Sampa). Carol e Eliane, suas irmãs, corriam para Bumbum atrás dos biquínis cariocas pelo mesmo motivo. Tia Lia tirava as tardes para levar os três pirralhos&amp;nbsp; nessas lojas. Tio Sérgio contava histórias na mesa e comia um prato de feijão cheio de pimenta malagueta, inclusive mordendo uma inteira sem pestanejar. E me fitava como se dissesse em pensamento: tem coragem, garotão? E me arremessava para o alto. E eu nem era mais tão novo, deveria ter uns seis, sete anos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tio Paulo se dividia entre a praia do posto 8 (em frente à Laura Alvim, em frente à Laura Alvim, com a convicção fanática dos geminianos) e o BarraShopping. Era pra levar a Paulinha nos brinquedos e no Mc’Donalds. Eu, claro, ia junto. Tia Selma ia também e comprava presentes para todos. Todos. Mônica e Daniela já eram moças, adolescentes, já saíam sozinhas. Quando vinham, uma ficava pendurada no telefone com algum namorado. A outra tinha mais um pouco de paciência conosco. Achava as duas lindíssimas, com aqueles olhos verdes e sorrisos enormes e brilhantes. Eram as primas mais velhas. Eram mulheres. O Gilson chegava sempre tarde em casa, acordava meio-dia, era da night mesmo. Tio querido.&amp;nbsp; A primeira coisa que gostei nele foi a gargalhada altíssima. A segunda era que me dava uma grana “para comprar um guaraná”. Sendo que com aquele dinheiro eu compraria&amp;nbsp; quase uma fábrica inteira. E o Gilson era quem distribuía os presentes no Natal. Vovó Guiomar presenciava tudo aquilo na maior paz e tia Celina, sua irmã, figura única no mundo, estava sempre aflita com a comida, com os horários, com os choros, com a sobremesa, com o Banco do Brasil e com o Banerj. Mas adorava a casa cheia de sobrinhos-netos, de sobrinhos e sempre nos levava para ver fotos antigas coladas nos armários de seu quarto – que nos emprestava nas festas de fim de ano. Tia Celina, ou Tati ou Tai (apelido exclusivo deste que vos escreve) era uma segunda avó para nós. Ela e vovó eram a nossa casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vovó Guiomar cozinhava muito bem. Lembro do livro de receitas que ficava na cozinha. Da geladeira que dava choque.&amp;nbsp; Do filtro azul. E do doce de batata roxa, das fatias lulu, dos quadradinhos, do bolo de nozes, do pudim de clara, da gelatina de camadas, do pudim de ameixa (que eu comia tudo, menos a ameixa), da carne assada, da maionese de batatas e cenoura, da sopa de legume como entrada, do sininho para chamar a empregada, do descanso dos talheres, da toalha de mesa de borboletas. Do sorvete de creme derretido quase um creme mesmo, da lasanha da Veronese quando não se queria cozinhar, de fechar a janela por causa do frio que só a vovó sentia; das orações de mãos dadas, dos choros contidos. Gostava de sentar ao lado dela, da minha, da nossa avó, no sofá e ficar agarrado à sua mão e contando coisas do colégio. Eliane, quando vinha de São Paulo, também gostava deste mimo. Às vezes vovó tirava as sandálias e punha os pés para cima para melhorar a circulação. Era sempre na hora da novela das oito. No especial do Roberto Carlos a família toda parava em frente à televisão (que custou a ter controle remoto). E o presépio na entrada da sala de estar era sempre um sinal de que vovó e tia Celina se preparavam para nos receber. Até hoje é assim dentro da gente. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
Quando eu morava ainda na Canning, vovó sempre me visitava à tarde. Levava uma pastilha Garoto e me fazia companhia até minha mãe voltar da galeria de artes ou meu pai sair do plantão. Sorriso lindo, sereno, voz mansa. Vovó era uma dama. Uma pessoa boa, carinhosa, mas não era ingênua, não. Era feliz. Apesar da perda de uma das filhas ainda muito nova, apesar de ter se casado -&amp;nbsp; e separado – apenas uma vez. Uma mulher que tinha o brilho e a inocência de uma criança e, ao mesmo tempo, a alegria e a ternura. E foi a grande matriarca da família, seguindo a linha de sua mãe, Alzira, uma baiana braba. Diferentes, mas semelhantes na arte de proteger a família. Talvez por isso tenha nascido no dia doze de outubro, onde se comemora o dia das crianças e o dia da padroeira do nosso povo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vovó Guiomar, feliz dia das crianças. Que saudade de você...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-4771824187423167396?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/4771824187423167396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/10/vovo-guiomar.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4771824187423167396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4771824187423167396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/10/vovo-guiomar.html' title='Vovó Guiomar'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-4543614890542016132</id><published>2011-09-22T11:07:00.001-07:00</published><updated>2011-09-22T11:10:43.536-07:00</updated><title type='text'>Clichês</title><content type='html'>As palavras a seguir não serão escritas por mim. Elas já estavam por aqui, considero-me apenas um arauto desses novos tempos. Como se me apalpassem o espírito, como se me cortassem a carne. Surjo, pois, de onde menos poderia esperar e me flagro sorrindo ao lembrar da frase: o telefone só toca quando estamos distraídos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Escolhi as coisas simples. Não é fácil, portanto, contentar-se com todas decisões que tomamos durante a vida. Procuramos esconderijos em nós mesmos, buscamos fugir do que não podemos escapar, oscilando sempre no intervalo do que queremos ser e do que poderíamos ter sido. E me conforto ao recordar do que me disse um amigo tempos atrás: para se ter uma coisa na vida, é preciso abrir mão de outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como no samba do mestre Luiz Carlos da Vila: “E nesse vai-ou-não-vai/ Fiquei meio sem direção/ Cometa que passou bem longe/ Dos olhos da multidão”. A velocidade que nos impomos para o reconhecimento de nós mesmos, como se nos cobrássemos desfechos sem meios, como se a avidez pelo resultado superasse o medo da derrota. Vencer é enfrentar desafios de frente, que se danem os clichês – sei que muitos porão dedos sobre tais frases ou pensamentos – mas o escritor que tem medo do lugar comum não vai a lugar algum. Como disse certa vez o roteirista francês Jean-Claude Carriére: “Não tenha medo de partir do clichê, de uma situação conhecida. É trabalhando que se chegará à originalidade, pouco a pouco. Ao procurar a qualquer preço uma situação inicial absolutamente original, e por isso desconhecida, terrível, pouco a pouco ela será rejeitada, atenuada, arredondada, terminando de forma medíocre no convencional”. O que percebo ao examinar minha existência, é que sempre quis fazer diferente, ser original, mas não deixando de ser eu mesmo, como se prega por ai até hoje. Falhei. Zerei-me. E descobri que todos partimos do mesmo ponto, somos clichês de nós mesmos, ainda bem. A procura pelo que queremos vem depois de aceitarmos que o segundo fôlego é o que nos move.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E não haveria como não lembrar o que me disse uma grande capoeirista, do alto de seus vinte e um anos: devagar também é pressa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por muito tempo fui mistura do que quiseram que eu fosse e do que me permiti que me forjassem. Afoguei-me muitas vezes, mantive a calma e a bebedeira, procurei viver momentos mágicos, incríveis, surreais, sensacionais e fantásticos. Palavras bonitas, mas que perdem a força por (não) representarem a mesma coisa. Significados diferentes que querem adjetivar momentos ou épocas inesquecíveis. Taí uma palavra-clichê que, de longe, supera todas aquelas outras: inesquecível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E recorri à frase lida pela manhã em algum lugar: quem olha pra fora sonha, quem olha pra dentro acorda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas quem recomeça todo dia não recomeça nunca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-4543614890542016132?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/4543614890542016132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/09/cliches.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4543614890542016132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4543614890542016132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/09/cliches.html' title='Clichês'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-9113792210929571416</id><published>2011-08-18T11:55:00.018-07:00</published><updated>2011-08-18T17:04:44.913-07:00</updated><title type='text'>Polônio e Laertes</title><content type='html'>&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;Gostava de pensar que as coisas deveriam ser simples. A luz do sol, o farfalhar das árvores,&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;o azul de tantos céus diferentes. A caminhada pela manhã, a saudação ao vizinho da rua, o olhar atento às crianças, outro mais atento às moças, o andar trôpego dos perfumados pela&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;aguardente. Recolher-se cedo, aproveitar a casa, a sala de leitura, visitar a mãe. E não havia&amp;nbsp;lugar para notas, havia? Tantas similitudes entre o que tinha planejado para sua vida – e o que ela lhe haveria de arranjar. Eis aí o que necessitava, viver plenamente com menos recursos. Viver, apenas. E isso já lhe bastava. Já lhe confortava a idéia de que, ao despir-se das vidas que lhe impuseram outros, seria um homem novo: ele mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Não havia lá tanta graça em desocupar-se de uma profissão. Mas de um trabalho qualquer, eis&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;aí onde reside a dignidade do homem, não se pode abrir mão. E como proveria seu sustento, já&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;que a féria mensal lhe seria reduzida? Estalou os beiços e murmurou para si: a minha fome não&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;se resolve com notas, ora, que mal há nisso? Ainda tenho saúde, alguma idéia na cabeça e a&amp;nbsp;língua: tenho a palavra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Prendeu o ar e atirou-se contra o tempo. Tudo era lento e embaçado. Foi à casa da avó, mais à frente visitou o antigo colégio, para lá não havia mais recreios – tinha sido erguido um prédio que lhe havia escapado do mapa da memória. Riu-se. Seguiu viagem no pensamento e foi repreendido por si mesmo pela insistência em trazer ao presente tantos passados de sua vida.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Ergueu-se de mais um devaneio e foi buscar um copo d água na cozinha. A louça estava lavada, mas tanto a alma quanto a consciência não reluziam o mesmo brilho. Por isso fez do prato espelho e procurou-se sem resultado. Lembrou do que havia dito a si: a minha fome não se resolve com notas. E sorveu um longo gole d´água pelo gargalo da garrafa, porque os copos&amp;nbsp;estavam também limpos. Quem era ele para mudar o rumo das coisas? Tudo em seu devido lugar nos dá a falsa impressão de ordem, de asseio, mas são truques. Mas é apenas uma sensação – concluiria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Ao peito aberto, caros, lhe coube outras aflições. A cartomante disse que deveria seguir sua intuição, as coisas estavam prestes a acontecer. Aos amores, às notas que não lhe fazem falta,&amp;nbsp;às circunstâncias que lhe cercam: prossiga firme.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;E tomou a reta sem ler a bula.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-9113792210929571416?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/9113792210929571416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/08/polonio-e-laertes.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/9113792210929571416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/9113792210929571416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/08/polonio-e-laertes.html' title='Polônio e Laertes'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-6730988064776028646</id><published>2011-07-11T18:50:00.004-07:00</published><updated>2011-07-11T18:56:30.850-07:00</updated><title type='text'>Regra três</title><content type='html'>&lt;h4 style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;"Abandonou-te?&lt;br /&gt;
- Pior ainda! Esqueceu-me."&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;(Mário Quintana)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit; font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;O perfume do pão torrado ainda estava na lembrança quando deu-se a discussão. À mesa, pratos, copos e cotovelos. Não havia encosto suficiente nas cadeiras. Caíram sentados imóveis&amp;nbsp;&lt;st1:personname productid="em silêncio. Talvez" w:st="on"&gt;em silêncio. Talvez&lt;/st1:personname&gt;&amp;nbsp;o maior intervalo entre suas vidas a partir daquele instante. As janelas escancaradas e o ar pesado. Era uma vez uma vez que não era.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Não havia mais barulho antes da risada. A cozinha ficou distante de tudo, até mesmo daqueles tempos à beira do fogão nas tardes de sábado. Ela vociferava e o repreendia enquanto ele relembrava quantas vezes já havia sentado naquele chão, próximo à área de serviço, descruzando e cruzando as pernas, mas prestando atenção no refogado. Prestando atenção nela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Mesmo com os avisos, ele esquecia o copo molhado em cima da mesa de madeira. Ela reclamava da mancha que se formaria ali. Ele pedia desculpas, ela ria com o barulhinho conhecido que seu riso faz. Mas a vida é meio como o mar, com marés, ventos e tempestades. Pode ser traiçoeira e periga não se sair de onde está. A calmaria burla o pescador.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;O filminho passou na cabeça. Aquele samba, aquela vez, aquele carnaval, aquele momento em que não viu mais sua vida sem ela. Aquela hora em que ela não se viu mais sem ele. Quando se perderam num tempo desconhecido e se encontraram nas primeiras pessoas do singular. E do plural. Erros de concordância de um futuro que passou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;A criança cresceu linda. Forte e cheia de vitalidade. Não precisava mais consultar pai e mãe, eles ficaram para sempre naquele apartamento. A infância passou invisível. A campainha que não funcionava era um sinal. Silêncio. Sem alarde. Não acorde. Não incomode. Ele teve que ir embora. Ela ficou. Porque amar é como dar à luz ao coração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Não houve mais palavras. Tampouco silêncio. Ocorre que o barulho daquela risada busca nele um pouco dele que partiu. E é como diz aquela do Chico: saudade é o revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Ou que nos esqueceu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-6730988064776028646?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/6730988064776028646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/07/regra-tres.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6730988064776028646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6730988064776028646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/07/regra-tres.html' title='Regra três'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-7867610075941780516</id><published>2011-06-02T09:46:00.000-07:00</published><updated>2011-06-02T09:46:18.800-07:00</updated><title type='text'>Memória</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Tem um filme novo passando: "Eu sou o senhor do castelo". Tá afim? Lá no Roxy. Depois a gente vai na Colombo, aí você come aquele uêiful empanturrado de manteiga e encharcado de mel. Bom, se tiver isso não tem sorvete de pistache, né? Tem?! Cacete, tá certo. Olha só, deixa eu te falar uma coisa, assim, pra você saber, esse lance de cinema, exposição, falar inglês e tudo mais, isso é mais com sua mãe, né?, você sabe. A parada do teu pai é rua, é o jogo do Vasco no Maraca, São Januário, tá lembrado?, quando a gente chegou cedinho ali na Praça da Bandeira, almoçou ali perto - pra ver a torcida chegando, o pai com os filhos, o casal vascaíno, os que vão sem camisa, mas levam pendurada no ombro. Foi daquela mesma vez que teve um assalto, lembra?, no ônibus e você ficou todo assustado... É, eu sei, ali qualquer um teria medo, eu também, porque ver gente armada é foda, não se sabe qual é a do cara, o que ele quer - ou o que querem dele. Mas voltando ao cinema, quero dizer, me falaram desse filme, queria ir contigo, parece ser legal. Vamos mesmo, fechado? Maravilha, passo aí na tua mãe lá pelas quatro horas, agora são onze da manhã, acabei de chegar do calçadão. Poxa, não vai dar, tô de folga esse fim de semana. Gostou do bandejão, né? Melhor que o do colégio?! Pô, aí, tua escola tá mal servida, hein?! Ih, não vai sair dizendo isso que eu disse, hein? Isso é papo de homem. Tá legal. Amanhã tem Vascão, hein? Mas não é aqui, é lá, entendeu? Aí passa na televisão. Isso, Bebeto. E parece que esse ano a gente é bicampeão brasileiro! Ano passado o Cocada quase acabou comigo. Mas acabou foi com eles. Deixa eu ir lá, meu filho. Daqui a pouco tô aí. Um beijo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Até já.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-7867610075941780516?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/7867610075941780516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/06/memoria.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/7867610075941780516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/7867610075941780516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/06/memoria.html' title='Memória'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-2433058380245925768</id><published>2011-05-09T19:48:00.003-07:00</published><updated>2011-05-09T19:50:19.676-07:00</updated><title type='text'>Silêncio</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Frear o tempo com os olhos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Ouço chover. Não é preciso abrir as cortinas. As vidraças tremem suavemente, o som da água me protege do frio. Um banho de palavras sem luz. O desejo desenfreado para que chova a noite inteira. Ainda que fosse senhor de mim, não saberia esconder as lágrimas. As janelas desatam a tagarelar. Examino a sala e não reconheço alguns quadros, talvez eles também não me saibam. O sopro gelado da cozinha. A almofada esquecida no chão, o espelho torto na parede do banheiro. Foi quando me lembrei que palavras são estrelas sem brilho. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Tatear o ar com as mãos &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Ainda que fosse escravo de mim, não saberia esconder as feridas. É que tenho tido dificuldade &lt;st1:personname productid="em escrever. Como" w:st="on"&gt;em escrever. Como&lt;/st1:personname&gt; se as palavras estivessem escondidas na luz. Não fosse apenas não enxergá-las, mas não há como senti-las. Sinto-me suspenso, como se sob efeito de reticências. Também não adianta me desviar dos estalos da consciência, supostos atalhos para onde não tenho me encontrado. E de nada adianta insistir que palavras são fósforos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Riscar o céu com os pés &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;De pernas para o ar me deixaram elas, as estrelas sem luz que são fósforos. Para este incêndio sem alarmes, a rota de fuga é buscar metáforas sem sentido. Talvez sirva como consolo literário, essa coisa de encurralar a inspiração, atormentá-la madrugada a dentro com respingos de insônia, da chuva que não terminará enquanto ainda houver fôlego. A luz que me deixa as palavras cegas, o reflexo de estrelas sem brilho, de fósforos riscados. A escuridão me permite fabricar tantos de mim que escrevo com os pés suspensos e mãos idem. Mas de olhos fechados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Porque silêncio é uma palavra invisível. &amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-2433058380245925768?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/2433058380245925768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/05/silencio.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/2433058380245925768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/2433058380245925768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/05/silencio.html' title='Silêncio'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-6439540079206841317</id><published>2011-04-13T08:57:00.004-07:00</published><updated>2011-04-13T09:10:37.120-07:00</updated><title type='text'>O luto de Tasso da Silveira</title><content type='html'>&lt;i&gt;"A violência é tão fascinante&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E nossas vidas são tão normais&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E você passa de noite e sempre vê&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Apartamentos acesos&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Tudo parece ser tão real&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Mas você viu esse filme também.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Andando nas ruas"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Legião Urbana - (Baader-Meinhof Blues)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A minha mãe foi aluna do Tasso da Silveira. Soube disso quando assistíamos pela televisão às reportagens sobre o ataque. Enquanto suspirava triste e murmurava alguma coisa para si, eu prestava atenção à sua reação. Mas sem tirar os olhos da tela. Então virei o pescoço para sua direção, inclinei o queixo para o lado onde ela estava sentada, numa tentativa de captar melhor seu luto, enquanto as imagens de pais desesperados e crianças manchadas de sangue invadiam a sala. Imaginei como seria estar na redação naquela hora. Tentei imaginar que, caso estivesse na redação, como seria estar de férias e não participar da cobertura. Nesse caso, não era de se imaginar, porque, de fato, era o que se sucedia. Não cheguei a lamentar não estar lá para cobrir o caso, mas acho que minha profissão tem o dever de informar sob qualquer circustância. Informar, pois bem. Mas acontece que iria viajar neste mesmíssimo dia para o Nordeste. Também não cheguei a lamentar a viagem - num dia marcado pelas violências social e psicológica às quais somos submetidos diariamente. É como cada nova informação fosse uma peça nova para vivermos, à pele de cada personagem da tragédia, mais uma etapa do sofrimento das famílias, amigos e professores. Não bastasse nos identificarmos prontamente com os alunos mortos a tiros &amp;nbsp;- porque todos nós fomos crianças e todos as temos em nossas famílias - cada lágrima e cada silêncio ficou um pouco nosso também. Mas, ao mesmo tempo, todo o ódio e frieza passou pela minha cabeça. Acho que muita gente tentou entender o que se passava na mente daquele rapaz, o que passou na hora, o que se passou anos antes, momentos antes: e o que não passou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na manhã daquela quinta-feira, fui mãe e pai daquelas crianças. Fui morto mais de dez vezes. E ainda estou ferido (como aquela manchete precisa do Diário de Pernambuco). Mas também fui assassino. Fui policial. Fui professor. Fui amigo. Fui colega. Mas ninguém foi Tasso da Silveira. O poeta passou despercebido naquela matança covarde. Lembro que escreveram um verso dele em algum lugar, mas as atenções eram quase todas voltadas ao assassino, com certo excesso, a meu ver, e algumas às vítimas e seus familiares, drama explorado também com certo exagero, na minha opinião. É claro que havia motivos mais do que justos para que o escritor ficasse invisível naquele momento, mas o que me chamou atenção foi, depois do primeiro impacto sobre as mortes em série, minha mãe olhando para cima, com as mãos elevadas e espalmadas próximo ao rosto, falando baixinho: ai, Tasso, professor querido, que tristeza que se passou diante dos seus olhos. Ele, que, ao final da vida, já estava quase cego, testemunhou um massacre contra nossas crianças. Ele, que ministrava aulas de Literatura e tinha a poesia como imagem infinita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tasso da Silveira, explicava minha mãe, veio do Paraná para dar aulas no Rio nos anos 60. Foi professor de Literatura na Faculdade Santa Úrsula, onde deu aula para sua turma durante três anos. Quase cego, era conduzido pela esposa até as salas da universidade. Adotou o costume de recitar versos entre uma lição e outra, tudo sem ler uma linha sequer. Só de memória, além de recitá-los, dava apelidos aos alunos. O da minha mãe era "Suavíssima", porque, dizia, que sua voz era como um murmúrio de um rio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando sua mulher morreu, Tasso, de alguma forma, ficou órfão, pois ela era além de seus olhos, sua luz. Era ela quem o o ajudava na correção das provas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha mãe não esquece o primeiro dia de aula após o luto. Ele chegou, atirou a pasta em cima da mesa (como se fosse um murro seco), em seguida fitou a turma (provavelmente tudo embaçado), e disse uma frase que nunca esqueceria: "Estou chegando do pedaço mais profundo de minh´alma, perdi parte de minha vida".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas nunca deixou de dar aulas. Sozinho, pegava o lotação, saltava na Praia de Botafogo, e aguardava que alguma aluna o conduzisse pelo braço para atravessar as duas pistas, perigosíssimas, de Botafogo. Minha mãe conta que teve a honra de conduzí-lo várias vezes naquele trajeto. Então, nesses momentos, para não constrangê-lo, ela dizia: "Professor, o senhor me dá a honra de eu poder acompanhá-lo?"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele lhe dava o braço e seguiam pela Rua Farani até faculdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;"Verso meu, fio d'agua oriundo&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Da fonte da dor... pudesse&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;(Ai de mim ! )&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Fazer-te tão claro assim,&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Que se visse, lá no fundo,&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;- só - minha alma cantando&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;ou soluçando."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;(Tasso da Silveira)&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-6439540079206841317?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/6439540079206841317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/04/o-luto-de-tasso-da-silveira.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6439540079206841317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6439540079206841317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/04/o-luto-de-tasso-da-silveira.html' title='O luto de Tasso da Silveira'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-7359097066759685001</id><published>2011-03-24T07:12:00.005-07:00</published><updated>2011-03-24T07:19:23.131-07:00</updated><title type='text'>Ensaios de Carnaval - 2ª parte</title><content type='html'>Já não era a primeira vez que estranhava a fantasia. Da cama, fitava a peruca, boné, colares floridos e dourados - pendurados no cabideiro. Vasculhava com os olhos o chão do apartamento, e lhe ocorreu rapidamente que o assoalho não era asfalto. O cinzeiro dos cigarros que não fuma. O dia ainda não havia surgido na janela e já era possível buscar na memória algum refrão de alguma marchinha. Como se a melodia pudesse lhe transportar para cozinha, pois as garrafas lhe esperavam na pia. Algumas já vazias. E ele também.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já não via tanta graça, às seis da manhã, em sentir o gosto misturado na boca de pasta de dente, café, pão com manteiga e vodka. Era estranho fabricar paladares para perder o tato. As panelas sujas sob o fogão, talheres amontoados no canto da pia, pratos empilhados no outro. Era preciso ainda um banho para despertar, para curar os excessos da véspera, era aí que entravam em cena os olfatos, o cheiro da camisa empapada de suor e perfume e nicotina e alcatrão, os jornais dobrados sobre o bidê, o vidro de shampoo próximo ao ralo, cabeça fria, água quente, respirações fabricadas por reflexões: cabeça quente, água fria. Ensaboar-se era até filosofia, porque percorria itinerários diferentes frequentemnte, mas sempre começando pelas axilas. De preferência, primeiro a esquerda. E ombros, barriga e peito. Havia vezes que invertia, deixando-a por último como castigo por estar mais rechonchudo. De qualquer maneira, era nessa primeira etapa do banho que refletia mais. Partes íntimas, pernas e pés, além das orelhas e rosto, não importava muito a ordem da lavagem, ficavam para a segunda etapa. Nesta manhã de Carnaval, ao contrário do que norlmalmente acontecia, o banho foi rápido - talvez não tivesse muito mais o que pensar, porque já sentia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vestiu a fantasia. Mas o que pareceu é que a fantasia havia se vestido dele. O que se viu foi um folião cansado de si, de dentro de si, mas financiado pelo estado etílico ao qual havia se proporcionado. Pôde caminhar pelas ruas atrás dos refrões. Sempre os mesmos. Um carnaval que, ao fantasiar-se, se camufla - se esconde. A euforia da euforia do lado de fora da gente. Um banho que não refresca. Já não tinha dinheiro para a cerveja, a vodka havia terminado alguns goles atrás. Anoitecia e as pessoas não paravam de chegar. Bueiros entupidos de gente, o som abafado de centenas de vozes conversando perto dali, o asfalto molhado e quente de cervejas antes e depois de bebê-las, a cidade cercada de ruas interditadas e carros esfomeados, lhe dando a entender que os blocos são ilhas cercadas de tempo e espaço, como se nada fosse maior do que o continente. De repente tudo ficou apertado e barulhento, menos para todos que haviam naufragado naquele arquipélago de verão, como ele havia pensado ser um porto. Mas deu-se conta que agora os ventos são outros. Direções novas, portanto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fantasias não lhe cabiam mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-7359097066759685001?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/7359097066759685001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/03/ensaios-de-carnaval-2-parte.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/7359097066759685001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/7359097066759685001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/03/ensaios-de-carnaval-2-parte.html' title='Ensaios de Carnaval - 2ª parte'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-3861399120604775778</id><published>2011-03-11T06:37:00.000-08:00</published><updated>2011-03-11T06:37:43.560-08:00</updated><title type='text'>Ensaios de Carnaval - 1ª parte</title><content type='html'>Os ponteiros do relógio comprado tinham a precisão da necessidade da compra. Não tinha valor material algum, mas contaria histórias além do tempo. O vendedor ainda fez graça, ao elogiar minha duvidável destreza com a pulseira cheia de nove horas. Vira pra cá, mexe pra lá, aperta aqui, seu pulso não é tão... pois é, peraí. Alguns segundos depois oferta e procura acertaram-se. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os apetrechos foram aos poucos encontrando lugar no corpo. Anéis, cordões e pulseiras douradas mal e porcamente por artesãos de ocasião. A julgar pela inconsistência do preço - e do mercado -, parecer-se com o personagem criado às vésperas dos festejos, até que foi bom negócio. Caminhar pelas vielas do centro da cidade, equilibrar-se nas fendas entre os paralelepípedos, inclinar a cabeça para um lado e o corpo para outro, como se o coração também procurasse a mesma fantasia. Pequenas tendas com roupas enormes, biroscas entupidas de gente esfomeada. O Carnaval chegaria. E a fantasia é de quem vê - e não de quem veste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O silêncio induzido de uma sexta-feira corpulenta, como se lhe tivessem prendido a respiração. Perucas ambulantes, vozes percorrendo em ziguezague os corredores do comércio. Agentes da lei de prontidão, caso houvesse confusão. Ao fundo da cena era possível encontrar, se fechássemos bem os olhos, se encolhêssemos ligeiramente os ombros, se abaixássemos suavemente o pescoço, a melodia da marchinha antiga, aquela que não lembramos de onde sabemos, mas sabemos - por isso lembramos. Um sorriso nos surpreende lento. No meu caso, suspendeu as lentes míopes e astigmáticas que protegiam o rosto amassado de sono. O bocejo interrompido pelos dentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E é bom quando isso acontece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-3861399120604775778?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/3861399120604775778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/03/ensaios-de-carnaval-1-parte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/3861399120604775778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/3861399120604775778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/03/ensaios-de-carnaval-1-parte.html' title='Ensaios de Carnaval - 1ª parte'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-7917759026925989226</id><published>2011-03-10T05:23:00.000-08:00</published><updated>2011-03-10T05:23:17.356-08:00</updated><title type='text'>* Lutas</title><content type='html'>- Não tinha pensado nisso...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Mas não é o que queria?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Eu falo muito e, às vezes, acredito no que digo, e então olho pra mim e nem sem mais o que é verdade. Tive essa ideia maluca de lutar... O que estou querendo? Quero mesmo estar lá firme e forte e tal? Ou, como diz meu filho, é só meu ego? Ou estou tentando substituir a velha dor por uma nova? Eu não sei! Eu não sei...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Veja bem, sei que geralmente não falo muito. Estou sempre ouvindo e observando... Mas quem você é, a sua parte, está tão cheia de vida... Todos temos esse fogo, mas sem chance de usá-lo. Então, ele se vai. Mas você pode. Tem essa chance, então faça. Por que não? É quem você é. É quem você sempre será. E não mude de ideia por ninguém, até que você esteja pronto. Não importa o que possam pensar. Só importa o que você pensa. Olhe pra mim. A decisão é sua. E se é algo que quer fazer e se é algo que tem que fazer, então faça. Lutadores lutam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Lutadores lutam, né?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;*&lt;i&gt;&amp;nbsp;Diálogo do filme "Rocky Balboa"&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-7917759026925989226?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/7917759026925989226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/03/lutas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/7917759026925989226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/7917759026925989226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/03/lutas.html' title='* Lutas'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-5549343298955973419</id><published>2011-01-31T06:44:00.011-08:00</published><updated>2011-01-31T11:55:42.908-08:00</updated><title type='text'>Café de laranja</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;inda não se sabe como aconteceu. Nem Lula nem Caetano – tampouco Eudes. Imagino se todos estivessem na casa da Táta ou próximo dali, no reinado de um crustáceo. Um pedacinho da Itália, ali, à beira do Leme. Alguma coisa pela manhã, uma mistura entre fermentados e laticínios, feitos na brasa: na hora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Uma linha. Três paisagens. Um pedaço de pele bronzeada, olhos morenos e cabelos castanhos, tudo que o sol pudesse conduzir pelos raios de uma luz nunca vista. Um biquini de corações: perfeita simetria. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Eu só quero que esse brilho no olhar não acabe nunca. Tô saindo, mas não consigo te ligar. Tá foda, chega logo oito da noite. Suco de laranja, vamos ali no portão. Açaí baby, hoje eu posso. Só não gosto de água com gás quando penso que é água sem gás. Duvido. De repente eu que tô dando bandeira. Eu quero saber a partir daí, diria ele. E ela respirava fundo, buscando nos intervalos de seus passos o fôlego de um novo começo. Então mantenha esse pensamento. Na ponta da língua. Vem buscar.&amp;nbsp; Incrível. Espetacular. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Tô saindo daqui, já te explico. É engraçado. Tô no Leblon, acabando o almoço. Sabe aquela gata da foto? Não se duvida de raio-relâmpago-e-trovão. Sabe que eu tava pensando no ciganismo agora? Acho que é por isso que eu sinto essa coisa de liberdade tão pulsante, por isso que não aceito as convenções goela abaixo. Meu sorvete preferido é o Dragão Chinês, sabe? Havia motivo pra tudo e tudo era motivo pra mais. Gosto da arte em cima, do romantismo. Eu levaria uma câmera e filmaria a cidade, os escombros e tudo. Cidade-fantasma, meio Saramago e tal. Não exploraria o drama das pessoas, isso você não precisa filmar. Você pode ouvir, conversar ajudar. Documentalmente, você faz de longe. &amp;nbsp;Então, assim, entendo tudo que você disser. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Minha cabeça parece que vai explodir. E você, trabalhando? Tosse, garganta arranhando (não é dor de garganta, mas tipo um pigarro mais áspero), meio febril, meio mole, foda. Exatamente, trabalhando. &amp;nbsp;Sabe o “procura-se Amy”?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Não acontece nada demais nesse dia do filme. Tipo terça. Mas isso de share a moment é incrível, porque você fica em busca daquele sentimento que sentiu. Mas aí fala dos bastidores. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Não queria que você me cortejasse nesse momento. Não falei por nada, foi só um comentário desconexo. Acho que tô com febre. Tylenol? Polaramine. Cebion? Belanet. Papo hipocondríaco. Você sabe se esquivar. É o que dizem. Adoro essa frase: é o que dizem. Gosto de outra, do Cortázar: minha vontade é o seu futuro. Tô lendo um do Alcione Araújo. Esse papo não faria o menor sentido dez anos atrás. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Meu querido, despretensioso é uma palavra que não ta cabendo muito. Mudando de assunto, pra dar uma respirada. Não era pra dar respirada. “Porque dói entender que a posição da lua não interfere no quanto eu morro um pouco todos os dias”. Gosto de quem escreve sem adjetivos. “Antes, tivemos gestos que nos levaram àquele instante; depois tivemos gestos que nos tiraram daquele instante; mas, naquele instante, estávamos felizes.” Esse aí você encomendou, né? E você não sabe da situação onde me encontro, geograficamente falando. O combinado não era não cortejar? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Mas o café da manhã&amp;nbsp;era despretensioso. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-5549343298955973419?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/5549343298955973419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/01/cafe-de-laranja.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/5549343298955973419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/5549343298955973419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/01/cafe-de-laranja.html' title='Café de laranja'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-8200170653298442547</id><published>2011-01-12T19:56:00.019-08:00</published><updated>2011-01-13T02:35:36.429-08:00</updated><title type='text'>Pelos desencontros</title><content type='html'>Pelas palavras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desceu da van e caminhou pelo sentido contrário do pensamento. Nessa direção também cambaleavam alguns carros. Faróis não iluminavam tudo. A noite, sim. O hálito de uísque se misturava ao gosto do pão. Passava a língua sobre os dentes, mesmo com a boca fechada. Com os olhos reverenciou o céu. &amp;nbsp;E lembrou do sorriso da diva negra da pela clara. Pôde vê-la de perto mesmo de longe, alternando atenções à tela enorme à esquerda à direita à esquerda à direita, porque para o centro das atenções não eram necessários cristais. E lá estava ela, altiva, cabelos recheados deles mesmos, num coque de robustez indescritível, girando o ombro direito para lado oposto, e desabrochando um sorriso só dela - como consegue? -, quando inicia com os olhos o esboço de exuberância feminina, ao levantar a maçã do rosto apertando o olhar e, num movimento desordenadamente alinhado, desce à boca, e os lábios juntos suspendem-se levemente na curva da face enfeitada pela maquiagem e, pouco a pouco, vão se abrindo, como se fossem cortinas, e dão espaço aos dentes, como se fossem luzes, que, por sua vez, dão lugar à voz, como se fosse um elixir lírico: um rasgo na noite que iluminava tudo. Um brilho num embrulho de gente. &amp;nbsp;Talvez por isso chovesse tanto lá fora. Os relâmpagos estavam pelo avesso: do lado de dentro de nós.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pelos caminhos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguiu torto pelo asfalto. Pistas suadas do calor. Testa molhada de suor. Percebeu que o canteiro dividia outras coisas, além dos sentidos. O canteiro cortava o tempo naquele momento. Lembrou da corrida esbaforida da ida. Da retirada batida e necessária da volta, por implicações nefrológicas. Éle-Bê-Dábliu eram as iniciais da abóbora que os levava de volta à realidade. Fez esforço para guardar na memória a trinca de letras que determinaria o reencontro com os companheiros de espetáculo. Foi quando atravessou as vias expressas e - lá estava ele novamente! - cruzou o canteiro da grama encharcada. Afundou os pés na lama fabricada da chuva, suplicou para que os carros refugassem seus destinos, pois a bexiga lhe suplicava pelo seu. Por alguns instantes conferia pelo olhar o outro lado das pistas, onde acompanhava com dificuldade o curso da van. Não pela velocidade das coisas, mas pelo embaralhamento, consentido, causado pelo álcool. Ao chegar à outra margem, justificou-se em voz baixa. Resolveu-se. Fitou a linha de carros. Procurava a tríplice alfabética que lhe levaria de volta à embarcação de aço, branca, que fez das rodas pás. Talvez por isso chovesse tanto lá fora. As árvores estavam descabeladas na beira da estrada. Na ribanceira do coração eram outras as despenteadas: do lado de dentro da van.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pelos desejos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deu-se conta que não lembrava da cena. Ingresso? Na mesa do computador. A imagem estava intacta. Não precisou apalpar os bolsos ou rebobinar seus passos. Os amigos lhe esperavam estacionados na van. Alerta. Tentou comunicar-se com uma; outra; tentou a terceira amiga: sucesso. Explicou que precisava voltar para buscar o que tinha esquecido. Durante a corrida, a segunda das cinco que daria até o fim da noite, tentou adivinhar como seria o concerto, tantos palpites dos que não sabem, tantos silêncios de quem já soube, como diria Pessoa: 'Aos que a felicidade é o sol, virá a noite. Mas ao que nada espera tudo que vem é grato'. Talvez por isso choveria tanto. Uma noite que banhou-se de sol, como se da chuva surgissem pingos de luz, como se nas nossas cabeças fossem germinar sonhos, como se nossos frutos fossem nós mesmos. &amp;nbsp;No terceiro pique em direção aos amigos, já com a garrafa de uísque em punho - quantas sedes caberiam ali? - buscando ar na atmosfera rarefeita do susto, recompôs-se numa parada de ônibus e, logo em seguida, foi surpreendido por um rosto até então desconhecido, que surgiu da van que mais tarde decoraria as letras - e não os números: 'Amy, vaga sentado. Vambora?'&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pelas surpresas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Subiu o degrau e mal podia falar. Percorreu a van com os olhos e reconheceu alguns companheiros. Outros, como a moça que lhe fez a oferta do bom lugar e mais três feições novas, que conheceria a partir dali. Fidalguias recíprocas. À direita, no chão, uma caixote plástico, onde encontrava-se outra garrafa maltada, de qualidade semelhante, mas valores diferentes. Havia em seu interior pedras de gelo aos cubos. Posicionou-se como cobrador da van. Era neste palco motorizado que começaria o show. O mesmo palco que na véspera , a cortina fechadas, foi motivo de discussão eletrônica. A mesma van que lhes fez confundir com uma casa de putas dirigida por PM. E na van havia uma telinha pequena suspensa no teto, onde assistia-se a uma apresentação de um grupo liderado por uma ave de rapina. Não estavam nem aí. As conversas esvoaçavam pelos bancos, uns debruçavam-se sobre os assentos para olhar para frente, outros esgueiravam-se para poder ouvir melhor um comentário, alguns telefonavam para tantos, que as conversas multiplicavam-se, as vozes, os ouvidos, as línguas saíam de sincronia. O comandante da nau: Lula. E a primeira parada, um posto de gasolina. Reabasteceram-se de bebidas energéticas, de cevadas enlatadas, de cédulas, de água de côco, de sanduíches que vieram a calhar, desobstruíram-se de alguns líquidos, embarcaram novamente e rumaram em direção à última navegante, que residia próxima a uma praça que tinha o nome de uma vogal - para diferenciar-se das consoantes da van, o palco motorizado, que lembrava um certo filme, uma de uma certa pequena miss de raios de sol. Mesmo com a chuva que se aproximaria - mas que não mudaria o curso das coisas. Porque a van também lembrava um quarto aconchegante com amigos esparramados pelo chão, almofadas espalhadas, gargalhadas em noites de riso: sorrisos em dias festa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pelos encantos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atracaram em terra firme, ao meio-fio. E, neste caso, era o palco que saía de cena - e não os artistas. Combinaram o local do regresso, como aquele dito popular: numa tempestade, qualquer porto? Lula, o almirante do coletivo urbano aquático, iria descansar, ancorado em alguma esquina. O leme agora era deles! Trataram de atravessar a rua e - lá estava ele novamente - cruzaram o canteiro. Na passarela de piche desfilaram todas as moças do grupo, todas belas, enquanto os dois rapazes encantados pela sorte, pela sorte de estarem ali, pela sorte de estarem ali com mulheres tão cheias de si, pela sorte destas serem suas amigas. Os carros pararam. Os faróis serviram como iluminação dos passos de cada uma, o comércio não fechou porque ali não havia estabelecimentos, mas vendedores ambulantes paralisaram por alguns segundos antes de tornarem a oferecer capas de chuva, cervejas duvidosamente geladas, e até os cambistas repensaram os preços ao fitarem sete moças - a oitava havia antes desembarcado em outro cais - &amp;nbsp;de beleza evidente e de elegância idem. Completaram a pequena travessia, ainda sob os respingos de sol de Pessoa, sob os pedacinhos d´água do céu carregado: ancorariam num continente desconhecido dos olhos, mas reconhecido pelos ouvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pelos desencontros&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O giro da roleta. A passagem do tempo para o espaço. A caminhada ao encontro da multidão. Os sorrisos nervosos. A espera de uma apresentação. A música favorita dela. A música favorita dele. A nossa música favorita. Qual será a sua? A odisseia em driblar as pessoas, os cotovelos que patrocinam respingos de cerveja, de uísque, o cigarro que não pode, o cigarro que não deve, a fumaça que abre, a que prende, um abraço, um beijo, um aperto de mão, um coro na canção conhecida, um silêncio no trecho esquecido, uma procura: um achado, um perdido. Uma sede que leva à outra sede: duas fomes. A melhor visão sob certa altura, olhares que escapam à luz da razão. Palavras que se encontram na escuridão dos desencontros. Luzes da cidade, remos em punho em direção à van branca, no xis marcado no mapa da memória. O retorno para onde não vieram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outras pessoas nos mesmos corpos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-8200170653298442547?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/8200170653298442547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/01/pelos-desencontros.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8200170653298442547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8200170653298442547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/01/pelos-desencontros.html' title='Pelos desencontros'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-356081222493342950</id><published>2011-01-04T02:07:00.002-08:00</published><updated>2011-01-04T02:08:05.449-08:00</updated><title type='text'>Carta de uma amiga</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ele não é Aquiles.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Tem sola invulnerável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Pisa olímpico sobre cacos afiados da maledicência. Caminha, sem medo, na sala dos invejosos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Encara, sem calçado, buracos negros do destino. &amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;É mendigo descalço. Só quer de esmola o beijo efêmero no bloco de Carnaval.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;São pés democráticos. Percorrem o tapete persa da família de cobertura e o ladrilho imundo do boteco. E nesses carinhos de esquina, nesses bares suburbanos, ganha casca cada vez mais dura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Rígida como o couro do pandeiro que embala suas noites.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Em breve, estará pronto para a Guerra de Tróia. A Guerra da Vida. Sem calcanhar exposto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Seus olhos também são armas de longo alcance. Radares de lince ou de Linceu, da mitologia grega.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Enxergam o que não vemos ou não queremos ver. Guardam na retina esverdeada detalhes de um minuto. De um instante. De uma risada, reproduzida em minucia, em palavra, em teatro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;O palco? Qualquer lugar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Brilha em suas homenagens genuínas. Ganha a plateia no constrangimento. E o povo quer mais...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Ele também quer mais. Mais de si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Sabe que pode. Sabe que deve.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;E na certeza, por vezes, se embriaga de ansiedade. Do garrafão de suco com vodka, goles&amp;nbsp;fartos para aquietar a pressa. Do copo de cerveja, litros de expectativa dourada. Do cigarrinho de palha, baforadas de inquietude.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;E assim, vai trilhando a estrada, dançando no chamego da moça, ganhando na &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;malemolência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;O Olimpo te espera paciente, rapaz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Seus pés invulneráveis vão te levar até lá.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-356081222493342950?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/356081222493342950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/01/carta-de-uma-amiga_04.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/356081222493342950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/356081222493342950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2011/01/carta-de-uma-amiga_04.html' title='Carta de uma amiga'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-2693722536040652486</id><published>2010-12-31T09:27:00.004-08:00</published><updated>2011-01-04T01:54:05.045-08:00</updated><title type='text'>Despedidas</title><content type='html'>Eu nunca soube ir embora de uma festa. Nunca consegui me despedir de meus primos nas viagens da infância. Também nunca superei o vazio da saudade. Nunca me desvencilhei do sofrimento da perda. Achava que nunca mais meus Natais seriam os mesmos nem os anos que viriam a seguir. Cismava em refugiar-me nas lembranças. Mergulhava em músicas capturadas pela memória. Buscava reviver amores que já não existiam. Passos lentos. A respiração vacila. Permito que o passado venha à tona, que me afogue a vista, por isso não pisco os olhos. Permaneço estático fitando a paisagem. A solidão vacila. Dou-me conta de que estou triste. Posso escapar da tristeza, mas não: quero a violência da despedida. Reparo ao redor, nos rostos do avião. Nas feições das filas. Nos campos miúdos vistos das janelas sem cortina. O coração vacila.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sempre chorei na hora de cantar parabéns. Sempre me esvaía em lágrimas quando meus pais me pegavam no colo, rodeado de amiguinhos, brigadeiros e o bolo com super-heróis. Mesmo impulsionado pelo coro da cantiga, eu levava as mãos aos olhos cerrados, para não me perceberem triste. A despedida me violava a data querida. Minha mãe não entendia a razão do pranto ali, no meio de balões e brinquedos. Tampouco o Super-Homem, o Batman, o Lyon e a Shytara. Desconcertados, todos, miravam meus movimentos à espera - ainda que na esperança - de me ver voltar a si e rir o riso de horas antes, como durante as brincadeiras de pique-pega, morto ou vivo ou tudo-que-seu-mestre-mandar. Meu pai franzia a testa e, bastante preocupado, alterava o tom de voz e perguntava baixinho o que tinha acontecido. E eu não saberia ainda dizer que era, pai, que era, mãe, o medo das coisas acabarem. O temor de ver meus amiguinhos irem embora da festa. O toque de recolher dos pais exaustos - mas satisfeitos - de mais uma festinha de aniversário do coleguinha da escola. Tudo tem seu tempo, mas o tempo não tem tudo. O tempo vacila.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E nos fins de ano, sempre é assim. A despedida é a saudade antecipada. Eu me antecipo à saudade. E sofro duas vezes. Quando meu avô morreu, eu tinha treze anos. No velório, meu pai me puxou pelo braço. Fomos dar um passeio pelo cemitério antes mesmo do cortejo. Repousou sua mão em meu ombro, e disse que eu não parasse de caminhar. Prosseguimos. Mais à frente, encostou-se numa lápide. Desabou-se em mim aos prantos. Estava inconsolável. Tinha perdido o pai. E eu, ao ver aquele mulato forte tão vulnerável, tentei abraçá-lo com toda força do mundo. E eu tive, ali, toda força do mundo. Não falei nada. Apenas segurei-o forte. Mas como é como se sabe. O mundo vacila.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com minha mãe não foi diferente. É a mulher mais forte que conheço. Nasci de seu terceiro casamento. Ela tinha quase seus quarenta anos. Único filho, "muito desejado, muito gerado e muito amado". O segundo adjetivo é pelo número de tentativas, daí o termo curioso. Nasci de olhos abertos, sempre faz questão de dizer. Acho que chorei porque não queria sair da barriga, como todos os bebês do mundo, evidentemente, mas talvez aí haja a explicação para minhas festas de aniversário quando criança. A hora de cantar parabéns é sempre um novo nascimento. E, sabe-se, toda criança vacila.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A véspera de ano novo me faz chorar. Lembro de meus tempos de criança. Das idas à praia com meu pai. Das viagens ao Nordeste com minha mãe. Dos enterros de meus avós. Dos amores que se foram. Dos amores que ficaram. E sempre se pensa: depois disto ou daquilo, nunca mais o Natal foi o mesmo. Ou: nunca mais a festa foi a mesma. A família diminuiu. Antigamente a casa estava cheia, hoje não é mais a mesma. As crianças cresceram. Mas acho que é justamente aí que discordo. Nós é que mudamos, nós é que vivemos de outra maneira. Porque respiramos diferente. O coração bate em outros ritmos, em outras direções. Ficamos mais sós, mas nem por isso solitários. Nós crescemos. Os tempos serão sempre outros, o mundo dará sempre mais voltas. As crianças sempre estarão em nossas vidas. E, como percebe-se: as pessoas não vacilam. As pessoas vivem movidas a despedidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E à saudade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-2693722536040652486?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/2693722536040652486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/12/despedidas_31.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/2693722536040652486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/2693722536040652486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/12/despedidas_31.html' title='Despedidas'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-7660699715135493839</id><published>2010-11-18T10:00:00.008-08:00</published><updated>2010-11-18T10:16:53.074-08:00</updated><title type='text'>Sessentinha</title><content type='html'>&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;"Um homem sabe quando começa a envelhecer porque começa a parecer com o pai"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Gabriel García Márquez &amp;nbsp;- "O Amor nos Tempos do Cólera"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sessentinha, gente boa... E aí, como é que é? Vai dar mole pra Kojak?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não sei como tá pro teu lado, mas daqui tá na boa. Maré mansa, levando na crista da onda. As coisas acontecem, minha mãezinha tocando a vida, meu garoto correndo atrás. E não vem com essa de coroa, não, mermão! Tô pro gasto ainda, sambando direitinho, cantando o baixo o refrão pra não chamar atenção de malandro. E você, tá legal?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deu saudade de te levar pra passear no Aterro do Flamengo, como daquela vez que subimos as árvores. E tava toda cagada, fedendo pra cacete, e sua cara de menino assustado... Frescura, o cacete, pai, era nojo mesmo. Então tá certo. E a praia do Diabo, mergulho no Arpoador, final de tarde no quiosque do Toninho, em frente ao sinal: posto oito e meio. Tem visto ele?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Almoço no Brasinha, esquina da Canning com Gomes Carneiro. Eduardo, salta um galeto no capricho pro meu filho, um chope na pressão e uma coca? Maravilha, e uma coca com gelo e limão pro rapaz aqui. Isso, prato pra dois, porra, também sou filho do homem, xará. Quer moleza, morde água.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aí, não é por nada não, mas vamos com teu pai ali no Bar do Beto, tem um pessoal do jornal por lá. Depois do Simpatia papai vai pra lá beber chope. É legal, é legal. Não, Bruno, o Jangadeiros é outro, fica ali na Teixeira de Melo, no quarteirão da General Osório. Aquela vez do... Essa mesmo, garotão! Até que tu não é bobo, não, hein? Essa cara de zona sul te estragou, não. Com teu pai o lance é rua, Maraca, praia no Arpoador, churrasco em Saracuruna, sítio do vovô, lembra? Que você corria atrás das galinhas e fugia dos marrecos? Fugia sim, ahahaha! Ô, ô, baixa a bolinha, que teu pai tá falando numa boa. Esse desenho na capa da fita é uma charge, como se fosse uma caricatura, entende? Esse cara é o João Nogueira. &amp;nbsp;Bom pra caralho, mas também tem o Martinho da Vila, que é maravilhoso, peraí, deixa ver se está aqui nessa pilha de fitas. Esse é o Paulinho. Camisa dez, camisa dez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Falar nisso, tava lembrando também das manhãs de domingo, quando você era bem novinho. Devia ter seus quatro, cinco anos. Era dia do teu pai fazer aquele café da manhã especial: pão com ovo e café. Você adorava quebrar as cascas, ver a gema estalar, o cheiro que preenchia a cozinha, cheiro de domingo, cheiro de café, e o pão francês que, à metade, você fazia um furo e colocava colher a colher dentro do pão, como se fosse um embrulho de trigo e ovos. O café passado no fogão mínimo, geladeira ainda menor, mas a cozinha era precisa: estávamos nós. E você corria para o toca-discos pedindo as músicas do papai, e eu sabia que era a Beth cantando Cartola, eu sabia que era qualquer música que fizesse que aquele momento não acabasse jamais. Você pulando no carpete, com a boca amarela do pão e com o sorriso que eu te dei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sessentinha é foda, gente boa. Mas é isso aí, bola pra fente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porque a vida não tá ganha pra ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-7660699715135493839?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/7660699715135493839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/11/sessentinha.html#comment-form' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/7660699715135493839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/7660699715135493839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/11/sessentinha.html' title='Sessentinha'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-3595313433116685682</id><published>2010-10-19T05:11:00.007-07:00</published><updated>2010-10-20T07:53:51.799-07:00</updated><title type='text'>Rumos</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Pela manhã, mãos ao calendário. O xis estampado nos dias anteriores, às vésperas do fim do ano, me faz perceber a pressa em mastigar os meses. Terminar o que, certamente, será encerrado em breve, mas tem-se urgência em decretar a morte do que já fomos. Costumo riscar os tempos idos, algumas vezes até os que não foram, à medida que encerro etapas da minha vida. No trabalho, em casa, nos devaneios que poucos entendem -&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;e que muitos testemunham. E aí já não sei se meu flerte com Clarice é culpa dela ou minha, se Kundera me fez ser mais leve, ou se Camus transformou-me no que sou, ou Peixoto me fez reconhecer o que poderia ter sido, assim à maneira de Svevo. Reorganizo a consciência e trato de voltar aos livros, procurar as frases sublinhadas, e sempre não as encontro, ou melhor, claro que as revejo, pois estão marcadas, mas sempre deparo com frases e até trechos inteiros, que não estão enfeitados com caneta ou grafite: estão sublinhadas pela lembrança do que fui até aquele momento. Palavras que não foram marcadas pela tinta: não sublinhei porque ficaram na minha cabeça e só eu saberia o significado de não tê-las marcadas: eu, agora, as tenho e as sei. Por isso que volta e meia fogem deste que lhes escreve.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Recorri às linhas da memória e às palavras da infância para driblar o interlúdio presente. Acontece que cismo em fabricar reações, alguns chamam de ensaios, no ato de repetir baixo as frases que direi ao adentrar a sala e enfrentar os rostos novos. Distribuídas sobre corpos cobertos de ternos e camisas sociais dobradas na manga, as feições que ainda não vi ilustram todas as projeções que cuidadosamente imaginei antes de encarar, sem titubeios, conquistas que adquiri a duras penas. Saúde agora não me falta, apesar do tornozelo inchado pelo degrau pisado em falso, as barbas em regresso me sobrando as maçãs, meus olhos curiosos ao percorrer em horários sentidos toda minha vida, mesmo que meu corpo preencha pouco os espaços que me cabem. Penso nisso toda vez que, ao ler trechos do livro favorito, abaixo o volume das coisas, repouso os óculos na cabeceira, inspiro o ar daquele instante, como se pudesse sorver outros vocábulos, não os do papel, mas da atmosfera que se fez depois de ler a combinação de consoante e vogal, a dupla preferida que consegue nos levar a qualquer lugar longe de nós, mesmo que seja do lado de dentro. Ainda não descobri porque leio mais devagar as páginas da esquerda do que as da direita, vai ver que as curvas são mais acentuadas para tal direção, nunca pensei que fosse um ambidestro literário, talvez não seja, mas os canhotos devem ler de forma oposta, portanto.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Quando não me faço compreender, assim como não capto certas mudanças das pessoas, costumo recolher-me num exílio interno, quando do lado de fora de mim acontecem as coisas. Aqui dentro, mesmo que me denuncie por gestos e reações, retrocedo à prática do silêncio, das linhas não sublinhadas, dos dias que não foram marcados, páginas da esquerda e das curvas retilíneas. Há os processos que somos; há os que seremos; há os dois num só, que teimamos em esmiuçá-los através de questionamentos existenciais, chamados defesas, ou através de mudanças de comportamento, essas fábricas de nós mesmos. Gosto de acordar, escrever, ler e dormir. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Em novos rumos, mas fora de ordem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-3595313433116685682?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/3595313433116685682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/10/rumos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/3595313433116685682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/3595313433116685682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/10/rumos.html' title='Rumos'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-8624005372232193461</id><published>2010-09-16T07:08:00.014-07:00</published><updated>2011-01-04T02:00:37.261-08:00</updated><title type='text'>Elevadores</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;"Nova York era a cidade mais importante do mundo. Hoje não existe mais isso. O lugar mais importante do mundo é o computador"&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;J. Selarón -&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;artista plástico&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;---&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Abri a porta. Entrei. Examinei-me através do espelho, cintura para cima à vista, cintura para baixo não fazia diferença saber, quando olhamos a nós mesmos só interessa cabeça e coração. Mesmo assim não pensei nisso quando reparava em meus olhos ao passo que alisava rapidamente a barba crespa de meu rosto grande. Apertava minhas faces com a mesma mão, com o polegar de um lado da bochecha, e o resto dos dedos no da outra, como se, ora aberta ora fechada, pudesse adivinhar quantos pelos do bigode havia sobre meus lábios. Afrouxei a gola da camisa, abri dois botões, mas a porta do elevador ainda não havia fechado, ela regressava lentamente do puxão que havia lhe dado, porém menos sutil de como fazemos com geladeiras, ao retornar à caixa metálica pendurada por cabos de aço, como um iô-iô robótico onde transporta-se gente. Mas, sim, há espelhos.&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Escolhi o último andar como destino. Décimo-primeiro. Coberturas são chatas para dar uma volta. A luz do numeral se acende, mas imediatamente outros botões do painel começam a ganhar vida laranja e sei que, certamente, terei companhia aqui dentro. À minha frente, as portas repartem-se em duas, como se fossem janelas automáticas, e eis que surge uma moça. Sobe? Eu disse que sim. Ela vinha da garagem, que fica acima da portaria. Então foi aquele ritual costumeiro, quando se olha pra cima, para o lado, finge-se procurar algo na bolsa que não existe, conferir se as chaves estão no bolso, mesmo sabendo que estão. Acompanha-se a velocidade do elevador ao passo que sobem os andares, como se fosse um placar eletrônico predial, e assim meu passeio se dá, reparando no que as pessoas fingem não reparar. Devem pensar que não estou bem de cabeça, que ideia é essa de subir e descer pelo elevador, que coisa mais sem sentido, que perda de tempo, que idiotice. Pois bem: é. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
Rumo ao trabalho. Não bastasse não ter janelas, todos somos fisgados por telas de cristal líquido e mal conseguimos conversar com colegas. A hipnose desempenhada pelos computadores arrasta, ou melhor, paralisa multidões. Tanto os seguranças da portaria, quanto os bebuns da padaria, quanto os perfumados da brasserie ao lado, quanto os executivos lá de cima, nós aqui de baixo, e quem disse que também não vivemos todos num elevador social? Agora também há as máquinas portáteis. Computadores em miniatura que servem para escrever e ler correspondências eletrônicas, localizar outros amiguinhos que também têm posse de similar parafernália, que registra fotos, também as envia para outras máquinas que ficam dentro de máquinas, ou melhor, que são hospedadas. Caminhamos corredores adentro com o queixo colado no peito, braço para frente, e com os quatro dedos fazemos berço, do telefone um bebê, do polegar, o dengo. Mas, não esqueçamos, a vida continua a circular do lado de fora desta fábrica de solidão. O isolamento individual curiosamente nos faz pregar exaustivamente a coletividade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É quando ouço sobre festas: o evento vai bombar, vai todo mundo!. Quem?! Ah, sim, as pessoas que se isolam em computadores, em blackberrys, i-phones, e o cacete a quatro, que vivem em redes sociais, esse todo mundo, que vivem em círculos sociais. As que criaram celas Vips, festa-fechada-só-com-gente-bonita-primeiro-lote-acabou. A modernidade que chega à tecnologia é sensacional, sei, é claro, porque também a desfruto, mas o que se vê é (e que nunca deveria ser) é a industrialização das pessoas. É a maquinização dos gestos. Ensaiar instintos e frear a espontaneidade. Tudo é rápido na vitrine, é raso, é ralo: é falso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;As pessoas trancam-se em si mesmas. Não querem fazer muito esforço, são seduzidas por números, metas, e sensações de pseudo-liberdade. Hoje, nós compramos o descanso. Trabalhamos a duras penas e aos baldes e sim, recebemos por isso, há também quem não goze deste, hoje, privilégio, que é ser (bem) remunerado &lt;/span&gt;&lt;personname productid="em dia. Pois" w:st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;em dia. Pois&lt;/span&gt;&lt;/personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt; saímos do local de trabalho e seguimos para a academia, outro elevador com espelhos, lugar de altos e baixos do corpo, local de falsa harmonia, onde se repara em quem finge que não nos repara. Ficamos, pela terceira ou quarta vez no dia, trancafiados com espelhos e ilhas de solidão, que às quais chamamos de pessoas modernas. Ou melhor, antenadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Quem não for da saúde, sempre há quem não seja, sai do batente para o boteco. Antes, bebia-se na rua, como ainda fazem poucos, mas agora bebe-se em bares requintados, aromatizados, educadinhos, moderninhos, que ouviu-se falar na praia por um artista ou que saiu na revista. Se estiver na mídia, se for fabricada, os arquipélagos solitários já sabem para onde dirigem-se, porque outros barcos vazios de gente atracarão às suas margens, coisas de continente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Vejo que as pessoas estão ancoradas no presente. O futuro, por estar sempre próximo, sempre fica pra trás. Mas basta enfiar a cara na tela do computador que a vista fica bonita. E por não deixar de ser nosso reflexo, não deixa de ser um espelho. Da realidade de nós mesmos. Mas são variações sobre o mesmo tema.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Ou reflexões sobre a mesma cena?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-8624005372232193461?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/8624005372232193461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/09/elevadores.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8624005372232193461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8624005372232193461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/09/elevadores.html' title='Elevadores'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-8599884632398759593</id><published>2010-08-19T14:38:00.003-07:00</published><updated>2010-08-19T20:42:20.804-07:00</updated><title type='text'>Passagens</title><content type='html'>O peso do mundo sobre mim. A pressão no peito, as costas castigadas pelas farpas. Tudo é pequeno e honesto, as larvas se alimentam da minha carne, os vermes existem por minha causa. Estou fechado em mim. Minhas vestes descompuseram-se, são trapos sujos e podres. O fedor do meu corpo, além de outros cadeados, delimitam o mofo de minha existência. Usurpei a luz, que já não me fazia enxergar. Declinei dos olhos, que já me permitiam não ver. As coisas são finitas. Meus braços cruzados repousados sobre meu ventre vazio, entre o coração que não me existe mais e o estômago inundado de borboletas moribundas. Cravaram-me uma estaca no espírito e o grito desfez-se em grãos de terra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A conta-gotas, as lembranças surgem da tábua reta distribuída sobre mim. Um palmo acima de meu nariz sem cartilagem. Ainda posso recorrer à memória curta e ouvir o movimento das pás, que me cobriram com restos de chão, que me afagaram os cabelos quando ainda eram fios, que me acariciaram os pés, que já não caminhavam sós. Pois não ando bem. Por aqui, mesmo no leito termal das passagens, mantenho-me aprisionado por estofamentos confortantes. Talvez o repouso acolchoado amortize a culpa de quem me fez adormecer. Despertar-me aqui, no entanto, é selar minha dívida terrena. Alastrou-se em mim o medo em não ter culpa, um temor quase regozijante: vivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O céu de raízes tortas. A água barrenta dos choros. Debruçaram-me ainda quando estava morto. Hoje sementes: sentimentos crus. Troncos fétidos, pedras, estrelas. A angústia claustrofóbica em não ser: ter sido. Esmurro as paredes madeiriças, não há força, não há saída, não houve, por isso estou onde estou, enjaulado dentro de mim. Escapei-me. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às recordações retorno em pensamento. Correntes de ar ficam de fora. Ventanias antes do ritual sem cerimônia. Vestidos esvoaçados, paletós escuros, rostos iguais. À bombordo, quem me traiu. À estibordo, os que decepcionei. Estátuas em cima dos que estão acima de mim, perambulando pelas alamedas. Fiz-me convés e naufraguei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Terra à vista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-8599884632398759593?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/8599884632398759593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/08/passagens.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8599884632398759593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8599884632398759593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/08/passagens.html' title='Passagens'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-9005121627845269269</id><published>2010-08-10T08:46:00.005-07:00</published><updated>2010-08-10T15:00:14.966-07:00</updated><title type='text'>Fugitivos</title><content type='html'>Não é possível que se possa matar uma pessoa tantas vezes. &lt;br /&gt;
Além do corpo, da alma e da memória, a fuga de assassinos como Zeu só reforça o que todos sabem: crime hediondo é crime! Também exuma-se o respeito?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não pode! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa ditadura judiciária, essa consternação social, uma procrastinação política e burocrática de governantes que administram, mas não governam: assistem a espetáculos midiáticos com apelos à opinião pública. Andamos em círculos e cavamos não só a nossa, mas a cova de quem já estava morto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que&amp;nbsp;vergonha. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devemos lutar por mudanças de quem legisla e não da lei.&amp;nbsp;É preciso mudar o homem. Não aguento mais essa complascência promíscua, essa falta de dignidade moral, mas que "cabe na legalidade".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Francamente...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A&amp;nbsp;lei é inanimada, mas tem mais vida de que&amp;nbsp;quem morre por ela. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou dos que&amp;nbsp;vivem de seus favores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-9005121627845269269?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/9005121627845269269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/08/fugitivos.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/9005121627845269269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/9005121627845269269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/08/fugitivos.html' title='Fugitivos'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-808440629574812452</id><published>2010-07-18T19:40:00.003-07:00</published><updated>2010-07-18T19:45:18.812-07:00</updated><title type='text'>Sentidos</title><content type='html'>&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;Passo firme. Sapatos lustrados, camisa engomada e respiração apressada. Calçada. O movimento dos braços uniforme, buscando equilíbrio no espaço, esquivando o corpo das crianças e das senhoras do bairro. Os carros espreguiçavam-se pelas ruas mal asfaltadas, esburacadas e carcomidas pelo peso dos caminhões e por outras tantas máquinas industriais motorizadas. Havia cavalos soltos no terreno ao lado da casa, mas não chegavam a ultrapassar as cercas.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;Era curioso como também havia tantos outros mundos naquele mesmo momento, tantas pessoas que também não ousariam cruzar os limites de ruas e avenidas. A vertigem que sentia ao caminhar para o escritório misturava-se às lembranças sem idade. Passava pelas vielas silenciosas e reparava com olhar minucioso os casebres vazios, os muros triscados, e pensava, chegava a murmurar para si, ali seria infeliz, naquela varanda choraria seus amores, naquele portão esperaria um sinal dela, naquela janela ela o veria vulnerável, ele a desvendaria por inúmeras noites, ela se entregaria por uma única vez. E mudava o rumo do pensamento sem mudar a direção da caminhada. Estava indo para o trabalho, mas dava voltas pela memória.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;u2:p&gt;&lt;/u2:p&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;Lembrava das histórias contadas por seu tio. Quando ele e seu pai eram meninos, costumavam ir para a fazenda. A entrada da fazenda, o cheiro da fazenda, os portões, os currais e as histórias. Rapidamente voltou a si e continuou o processo contínuo de esticar a perna direita marcando o chão com o pé direito, pousando levemente, mas com determinação o calcanhar, seguidamente da sola grossa, e por fim o dedão, todo esse corpo de apoio envolto por um pedaço de algodão branco, enfiado num sapato de couro preto, lustrado, mas gasto e impreciso. Como o tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;u2:p&gt;&lt;/u2:p&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;As hastes dos óculos escorregavam pelo nariz. Ônibus enfurecidos zuniam pelas ruas no sentido contrário de seu destino. Saudades dos almoços de domingo na casa da avó. Semana que vem vou viajar. Hoje não. Essa música sempre toca quando eu passo por aqui. Controlo meus passos. Se pudesse, leria agora aquele capítulo que deveria ler à noite. Meu controle-remoto pifou, faz tempo que não escrevo, hoje eu corri, mas agora até o fim do ano ainda falta muito. Vou ouvir de novo essa música que não prestei atenção na parte que mais gosto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;u2:p&gt;&lt;/u2:p&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;Quantas vezes preciso rebobinar o filme para recuperar um frase que não ouvi, ou uma legenda que passou muito rápido. Umas cinco, dez vezes. Às vezes, eu até entendi o que foi dito, provavelmente em inglês, mas eu quero entender qual a lógica adotada pelo tradutor, então eu leio duas legendas em vez de uma, o que me confunde, o que me faz rever a cena, o que me permite reparar no que não vi – ou no que vi, mas não reparei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;u2:p&gt;&lt;/u2:p&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;Garrafas quebradas. Despachos. Pedras e limo. Voltam à cabeças dezenas de imagens da cachoeira e do rio. Da praia. Dos mergulhos. Minha barba está grande, o bigode ultrapassou meus lábios, outras palavras me fugiram, outras voltaram, e há as que ainda não vieram: ficaram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;u2:p&gt;&lt;/u2:p&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;Assisto a filmes no mudo, minha cabeça gira a mil: cem metros nem rasos nem profundos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;Mas precisos como meus passos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-808440629574812452?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/808440629574812452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/07/sentidos_1293.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/808440629574812452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/808440629574812452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/07/sentidos_1293.html' title='Sentidos'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-5175370789495959499</id><published>2010-06-02T11:59:00.005-07:00</published><updated>2010-06-02T12:15:14.065-07:00</updated><title type='text'>Oito</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Datas e nomes. Faz-se assim a memória do povo. Sofrido e injustiçado, sentindo na pele as agruras do tempo e do espaço. Oito anos sem Tim Lopes. Percebe-se que, no período após o assassinato brutal do jornalista e depois de outros assassinatos na cidade e no país, a sociedade ainda não definiu qual direção tomar em relação aos direitos humanos, estes, sim, inafiançáveis sob qualquer perspectiva. Acredito veementemente que a justiça é cega. E é na escuridão do equilíbrio e no clarão da razão que, percebe-se, a justiça também é surda. Oito anos sem Tim Lopes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;   &lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;   &lt;br /&gt;
A progressão do regime para crimes hediondos. A frase, por si só, não mereceria que fossem tecidos sequer comentários ou ensaios. Qualquer crime contra a vida, para não citar (ainda) outros, é hediondo. Oito anos sem Tim Lopes. Além do repórter, outras pessoas de bem também foram brutalmente assassinadas. Famílias, dilaceradas. Dor. Assassinato, tortura ou qualquer outra violência física premeditada (ou não) devem ser considerados crimes graves e sem direito à fiança. Mas já o são! – ponderariam uns. O que é preciso é mudar as leis - diriam outros. Ainda: se não houver mudanças no Legislativo, qual crítica a aplicar-se ao Judiciário? – concluiriam os que ponderaram. Pois bem. Dai a César o que é de César. E a César o que é de Deus. O que é do povo. Oito anos sem Tim Lopes. A sociedade, principalmente a juventude, tem nas mãos o poder da mudança, mas não constrói a mudança do poder. Sofremos um tipo de preguiça social. Cobrar dos administradores públicos e autoridades é dever do cidadão, mas também é obrigação dele exigir a aplicação da lei. Oito anos sem Tim Lopes. Só queremos que a pena dada a assassinos frios seja cumprida. Queremos que os réus sejam culpados e sejam punidos. Mas agora, inacreditavelmente, temos que querer o (não mais) óbvio: que o preso fique preso. A progressão do regime só é discutida após fugirem os beneficiados. Os assassinos. Os torturadores. Os condenados. Contrariando o ditado: só a depois da porta arrombada é que coloca-se o cadeado? Não temos cadeados.&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
Oito anos sem Tim Lopes. E o que se não falou até agora, é que o benefício da progressão encoraja, ainda que veladamente, bandidos a cometerem crimes de maior violência. Financiamos a consciência do criminoso, instruímos o bandido a “melhor” maneira de praticar um delito na medida em que os amparamos com advogados que, pelo argumento do protocolo do ofício, lhe garantem o direito de defesa. Os praticantes de crimes hediondos, com aquele raciocínio típico (sim, eles raciocinam mais do pensam): se for me sujar, não será por pouco. Porque o ladrão de galinhas, ao ser preso, é julgado e condenado. Cumpra-se a lei. Já o ladrão de vidas é preso, julgado e condenado. Oito anos sem Tim Lopes. Depois segue o caminho inverso: é condenado, novamente julgado e solto. Por bom comportamento. Quer dizer, bom só depois de ser preso. Então, para andar livremente pelas ruas, o golpe é praticar um crime (hediondo, para não deixar dúvida), fugir, manter-se no anonimato, ser preso, daí a ser julgado novamente, condenado, daí a portar-se bem e ser beneficiado pela progressão de regime: o semi-aberto ou a liberdade condicional. Aí, vai e não volta. Aí, denuncia-se pela imprensa. Depois da denúncia - mas antes do esquecimento – o condenado é recapturado, julgado, condenado (mais uma vez) e preso: escreverei essas mesmas palavras, andarei pelos mesmos círculos? A tontura social casa e desnorteia. Oito anos sem Tim Lopes. Sigamos em frente, pai.&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
Quando alguém&amp;nbsp;é&amp;nbsp;assassinado, seus amigos e familiares também morrem. Não a morte física. Nem toda morte violenta é física. Mas a lembrança e a saudade são mortes diárias, lentas: são feridas. Quando parte de nós morre, aos poucos, mesmo com a superação do trauma – e nunca o esquecimento – o sofrimento fortalece. Mas quando algum assassino é solto, ou como se prefere dizer, é beneficiado pela progressão de regime, familiares e amigos da vítima sofrem, mais uma vez, (e todas as outras que vieram antes, por conta do sopro das recordações) e, estes sim, voltam às prisões do tempo: o medo. A dor. Somos condenados eternamente a vivermos sob revolta e tristeza, acompanhando sempre a gangorra de processos, recursos e revisões. Uma lavagem cerebral eterna, com mergulhos no passado sofrido, que dói, que fere: que não acaba nunca. Somos sacudidos pela fúria da nossa dor, somos resumidos a réus, promotores e juízes. Não temos defesa. Presenciamos condenações rigorosas, mas a lei é condenável. São muitos julgamentos e pouco(s) caso(s).&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
Tim Lopes foi assassinado e sua morte abriu uma ferida na sociedade, na imprensa e na administração pública. Repercussão internacional. Repercussão eterna. Um divisor de águas na maneira de se cobrir a violência em grandes centros urbanos, afastados socialmente das periferias, mas bem próximos geograficamente. A partir de sua morte soubemos ao que gente de bem, que mora em favela, é submetida. Soubemos como o jornalista foi (pode ser) afrontado. Uma tentativa de calar a imprensa: de calar o povo. E é o povo que deve espernear e brigar contra a progressão de regime em casos de crimes hediondos. Oito anos sem Tim Lopes. O que se protesta e pleiteia é que a lei seja cumprida, que a lei valha, também (e principalmente), depois da condenação:que a lei valha depois da condenação. Porque a condenação vale é por causa da lei. Mas no Brasil a lei tem validade, ela expira. A lei serve para condenar o réu, mas não mantém o réu preso. Isso não consta nos autos.&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
Vivemos num regime de progressões – e não numa progressão de regimes. Cometer crime, hoje em dia, é quase um deslize, uma falta de sorte. Uma lástima. Quase precisamos pedir desculpas por termos sofrido algum tipo de violência em nossa família e ainda precisamos sofrer outro tipo de violência, a surda, que nos esbofeteia a cara com o benefício da progressão de regime a assassinos, a redução da pena e, consequentemente, a estagnação do processo. A mobilização para a mudança na lei começa onde termina a última frase do jornal. Não saímos do lugar, mas reclamamos da nossa posição. Falta tempo ou espaço? Precisamos fazer alguma coisa.&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Oito anos sem Tim Lopes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-5175370789495959499?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/5175370789495959499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/06/oito.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/5175370789495959499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/5175370789495959499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/06/oito.html' title='Oito'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-2173182438736063484</id><published>2010-05-28T09:37:00.009-07:00</published><updated>2010-06-02T12:01:42.988-07:00</updated><title type='text'>Segundas</title><content type='html'>Marquês de São Vicente;&lt;br /&gt;
Quatro, três, dois:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Padre Leonel Franca, Visconde de Albuquerque, Ataulfo de Paiva e Visconde de&amp;nbsp;Pirajá;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gomes Carneiro, Francisco Sá, Nossa Senhora de Copacabana e Princesa Isabel; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lauro Sodré, Venceslau Brás, Pasteur e Pedro Álvares Cabral:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Praia de Botafogo;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Santiago Dantas, Pinheiro Machado, Ipiranga e Laranjeiras; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Santa Bárbara, Catumbi, Salvador de Sá e Estácio de Sá: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
João Paulo I, Doutor Satamini, Professor Gabizo e Mata Machado: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maracanã; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Varnhagem: Felipe Camarão e Boulevard; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Barão de Drummond, Visconde de Santa Isabel e Mendes Tavares:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Barão de São Francisco: Trabalhador&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Renascença&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Samba&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Clube&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-2173182438736063484?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/2173182438736063484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/05/segundas.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/2173182438736063484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/2173182438736063484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/05/segundas.html' title='Segundas'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-4334658165955042285</id><published>2010-05-04T06:45:00.007-07:00</published><updated>2010-05-04T06:53:21.912-07:00</updated><title type='text'>Repetidas</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;As pernas cruzadas, sentado no chão. Coluna em curva acentuada, tapete forrado de papéis autocolantes, um carpete de escudos e uniformes. Movimento contínuo de olhos, mãos e caneta. Acerta-se a postura, estica-se uma, depois a outra perna: todas dormentes. Pequenos pacotes vermelhos que trazem perfis, que trazem nações: que trazem homens. Figurinhas são espelhos de espelhos, ali me vejo porque também me enxergo: figurinhas são poços sem fundo, de desejos. Ir à banca com moedas e voltar com sorrisos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tenho, tenho, tenho: não tenho. Mergulhei na infância simplesmente ao atravessar a rua e nadar até a banca, um pedaço de metal cercado de calçada por todos os lados. Outros metais redondos, sacados do bolso da bermuda, me fizeram embarcar num passado distante e recente. Colecionar recordações, álbum de infância, mas não de família. Entregar as moedas na mão do jornaleiro, esperar, ansioso, a troca patrocinada: pacotinhos brilhantes, estalando de novos, grudados uns nos outros. Um maço de jogadores e pátrias. Um caderno de nações e times, um livro ilustrado de títulos e eu me procurando na memória. Onde estava há quatro, oito, doze anos?&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abrir os pequenos envelopes vermelhos, como se fossem correspondências dos próprios jogadores. Rasgos no topo papel. Rostos desconhecidos e familiares, cores diferentes – de jogadores e bandeiras – e palcos de grama. Separo, portanto, todas as figurinhas pela ordem das centenas. Pernas cruzadas, coluna torta, pescoço duro: figurinhas repetidas.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Casa dos cem, duzentos, trezentos, quatrocentos. Casa dos seiscentos. Não agüento mais tirar o mexicano. Guardado? Quando chegar junho não vou suportar ouvir o nome deste jogador, certamente estará guardado na lembrança da troca, porque já consegui quem faltava oferecendo sua cara marcada por outra que sequer tivesse visto. Separadas as figurinhas das centenas, como se escolhesse feijões, agora a organização é por times, por seleções. E por emblemas.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lembrei do filho de uma querida amiga, que, ora vejam, colou todos os jogadores argentinos de cabeça para baixo. Preocupada com a distração da criança, a mãe alertou: “filho, presta atenção! Você colou as figurinhas da seleção argentina todas erradas! Estão trocadas. E agora?” O filho, do alto de seus seis anos, explicou: “Não, mamãe. Colei certo. Fiz assim pra dá azar pra eles!” A gargalhada foi geral. Ponto pro Brasil.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seleções definidas, hora de colar as figurinhas. Lembro de outra coisa: são autocolantes. Eu, que sempre não levei jeito para colagens e afins, obviamente confundi jogadores, troquei nomes, inverti placares. Mas nada perto de outros tempos, quando era necessário um tubo de cola Polar - ou Pritt – para grudar os rostos no álbum. Fazia uma lambança geral, exagerava na cola, molhava toda a página e o verso, atrapalhando a colagem de outra figurinha de outra seleção. Corria para o recreio, há vinte anos, e com o papel de caderno e uma caneta em punho, catava bolinhos de gente com bolinhos de repetidas. Tenho, tenho: não tenho! E que raiva daqueles que – sempre houve – acabavam rapidamente e completavam o caderno de jogadores antes de todos e batiam no peito pelo feito. Esses ainda existem.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colecionar figurinhas me permitiu uma viagem no tempo. Para quem pensa que é besteira, coisa de criança: ainda bem! Para quem está revivendo o passado, para quem vai à praça no centro da cidade para, especificamente, trocar figurinhas: que bom! E para quem não faz uma coisa nem outra: que pena.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E me recordo quando ganhava figurinhas jogando bafo. Lamber a palma da mão ou colar chiclete, não importava, o negócio era conseguir quem não tinha, o lance era conquistar um pequeno campeonato em virtude de outro, muito maior. A copa do mundo das crianças nunca termina. O homem maduro é um álbum de lembranças, vitórias e derrotas.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Figurinhas repetidas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-4334658165955042285?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/4334658165955042285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/05/as-pernas-cruzadas-sentado-no-chao.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4334658165955042285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4334658165955042285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/05/as-pernas-cruzadas-sentado-no-chao.html' title='Repetidas'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-6176015112615899265</id><published>2010-04-09T13:17:00.002-07:00</published><updated>2010-04-11T17:04:46.636-07:00</updated><title type='text'>Escombros</title><content type='html'>De repente, breu. Pedaços de concreto caíram sobre mim, mas por uma matemática da sorte, eram grandes, eram enormes, e por isso não me caíram sobre a cabeça. Mas desmoronaram sobre meus sonhos. Tenhos os pés presos e as mãos imobilizadas. Respiro terra e aspiro luz. Ouço vozes de quem? A água penetra pelas fendas dos escombros, a chuva não desiste, e penso porque não se dá o troco, porque não chove terra pra cima. Rastejo pelo chão de tijolos quebrados e vergalhões enferrujados. Não eram vozes, eram roncos de máquinas. E essas máquinas funcionam como parteiras, pois me dão à luz pela segunda vez na vida. Não imaginava que parafernálias feitas para destruir construções serviriam para me trazer a vida – mais uma vez. Sobrevivo com goles de esperança, a conta gotas, quando me abrem espaço entre pedras maiores, telhados despedaçados e janelas que não abrem mais. Cortinas que se fecham .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há tempo. Silêncio. Rápido. É preciso pisar leve sobre o monte de terra. O monte de lama. De lixo. É preciso sutileza para pisar sobre gentes. Nunca tinha visto avalanche de corpos invisíveis e seus destroços. É complicado passar pelas mães sem filhos. É difícil passar pelas mães com filhos. Mas no percurso da tragédia, não há diferença. Escavar a terra em busca de esperança. Quantos enterros serão necessários para a mesma pessoa? Perde-se tudo. Meu trabalho é importante, volto à realidade, não posso emocionar-me. Não aqui. E continuo a caminhada pelos escombros, pedaços de concreto, lajes quase inteiras no chão, terraços debaixo da terra. A vista de onde estou é cega, não há sentido na dor. Não há equilíbrio ao passo que vejo mãos pra fora do chão, pernas para dentro do solo, metade de pessoas embaixo da terra, metade no pé do morro. É triste olhar de cima e ver todos os parentes, vizinhos, rostos aflitos esperando por milagres. O céu tem cor de lama e não há chão que suporte o cheiro de morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha força arrebenta tudo que vem pela frente. Aliás, tudo que está na minha frente, porque quem vem, sou eu. Arrasto árvores, construções e crianças. Permito que alguns escapem, mas minha língua úmida e ácida não poupa nem infâncias nem velhices: desconstrói vidas. E durante a enxurrada humana, ouço gritos abafados. O calor da terra me queima o corpo, mas nem por isso deixarei de escorrer minhas lágrimas salgadas: eu broto das nuvens carregadas pelas previsões. Profecias. Ao descompor-me em relâmpagos líquidos, parto em raios a insatisfação da natureza: enterro vivos os vivos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao descarregar-me do alto, me distribuo em lascas d´água sobre os amontoados de terra e lixo. Deslizo entre raízes mortas e troncos podres. As pedras, prestes a desfilarem sem ordem morro a baixo, me impedem de transportá-las pelo curso da previsão: imprevisto, portanto. O cheiro de lixo e o gosto da terra atravessam corpos soterrados pelo susto, atropelados pela dor: abandonados pela vida. O pouso do céu em pistas verticais destroça lares e famílias. Corações sujos de lama. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Feridas nos braços e pernas. Rosto empoeirado pelo cimento seco. Ossos quebrados, sei porque os sinto. Mãos dormentes, sei porque não as sinto. Ouço pedidos de silêncio sobre mim, mas não ouço silêncio. O que sobra aos ouvidos são estalos de estruturas e o córrego de lixo flutuante. Chove novamente, mas espero que pisem por aqui, espero que me achem, espero que eu me ache, porque me perdi na escuridão dos escombros. Árvores envelhecidas pela água podre, desprendidas do solo, cambaleiam pelo barranco onde antes fiz meu lar, porque não tinha onde morar. Habito, portanto, outras vidas dentro da minha, que são meus filhos. Não sei onde estão. Não sei, mas sei que os sinto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Anos de trabalho, por isso escolhi salvar vidas. Meu suor da testa impede que a chuva nos vença. São águas diferentes, mas comigo caminham de mãos dadas. É difícil esperar que essas aranhas metálicas gigantes, que chamam de escavadeiras, localizem vidas. Aqui do alto, em cima de uma delas, sou um pescador humano. Procuro pelo mar de lama, em meio à ressaca, com o olhar atento e triste, alguém que esteja mergulhado entre lajes e concreto. As pás dessa parafernália servem como anzóis de esperança, enferrujados pela cachoeira dos céus, mas que podem fisgar corpos quase vivos – ou quase mortos. Minha profissão serve para curar feridas do homem causadas pelo homem. Ferir-se é especialidade humana. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Culpa da natureza?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-6176015112615899265?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/6176015112615899265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/04/escombros.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6176015112615899265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6176015112615899265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/04/escombros.html' title='Escombros'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-3630945402238068808</id><published>2010-03-23T12:49:00.023-07:00</published><updated>2010-03-24T06:58:01.758-07:00</updated><title type='text'>Nascimentos</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim quando a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos."&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;em&gt;- Gabriel García-Márquez em "O Amor nos Tempos do Cólera"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;(para Braz Silva)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;O primeiro dia que entrei numa redação de jornal foi diferente do primeiro dia que entrei numa redação de televisão. Não pela idade, porque todos somos crianças quando fazemos uma coisa pela primeira vez. Mas era novo quando me abriram as portas daquela sala imensa, hoje localizada num prédio abandonado na zona portuária da cidade. Reparei logo naquelas pessoas que corriam por entre as baias e máquinas de escrever. Todos tinham cara de sono. Era um domingo. Tinha jogo no Maracanã. Esperava sentado na cadeira, com uma esferográfica na mão, e rabiscava matérias fingindo ser repórter. Do outro lado da redação, via meu pai gesticulando numa roda próxima ao café. Eu continuava a escrever rabiscos. Percebi depois que teria mais graça datilografar do que escrever à mão, mas, ora, tinha que aproveitar a oportunidade: aprender a escrever com gestos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Anos mais tarde, conheci o Braz Silva. Foi o segundo primeiro dia que entrei numa redação. Era um homenzarrão, devia estar com mais de setenta anos, mulato, voz firme e sorriso vazio. Coçava a cabeça quando não estava certo de alguma coisa. Mas quando tinha certeza de outra, levantava e abaixava a cabeça lentamente, fechando brevemente os olhos e abrindo um pouco a boca, projetando levemente o queixo para frente, com os óculos de lentes grossas deslizando pelo nariz, como se a serenidade escapasse por entre os poucos dentes. Alô, alô, câmbio. Respondia assim aos chamados de quem conversasse com ele por entre ondas sonoras. Não esqueceria nunca daquele dia, uma sexta-feira, quando debutei numa sala de polícia de redação, para uns, escuta, para outros, apuração. Para todos: profissão. A falta de sintonia dos rádios, as pequeninas televisões aos berros, as maiores mudas, as pessoas correndo por entre as baias e computadores, não mais máquinas de escrever. Se bem que computadores não deixam de ser máquinas - que não deixam de escrever. Peguei a primeira esferográfica que encontrei e deixei a que trouxe de casa na pasta, porque não tinha graça escrever de casa, escrever com a casa nas mãos, que ali era a caneta, e rabisquei qualquer coisa fingindo ser repórter. Fingindo ser criança. Do outro lado da redação, não via meu pai gesticulando numa roda próxima ao café. Mas eu continuei a escrever qualquer coisa, liguei a máquina de escrever que agora chamava-se de computador. As pessoas que corriam por entre as baias também tinham cara de sono. Mas eram outras pessoas, eram outros tempos. Era outro, mas não deixava de ser eu.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Descemos e fomos almoçar no refeitório do jornal. Vazio. O barulho dos metais percorria o salão das refeições enquanto meus olhos percorriam as paredes do salão, enquanto meus ouvidos prestavam atenção em tudo que eu não podia ver. As bandeijas eram pequenas e honestas, os talheres desafinados mas limpos, nem tão limpos. Mas cortavam a carne. O pão dormido e as pessoas com cara de sono. Antes de ter tempo para lembrar, meu pai brincou comigo ao perguntar se aquele almoço matinal não me lembrava os almoços do colégio. Não pelo horário, porque todos almoçamos cedo quando crianças. Mas, pela segunda vez na vida, e não haveria de ter outras oportunidades, eu matava a fome na bandeija. Meu pai me disse que durante sua infância ele matava a fome com sonhos e comida. Então percebi que comer é caminhar para alcançarmos a nós mesmos. Aos nossos sonhos. Porque todos somos crianças quando fazemos uma coisa pela primeira vez. Percebi que estudava em dois colégios.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Eu gostava de chegar mais cedo para conversar com o Braz. Na verdade, ele saía quando eu entrava, eu era sua rendição. Então, gostava de chegar mais cedo por dois motivos: para conversar com o Braz e para rendê-lo. Mas funcionava bem o esquema, um iniciante na profissão e um veterano de guerra, com perdão do trocadilho. Ele me relatava resumidamente o que tinha se passado de madrugada. Mas tinha o costume também de relatar o que não tinha acontecido na mesma madrugada. Com detalhes. E quando me contava o que ainda iria acontecer, não necessariamente na madrugada, era quando eu entrava &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;personname productid="em pânico. Braz" w:st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;em pânico. Braz&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt; me tranquilizava, dizendo que as coisas sempre acontecem, mesmo que a gente não saiba. E quando ninguém sabe de nada, não necessariamente na madrugada, dificilmente algo acontece. Perguntou-me se eu tinha entendido. Dizia que sim, para que continuasse a conversa. Se dissesse que não, poderia perder a paciência ou deixar o assunto de lado. As pessoas costumam fazer assim. Dizem que entendem para seguir viagem. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Para todos os efeitos, algumas previsões do sábio repórter se davam, outras também. Nunca errava. O que me chamava mais atenção era sua tranquilidade diante das mortes que apurava, dos crimes que escrevia, mesmo contaminado pelos berros dos que tinham cara de sono, pelo barulho covarde das televisões sintonizadas no mesmo canal, como se vivêssemos numa dieta intelectual rígida. Sua serenidade em desligar-se da fábrica sem deixar de finalizar o produto. Era outra pessoa de outro tempo. Mas eu também era outro, mesmo sem deixar de ser eu.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Arroz, legumes pálidos&amp;nbsp;e um pedaço de carne. Refrigerante não havia, apenas suco, ou melhor, como costumava dizer meu pai: refresco. Suco é natural. Levou tinta, é refresco, mermão. Tudo bem. Voltemos à bandeija, aos talheres, ao salão. À refeição. Despreocupadamente terminava o almoço, lembro que demorei a comer para observar os outros que estavam comendo, prestava atenção às conversas nas mesas. Não cheguei a calcular o tempo que levava&amp;nbsp;o trajeto da comida à boca, porque o garfo servia também&amp;nbsp;como caneta, não porque escrevia com aqueles dentes metálicos, mas porque anotava com meu gesto, premeditadamente ensaiado, todo os movimentos ao redor da mesa, enquanto meu pai reparava que eu reparava tudo a meu redor. E ainda: ele percebia que eu disfarçava minha curiosidade inventando velhos hábitos à mesa. Novos hábitos, portanto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Certa vez, décadas atrás, Braz trabalhava num jornal de pequena expressão. Naquele tempo, eram poucas as redações que dispunham de carros de reportagem. A Baixada Fluminense era, toda, uma cidade imensa. Erma. Uma cidade que tinha várias cidades dentro. Os repórteres de polícia costumavam&amp;nbsp;caçar matérias em lugares afastados do centro urbano, talvez por isso a cidade das cidades tivesse sempre casos interessantes. Os jornalistas, portanto, combinavam um horário e dividiam um táxi a caminho da metrópole suburbana dos casos policiais. Quatro jornalistas. Quatro histórias. Um táxi. Era jogo, porque o repórter saía da redação sem nada, apurava uma matéria e voltava com outras três. Naquele dia, ao desembarcarem em Queimados, não lembrava ao certo, Braz e seus colegas de outros jornais, se dividiram pela região. Percorreram algumas favelas e delegacias. Ouviram. Anotaram. Perguntaram de novo. Anotaram. Fim do dia, ponto de encontro, outro táxi para quatro veículos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Acomodaram-se nos bancos e começaram a trocar informações durante o trajeto de volta ao centro. Um a um, os repórteres se valiam de seus feitos, vangloriavam-se de suas apurações: “Fiz um homicídio de uma mulher! Tenho todos os detalhes!” ou “Aquela chacina foi boa, uma família inteira, rapaz. Mas a mãe não quis me receber, disse que tinha medo.” Ou ainda: “não consegui nada de bom, só um assaltozinho na padaria, não dá pra muita coisa...”. Mas não houve melhor: “Ih, mais um estupro. Toda vez que venho aqui, faço unzinho. Juntando com os últimos, dá pra fazer render. Já imagino a manchete...” e risadas e mais risadas. Foi quando o motorista do táxi, aflito e temeroso com os primeiros casos, não teve mais dúvida da corja que transportava em seu veículo, comprado com dinheiro honesto, e, tremendo de medo e apavorado com o que poderia acontecer consigo, afundou o pé no acelerador e tomou uma reta sem freios. O carro invadiu a delegacia da beira da estrada, na saída de Queimados, e o motorista saiu do táxi pedindo ajuda, chorando, nervoso, desesperado, implorando para que alguém intervisse, que estava com quatro assassinos, com quatro maníacos, quatro criminosos. Quatro histórias. Um táxi . O delegado do distrito, ao sair para ver a confusão, reconheceu os jornalistas e bradou: “quanto tempo, rapaziada?! Já querem minha ajuda? Qual foi o crime dessa vez?”&amp;nbsp;O taxista, desnorteado, e pasmo pelo que acabara de ouvir do policial, virou-se para o delegado: “não é possível! até o senhor, doutor?!”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Os domingos com meu pai eram sempre os mesmos. Ainda bem. Depois do almoço, tinha jogo. Antes também. Chegar na redação era clássico. Depois do bandeijão do prédio hoje antigo, tinha almoço em outras redações. Não fui a muitas, mas apenas duas foram as primeiras. A minha profissão tem vários inícios, muitos meios. A minha profissão tem fins.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;O primeiro dia que entrei numa redação de jornal foi diferente do primeiro dia em que nasci. Não pela idade, porque todos somos crianças quando fazemos uma coisa pela primeira vez.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-3630945402238068808?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/3630945402238068808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/03/nascimentos.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/3630945402238068808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/3630945402238068808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/03/nascimentos.html' title='Nascimentos'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-8231358187147268464</id><published>2010-02-18T19:49:00.007-08:00</published><updated>2010-02-20T19:56:58.750-08:00</updated><title type='text'>Sólidos</title><content type='html'>O vento quente lhe queimou a fronte e o calor era tanto que suas pupilas arderam sem trégua. Não adiantou esfregar as pálpebras, mas também não adiantaria mais, pois as solas dos pés em carne-viva lhe tiraram o refresco das cascas que se fizeram perto dos calcanhares e dedões. O pescoço ardia como tivesse sido incinerado por chamas imaginárias da cachaça, chegou a pensar que tinha derramado a aguardente na nuca por descuido, mas viu que estava sem ação, deitado sobre uma frigideira gigante, com a pele grudada na superfície fervida pelo sol.&amp;nbsp;A boca ferida pela brasa ainda doía, mas o vapor do asfalto quente e o&amp;nbsp;suor da testa lhe condensavam qualquer raciocínio e lhe cegavam a razão, se&amp;nbsp;é que ainda havia,&amp;nbsp;de modo que só depois de intermináveis segundos deu-se conta que havia desmaiado no meio da rua. Estava esparramado no chão e todos em volta lhe chamavam&amp;nbsp;bêbado e vagabundo, além de lhe&amp;nbsp;apontantarem dedos, e foi castigado com uma saraivada de cuspes, xingamentos e pontapés.&amp;nbsp;Vivia a solidão do tumulto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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Os pequenos ferimentos nos joelhos e canelas não lhe tiravam a força das pernas. Eram finas, mas fortes: eram sólidas. As veias saltavam na pele queimada de seu corpo castigado pela miséria. Dobrava o indicador e batia na porta de restaurantes e botequins à espera da sobra. Era quando abria aflito a embalagem de papel laminado, catando pedaços de carne com as mãos, dobrando o papelão que antes serviu de tampa, transformando-o numa colher de papel, olhando rapidamente para esquerda e para direita, à espreita de não se sabe o quê, mas ele sabia, ora, então não importava que não soubessem outros. O saco de lixo se abre e do fundo surge a garrafa de água mineral com outro líquido dentro. A fumaça espessa do cigarro&amp;nbsp;aceso e&amp;nbsp;barato&amp;nbsp;arrematava o ritual com o gole curto da cachaça envelhecida pelos bueiros, e não tonéis, mas&amp;nbsp;ambas deterioradas pelo tempo. Morriam três fomes.&lt;br /&gt;
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Os pés descalços caminhavam entre cacos e farpas e sentia na sola grossa os calores do sol e da terra. A água suja e escura das poças intermináveis dos asfaltos lhe aliviava a pele maltratada pelas pedras das calçadas. O rosto sujo afastava quem passasse, mas gostava disso,&amp;nbsp;pois seus dentes podres não lhe permitiam viver de fome, por isso bebia sonhos engarrafados. &lt;br /&gt;
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Vagava pelas ruas, equilibrando-se em postes e canteiros, ao passo que tropeçava sempre no saco plástico onde levava a aguardente e restos de jornais velhos. Carregava a vida nos ombros. Dormia em qualquer canto, debaixo da marquise mais vazia, com menos gente como ele, quantas pontes não lhe serviram de teto e quantos caixotes não lhe serviram de mesa. Quantos sonhos não lhe serviram de chão? Tragava mais uma e&amp;nbsp;limpava a boca com as costas da mão, depois de grunhir alguma coisa, e o riso fabricado pela cachaça lhe rompia a boca ferida pela brasa da guimba. Costumava adormecer bêbado com o cigarro aceso, por isso fumava dormindo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
Lembrou dos pedaços de serpentina, das&amp;nbsp;tintas borradas no rosto e&amp;nbsp;confetes feito chuva de cores. Mas&amp;nbsp;permanecia vencido&amp;nbsp;no chão. Trapos, latas e sacos plásticos. Lenços, chapéus e véus, perucas desfiadas pelo calor. Camisas rasgadas e sorrisos também. Os galhos das árvores do parque eram seus cabides. Estirados ficavam apenas os lençóis imundos e dilacerados por causa das disputas pela sombra. Então seus olhos&amp;nbsp;se perderam&amp;nbsp;no fim da tarde porque não sabia mais qual dia terminava e qual estava para começar, diferença portanto não fazia mais,&amp;nbsp;então olhou as estrelas que mais pareciam confetes de luz, como nos carnavais que viveu até ali.&amp;nbsp;E não esqueceria nunca&amp;nbsp;quando lhe disseram que sua vida era uma fantasia. Suas vestes e seu bafo, seu cheiro de morto, seu sorriso triste e sincero, seu peito ferido e seu corpo abandonado. O passado&amp;nbsp;era sólido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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Por isso não tinha sonhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-8231358187147268464?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/8231358187147268464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/02/solidos.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8231358187147268464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8231358187147268464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/02/solidos.html' title='Sólidos'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-8816402869865659514</id><published>2010-02-02T08:02:00.002-08:00</published><updated>2010-02-23T11:13:44.066-08:00</updated><title type='text'>Líquidos</title><content type='html'>Soslaiando as moças que desfilam pelo calçadão – para isso que servem os óculos de sol – um pingo salgado percorre a testa e me lubrifica os olhos curiosos do calor. Percebo, mas permito que a gota de sal adocicada pela luz siga seu trajeto pela maçã do rosto. Outras gotículas de mim surgem entre o nariz e boca, quase uma lágrima de verão, um sofrimento voluntário ao que me submeto nesta época do ano. Padecer no paraíso, não: é regozijar-se no inferno. Uma cachaça!&lt;br /&gt;
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Sola do pé na areia quente, bombas e mangueiras espirrando água de algum lugar, caminho obrigatório para quem busca outro líquido salgado, desta vez o mar. Ondas de calor, outras do oceano, uma pororoca de temperaturas, outra de temperamentos. Cadeiras enfileiradas, barracas escondendo gente escondida da lua quente, cerveja gelada, mate e limão, mais suor descendo pelas axilas a caminho das costelas, água engarrafada, nuvens acovardadas pela falta de vento, mais suco de cevada, estalando os beiços de satisfação, um prazer desmedido, medido pela bexiga, outro líquido se forma ali. A língua absorve os gelados liquefeitos, mas a saliva desaparece, então como resolver a boca seca, como saber a saída, se a entrada do calor é incessantemente desesperadora. Não adianta descobrir soluções líquidas, no verão engolimos sapos, e os verões nos engolem inteiros. A cabeça fervida vagarosamente, quantos sangues se misturam, o quente da impaciência, o frio da intolerância, quando chegam os fevereiros, antes e depois da carne. Talvez por isso tenha apenas vinte oito dias, porque nunca se soube porquê no segundo mês do ano cabem tantos dias intermináveis, que passam de hora em hora. O Rio de Janeiro deveria, também, chamar-se Mar de Fevereiro, ora, faria jus –com mérito – à cidade dos vapores e dos líquidos. &lt;br /&gt;
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E a confusão de desejos do calor desconserta o corpo, a vontade de matar a sede e a bexiga são irmãs gêmeas, nunca se teve tanta vontade de expelir e ingerir líquidos, gelado e quente, necessariamente nessa ordem, onde se tira leite de pedra, ou quase isso, água do côco, mas comemos a pedra, ou melhor, o côco, e as meninas do calçadão já estão bem ali, ó, proporcionando o maior espetáculo da praia: despir-se. Agora fito e não mais as soslaio, quando elas tiram o short, sempre justo ( e que justiça!), rebolando caprichosamente sem sair do lugar, para que o pedaço de pano que não serve mais (agora) escorra joelho abaixo, tirando uma perna e depois a outra, como pulassem a corda uma vez só, lentamente, ou, ainda, quando desprendem a canga da cintura, desenrolando as coxas e o quadril, forrando a areia incandescente com o tecido fino tinturado. O biquíni é coadjuvante –sempre foi – e a graça, agora, são outros pedaços, o de carne, e o de pele. À vista. Aí, a sede que dá é outra e não há líquido que a sacie, mas o paladar também se aguça com a visão. E que visão!&lt;br /&gt;
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Levanto bêbado e bronzeado de cerveja, mergulho no mar quente e transparente. Quantas águas matarão a minha sede? Tantos cursos desse rio de verão, suor lambendo a fronte, e aperta a vontade de desafogar a bexiga. Acima, no mesmo calçadão do desfile das moças, surgem na mesma passarela as marchas, as orquestras de rua, cervejas ambulantes, mijos ambulantes, suores ambulantes, salivas deslizantes, línguas para fora, outras para dentro, bocas, beijos, abraços, sovacos, enfim, blocos de gente e gente de blocos. Há quem goste, há quem tolere, são temperamentos diferentes sob a mesma temperatura, como fiz entrever mais acima, não no calçadão, mas no segundo parágrafo desta cachoeira de letras, frases e pontos. Prefiro o mar e suas sereias da areia, prefiro a areia com seus tapetes finos e sedosos, que sobre eles, repousam as musas da estação mais sedenta do ano. Será que verão como as vejo?&lt;br /&gt;
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Para isso servem os óculos de sol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-8816402869865659514?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/8816402869865659514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/02/liquidos.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8816402869865659514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8816402869865659514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/02/liquidos.html' title='Líquidos'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-6096848333963727932</id><published>2010-01-16T05:34:00.004-08:00</published><updated>2010-01-18T07:07:37.909-08:00</updated><title type='text'>Vapores</title><content type='html'>Fechar os olhos é refrescar-se. Mesmo buscando refúgio em farmácias, bancos e lojas, quando me arrasto em súplicas por um copo d´água, começo a falar sozinho para me fazer companhia. Se é efeito da temperatura ou surto psicótico, não chega a me interessar saber, basta não fazer juízo da minha cabeça fervida nos dois banhos: o maria e o de sol. Então começo a não mais me reconhecer – se é que já alguma vez – e embaralho a língua, cansada e seca, com os dentes amolecidos pela fome&amp;nbsp;e passo a ter certeza que a rua tornou-se uma imensa cozinha, com&amp;nbsp;fogões ambulantes desfilando na passarela de piche, o mesmo piche que me grudou a sola dos pés, também o mesmo asfalto que agora é uma piscina escura, um mingau turvo incandescente, então meus refúgios, bancos, lojas e farmácias, funcionam como geladeiras imensas, estáticas, congelando meus movimentos, refrescando meu rosto, me proporcionando o prazer instantâneo do contraste das temperaturas. São tantos fogões cruzando meu caminho com suas bocas enfurecidas, panelas espalhadas nas brasas portuguesas, que antes eram pedras, tantas geladeiras fantasiadas de estabelecimentos, além dos microondas transmitindo outras ainda maiores, que até os aeroportos decolam sem sair do lugar, porque lá refresco não há, portanto ir de avião é viajar duas vezes, uma ao percebemos que o saguão não é – mesmo – um freezer, porque o ar condicionado não está condicionado à má sorte, portanto, pergunta-se, que é o destino senão um vínculo de previsões, quando a viagem de volta está concluída antes da de ida. E quando embarcamos, aí, sim, consuma-se a segunda viagem, nem fria - nem calculista. Devaneios de verão são delírios de veraneios. Ah, que sede!&lt;br /&gt;
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Sobrecarregado e sonolento, sob miragens e sombras, vou-me repartindo nos&amp;nbsp;vapores da terra, sob sol noturno diário. Faz calor e o asfalto me suga os pés. A fronte encharcada de tantos calores que não faz mais diferença se aperta a chuva. A estiagem é um intervalo d´água, um reflexo sem espelho. A caminhada pela calçada escaldante me arranca lascas do tempo – não necessariamente só do meu – e padeço voluntariamente a cada respiração planejada: os pulmões funcionam como motores de arranque, ora, não por isso vou mais rápido para onde não calculei, qual benefício isso me traria, trocar de ares é sempre bom, principalmente quando cuspimos calor carbônico e sorvemos oxigênio misturado com luz. Sem sombra de dúvida, respirar é um bom negócio, mesmo quando se está quase vivo.&lt;br /&gt;
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Sonolento e sobrecarregado, e aporrinhado pelos apelos condensados dos que estavam aqui embaixo, o céu lilás&amp;nbsp;desceu do&amp;nbsp;pedestal. Descompôs-se numa enxurrada que mais pareciam espirros seguidos de escarros e cuspes, e assoadas no nariz, correntes de ar, ares quentes, ventos úmidos, que todos correram e foram se embrulhar nos fogões andarilhos e nas geladeiras gigantes, havia os que ficassem nos corredores do imenso supermercado de gente, havia quem acenasse do alto das prateleiras de concreto, edificadas ao passo dos corredores, além das outras pessoas que&amp;nbsp;posicionaram-se em outras seções. Um castigo em pingos grossos e ríspidos.&lt;br /&gt;
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A cidade tornou-se um caldeirão de fumaça, chovia em todos os cantos, as brasas portuguesas evaporavam-se, as panelas ferviam ao lado dos fogões metálicos, assim como os caixotes com rodas, crianças derretendo pela rua, velhos gratinando nas filas intermináveis de uma geladeira econômica, outros na dos fármacos, o mingau de asfalto engrossava a medida que os pingos compridos de água lambiam os suores de quem voltava do trabalho, assim como alforriavam os operários que trabalharam&amp;nbsp;a seco na construção predial de oásis à beira-mar. Não importava que os alagamentos transtornassem as pessoas, mas era curioso como, de uma hora para outra, a cidade trocava um caldeirão de piche, fogões, geladeiras, brasas, calores e gente, por uma imensa panela cheia de água morna, cuspida de cima por sabe-se quem, ou não se sabe mais, também isso não interessaria mais discutir, o negócio é que estávamos condenados a sermos escravos do tempo. &lt;br /&gt;
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O sol implacável e&amp;nbsp;a chuva imprevisível.&amp;nbsp;Era&amp;nbsp;como se fôssemos&amp;nbsp;vapores de nós mesmos, como espíritos vagando pela rua, mas sem abandonar a carne, estávamos como fantasmas pairando pela atmosfera vulcânica do verão. A cidade estava condenada a não mais depender dela mesma – se é que já alguma vez – e tornou-se refém da natureza. &lt;br /&gt;
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E para isso não há previsões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-6096848333963727932?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/6096848333963727932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/01/vapores.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6096848333963727932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6096848333963727932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2010/01/vapores.html' title='Vapores'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-5431196827183725223</id><published>2009-12-30T11:31:00.009-08:00</published><updated>2011-12-14T06:29:36.111-08:00</updated><title type='text'>Das certezas</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;para Julieta&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cercado de livros e garrafas. Era assim que gostava de passar o tempo quando estava em casa, deitado no sofá, janelas abertas no contorno da varanda, chuva lá perto, sol em outro lugar, filmes-que-passam-na-televisão-e-não-mudamos-de-canal-mas-deixamos-no-mudo, devorando um livro que sugeriu uma amiga, mas sempre, mas sempre mesmo, esquecia o lápis no quarto quando estava na sala, e sempre deixava na sala quando ia pro quarto, então que graça teria ler sem sublinhar, não há, assim como tinha mania de começar a sublinhar antes de terminar de ler a frase, porque é como se previsse (logo quem) que a frase já seria boa de qualquer maneira, simplesmente pelas três ou quatro primeiras palavras. Pensava que na vida também fosse assim, que se poderia adivinhar o que pudesse acontecer só por ter vivido alguns primeiros anos. E aí entendeu que a vida, e o que mais, era sim uma frase interminável, com pontuações, vírgulas, travessões, aspas e interrogações. Com fôlegos. Ao recuperar o seu, retomou as leituras, a da vida e a do passado, e tratou de tirar a poeira da consciência e das prateleiras: desfez-se em lágrimas antigas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao afiançar-se de que o argumento era válido e fundamentado, teve que esfregar os dedos dobrados da mão esticada à altura do outro ombro, como se estivesse se gabando de mais um feito, o da razão. Estava certo. Abriu a boca em curva, caprichosamente exibindo os dentes grandes e claros. Vestir-se bem é saber sorrir – lembrou. O guarda-roupa modesto, sem paletós nem histórias, cheirava a mofo e naftalina. Algumas camisas dobradas empilhadas em outros tempos, mas o manequim era o mesmo.&amp;nbsp;Do armário sem portas&amp;nbsp;veio&amp;nbsp;um bafo quente dos cabides solitários naquele mundo impenetrável, para uns chama-se solidão, para outros, passado. Enfileirados sem ordem, desfilavam parados, suspensos num bastão quebrado em diagonal,&amp;nbsp;ao serem tocados pelas mãos sóbrias da saudade, e eram examinados um a um, como se fossem páginas de um livro antigo, à procura do trecho preferido: um traje de gala. Cada cabide era uma página virada de sua vida. Não havia mais&amp;nbsp;sapatos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Empilhou discos velhos na mesa que ficou vazia. Empurrou a escrivaninha mais para o canto sem que encostasse no sofá. Às plantas fingiu o afeto que nunca teve, mas talvez o tivesse e não soubesse, e puxou assunto consigo mesmo, como se do céu assistissem ao seu diálogo diário, não imaginário, ora com as plantas ora com a estátua da varanda, uma carranca do Rio São Francisco, presente de um amigo. Para espantar os maus espíritos, mas quem era ele pra saber se há&amp;nbsp;alguém&amp;nbsp;bom ou mau nessa vida. Caso haja, ele teria outra certeza: não sou nem um nem outro. Serei&amp;nbsp;um espírito? Por isso voltava à sala, filme no mudo, livro marcado com um santinho (nunca achava o marcador), lápis no quarto, sublinhar pra quê, tudo bem, tem que sublinhar, começa a ventar, tinha que chover, mas chover muito, sempre quando chovia estava na rua. E&amp;nbsp;quando estava em casa ou nunca chovia ou não chovia desde então.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com som os filmes passavam a chamar mais atenção – ainda bem que não era preciso lápis para assistir a um filme . Para aqueles, não. Começou a ouvir os diálogos. Ler as legendas. Aí, não sabia mais se tentava ou não ler ou não prestar tanta atenção nas vozes, porque tentar não ouvir é tarefa psicologicamente suspeita. Queria assistir a dois filmes ao mesmo tempo: um com olhos, outro com os ouvidos, e,quem sabe, fazer dessa estripulia uma terceira forma de ver o que ainda não via. Pois bem, lia e escutava, escutava e lia, aí as plantas lhe chamavam lá fora, a carranca passou a reclamar dos maus espíritos, mas na verdade eram morcegos, e o personagem do livro surge como relâmpago, por isso voltou a lembrar dos ratos, dos livros que leu neste ano, nos que não leu e vai ler, nos que não leu e não vai ler, mas leria se desse tempo, e dos – finalmente – os que quer ler e vai ler. Mesmo que não dê mais tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Infringia-lhe a consciência lembrar dos erros que cometeu, muito menos dos que pensou em cometer. Tinha a mente diabolicamente atrevida, mas, justo por esse motivo, entendia que pensar e escrever são refúgios do espírito, e por isso também da carne, então soube ali que a razão é a cautela de quem ama. Por isso costumava remediar-se a torto e a direito.&amp;nbsp;E passou a seguir a dieta do camaleão: comer ar recheado de promessas. O resto&amp;nbsp;era&amp;nbsp;silêncio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lá fora ainda chovia forte, ventos esbravejando sussurros sem muito significado, céu escuro cor de chumbo, livros empoeirados, roupas velhas, revistas antigas, fotos reencontradas, cartas perdidas, outras achadas, guardanapos, credenciais, discos arranhados. A sala era uma mistura de brechó e fim de festa em boate dos anos 70, principalmente por conta da música que estava tocando no som, um trilha meio Tim Maia, Simonal, James Brown e Michael Jackson. E o Biggie Smalls conseguiria dizer todo esse parágrafo de uma forma engraçada, rimando todos os sobrenomes, e ainda, tinha certeza, faria graça por todos já estarem mortos. Menos no coração – corrigiu-se a tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inventou uma desculpa qualquer para distrair&amp;nbsp;a consciência. Decidiu que a próxima música teria que ser ouvida no volume máximo. Mas&amp;nbsp;próxima não havia, já&amp;nbsp;era a&amp;nbsp;última do disco, então&amp;nbsp;percebeu que ao aumentar o som&amp;nbsp;já se ouvia a música aos berros,&amp;nbsp;tanto ele quanto os vizinhos: isso sim afastaria os maus espíritos. Estendeu a mão na pilha de livros que já tinha se esparramado junto com o vinho pelo carpete e sacou o primeiro que a mão bêbada permitiu. Equilibrou-se num impulso.&amp;nbsp;Estava sem os óculos de leitura, mas não viu problema, julgou que era mais justo se não enxergasse as letras do título que pescaria no chão da sala. Mergulhou com olhos fechados em&amp;nbsp;todos os meses que se passaram no ano, todos os anos que se passaram no mês, entendeu que tinha que escrever, escreveu o que já pensava ter entendido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então apertou os olhos e leu as palavras que havia escolhido a esmo num dos livros empoeirados da superfície acarpetada. Por um momento chegou a achar que lhe haviam lhe aprontado alguma, mas como não acredita em coincidências tornou a reler a peça que o destino, este sim, lhe havia&amp;nbsp;pregado:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Pensando bem: quem não é um acaso na vida? Quanto a mim, só me livro de ser apenas um acaso porque escrevo, o que é um ato, que é um fato.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E passou a&amp;nbsp;escrever a vida em versos sem rima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-5431196827183725223?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/5431196827183725223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/12/das-certezas.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/5431196827183725223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/5431196827183725223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/12/das-certezas.html' title='Das certezas'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-6079052542562568242</id><published>2009-12-16T01:33:00.007-08:00</published><updated>2011-12-14T06:35:20.835-08:00</updated><title type='text'>Entreatos - 3ª parte: O (re)encontro</title><content type='html'>Regressou do descanso e lhe trouxe um presente. Era precavida, por isso explicou que era apenas uma lembrança, que não se empolgasse, que não se animasse tanto com a surpresa. Ele sorriu sem que ela visse. Esperou um pouco e continuou a falar sobre onde esteve, o que fez e o que faria depois do retorno. Ela gostava de lhe contar sobre si. A distância ensinou-lhes a se admirarem e se admitirem sem pressa. Entrelaçaram-se em diálogos diários, interpretados pelas pausas das respirações, pelos entreatos dos suspiros, pelos sorrisos e cigarros, cafés intermináveis e esfumaçados pela quentura do copo e do corpo, saboreavam-se em pequenos goles: se tinham.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saíram pela primeira vez juntos. Contrariando o regra dos encontros ( que não era “date” nem rendez-vous) foi ela que lhe buscou em casa. Ele gostou daquilo, verdade que foi dele a sugestão, já que foi ela quem insistiu em ir no próprio carro. Fez da insistência dela uma aliada, porque ela antes lhe havia desconsertado quando lhe avisou que a&amp;nbsp;razão do jantar (que não era date nem rendez-vous, como se sabe) haveria de ser só jantar. Emparelharam-se novamente portanto – assim como a emoção e a razão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deixaram o carro com o manobrista. Era uma terça-feira fantasiada de sexta. Caminharam em direção ao restaurante, ele na frente, ela ia devagar, pairando o chão, em movimentos tênues e graciosos, delicadamente direcionados aos passos dele, que iam retos e firmes, largos, mas determinados. Pediu a mesa da varanda, aquela mais próxima à janela de vidro, a da vista bonita, mas também não haveria problema caso não a pudesse ter, outra vista haveria de ser ainda mais bela, a dos olhos que fitavam agora os seus. Quase sem medo. Era no olhar dela que ele percebia sua entrega. Era nos olhos dele que ela entendia sua fraqueza, sua insegurança e seu interesse: se reencontravam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela já havia estado lá em outra ocasião, ele também, mas era como se lá estivessem pela primeira vez, assim como tiveram a impressão de que nunca haviam vivenciado até então - apesar de saberem que já tivessem vivido - um dos maiores entreatos da vida, o da paixão. Estudavam-se através de pequenos movimentos, no gestual dos talheres e copos, da maneira como seguravam o cardápio, da forma como não se procuravam mais nos olhos, e sim nos pratos, nas bebidas, nos gostos. Percorriam com olhares desinteressadamente curiosos todo o salão com mesas redondas e quadradas, fizeram graça ao perceberem que eram os mais jovens do restaurante, talvez uns dos poucos que, de fato, moravam na cidade, mas continuaram a falar sobre filmes enquanto ela disfarçava a fome com o couvert: pãezinhos e torradas numa cesta prateada. Gostavam de alecrim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pediu que trouxessem o vinho. A uva deveria ser a preferida dela. Ele sabia. Lembrava bem do gosto. De maneira que, mesmo com a demora do serviço, sorveu lentamente o primeiro gole, saboreando o gosto seco – e não podia ser muito frutado- com as papilas sensíveis de sua língua ansiosa. Agradeceu e mandou que servissem, enquanto ela sorria para brindarem ao reencontro: se interessavam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de escolherem o que comeriam , a demora não lhe fizeram pedir pratos diferentes, quantos risotos há por aí, continuaram enumerar temas variados, chegaram a pensar que tinham um outro cardápio na mesa, o de assuntos, e apesar de viverem em mundos completamente diferentes, quase opostos, se descobriam em coincidências curiosas, em interesses parecidos, em curiosidades interessadas. Ele reparava no modo em que ela retirava a taça da mesa e a levava em direção à boca, quando seus lábios desencontravam-se lentamente e da borda do cristal deslizava lentamente o líquido encorpado cor de rubi. Naquele instante ele parava de ouvir as vozes cantaroladas pelos bêbados das outras mesas, o chacoalhar estridente dos talheres, e passava a ouvir o silêncio da espera e a despedida da solidão. Não podiam prometer sentimentos, como diria Quintana, porque são como pássaros em voo. Mas se prometessem atos, seriam pássaros engaiolados. Talvez o poeta tivesse mesmo razão, até aí, quem sabe, mas haveriam de concordar ainda mais com outro verso: somos donos de nossos atos, mas não donos dos nossos sentimentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pediram a conta. Ela foi ao banheiro. Ele foi buscar o carro. Encontraram-se e foram até outro bar. Meia-garrafa. Uva preferida dela. Ele sabia. Lugar conhecido deles. Sentaram-se, enquanto todos estavam de pé. Não eram tão velhos quanto os do restaurante, mas também não eram da cidade. A música alta impossibilitava qualquer tipo de conversa não fosse a labial, mas era assim que ele mais gostava - e ela também. Ele, porque gostava de acompanhar o desenho da boca dela, com o traço delicado, movimento tênue, sempre com batom irretocável. Ela gostava da música alta porque não podia mais ouvi-lo tão bem – ele falava muito – mas adorava vê-lo gesticular, levantar os ombros, abaixá-los, fazer caras e bocas, interjeições faciais. Ele também aproveitava o barulho para fazer uma pergunta qualquer e ter que repeti-la ao pé do ouvido, apenas para chegar mais perto, sentir seu perfume e procurar com a boca o espaço entre o rosto e ouvido, passando antes o nariz na altura dos lábios dela para sentir sua respiração ofegante, mas contida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trocaram de mesa e sentaram lá fora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Continuaram a beber. Fumaram alguns cigarros. Ele fumava os dela e ela os dele, mas não fazia diferença, a marca era a mesma, ele havia comprado porque tinha gostado do nome e seus significados. Riam de tudo, dos assuntos que surgiam novamente, de outros que jamais haviam sequer tocado nem em outros tempos, riram mais ainda quando se encontraram com alguns amigos bêbados, dele, é claro, depois riram de tudo que haviam rido até ali e pararam para respirar outros ares, que não fossem nem de date- nem rendez-vous.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Voltaram para o carro ainda ouvindo o som das risadas. Talvez elas ainda existissem dentro dos sorrisos silenciosos que os guiaram até a casa dele. Pararam em frente, no mesmo lugar onde haviam parado semanas atrás. Despediram-se, mas ele não desceu. Despediram-se, mas ninguém disse tchau. Despediram-se, mas não queriam se despedir. Cruzaram os rostos e ele lhe buscou a boca com sua boca. Ela prendeu a respiração, porque precisava de outros ares. Recuou. Reencontram-se no silêncio da despedida outro verso de Quintana: somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos. Então fizeram das bocas taças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E afogaram-se&amp;nbsp;num beijo sabor&amp;nbsp;de rubi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-6079052542562568242?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/6079052542562568242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/12/entreatos-3-parte-o-reencontro.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6079052542562568242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6079052542562568242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/12/entreatos-3-parte-o-reencontro.html' title='Entreatos - 3ª parte: O (re)encontro'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-2159199189050903224</id><published>2009-12-03T16:59:00.011-08:00</published><updated>2011-12-14T06:33:35.341-08:00</updated><title type='text'>Entreatos - 2ª parte: O silêncio</title><content type='html'>A música que nunca mais tinha ouvido começou a tocar no rádio. Rapidamente, quase num sobressalto, aumentou o volume para relembrar a letra e tentar adaptá-la ao que estava vivendo até ali. Depois de cantar errado os primeiros versos, emparelharam-se, emoção e razão, não só na melodia, mas também nos trilhos da saudade. Sim, percorria outros trechos da memória para reencontrá-la: sentia sua falta. Não sabia mais o nome da canção, de modo que foi pesquisar com amigos desconversando a razão da procura, improvisando uma desculpa sem ensaio. Soube então, assim, que já tinha gravada a música num disco antigo, por isso foi ouvi-la de novo, não a canção, mas a voz dela nas entrelinhas dos acordes. Porém ficava irritado consigo quando aumentava o som e, em vez de contracenar com a solidão, se distraía com o rosto dela ao surgir como relâmpagos nas acomodações de sua lembrança. Não sabia se preferia controlar o que sentia ou desgovernar o que pensava: decidiu repetir a música. Outra vez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À medida que o tempo não passava, tinha impressão que seus pensamentos estacionavam em vagas lembranças. Procurava na madrugada outros trechos da primeira conversa e da última impressão para dialogar consigo sobre o silêncio do sentimento desconhecido. Talvez por essa razão não importava para onde seguiria sua ansiedade, porque a pressa em não adivinhar o que viria lhe proporcionava sorrisos desencontrados: achava graça disso tudo também.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Voltou para casa e adormeceu logo. Antes de virar-se, porque costumava dormir cedo, sucumbiu à tentação da dúvida e perguntou-se se o que havia acabado de acontecer aconteceria de novo. E caso acontecesse, se tornaria a se repetir. Riu mais uma vez e, mesmo estando em casa, e em seu quarto, olhou para os lados para certificar-se que ninguém estaria a observá-la – além de si mesma. Costumava fiscalizar-se. Também fechou os olhos, mas não ouviu nenhuma música que a fizesse lembrar dele, como não tinha certeza se alguma um dia&amp;nbsp;o&amp;nbsp;faria. Mas não era esse o problema, uma haveria de fazer: a pressa não lhe fazia companhia. Percebia que ele lhe buscava a face com seus lábios, impossível não notar, mas a precaução lhe advertia sobre os desconhecidos, tanto o dono da boca quanto o que o levou a tal atrevimento, mas não tinha certeza do que sentia, não sabia o que viria pela frente, mesmo decretando por vencida a outra etapa, a que passou-se não faz muito tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez não demorasse tanto a voltar, mesmo que ele contasse pacientemente as trezentas e trinta e seis razões para que isso não tardasse a acontecer. Essa etapa, sim, gostaria que passasse logo. Entendia em certos momentos o silêncio funciona como um dos principais entreatos da vida, o da solidão. Mas não se importava com a estiagem dos temporais, pela única razão que não se sentia só ao ficar sozinho, pois a luz daqueles relâmpagos lhe permitiam enxergá-la de outras maneiras, através de outros reflexos, mesmo durante todo o intervalo da distância entre a varanda e o sofá da sala: não demorou que o céu desabasse e se desfizesse em pequenos grãos de água.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras palavras ela escrevia aos poucos, sob traços delicados, todo roteiro que seguiria em poucos dias. Caberia agora ao tempo e à distância recuperar o fôlego depois de prender a respiração -&amp;nbsp;ao perceber-se pensando nele. Não sentia o que viria a sentir hoje, permitia apenas permitir-se, a maior transgressão do ser humano é poder pensar o que bem entender, e o melhor, revelar-se apenas quando achar conveniente. No entanto, para ele, não havia diferença entre ser conveniente e coerente – e lembrou Eça de Queiroz: tais virtudes nem sempre andam de mãos dadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi então que lembraram juntos, ao mesmo tempo, mas sem que soubessem – e nunca haveriam de saber - dos mesmos momentos. Estavam a mais de dez mil e trezentas lembranças um do outro. Lembraram que num dia beberam a mesma bebida, no outro comeram a mesma comida, e depois viriam a beber outra bebida, mas também a mesma, e assim se percebiam sem se verem, mas nunca saberiam que se encontraram&amp;nbsp;nos silêncios, cada um no seu,&amp;nbsp;aí que está,&amp;nbsp;são como escalas, intervalos, como pausas, como aplausos. Então lembrariam também&amp;nbsp;de Pessoa: o silêncio é a estrada antes da curva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Ai ai ai...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-2159199189050903224?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/2159199189050903224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/12/entreatos-2-parte-o-silencio.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/2159199189050903224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/2159199189050903224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/12/entreatos-2-parte-o-silencio.html' title='Entreatos - 2ª parte: O silêncio'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-5073590372091794827</id><published>2009-11-28T08:49:00.017-08:00</published><updated>2011-12-14T06:31:46.082-08:00</updated><title type='text'>Entreatos - 1ª parte:  A despedida</title><content type='html'>Certa vez saíram com amigos e foram jantar. A ideia inicial não era essa – nem sair nem jantar – mas por alguma razão como não haverá de haver outras, encontraram-se. O susto planejado foi substituído por uma entrega de olhares cansados de fingir, exaustos, mas não por não se procurarem, e sim por não se deixarem descobrir: por se obrigarem a desviar do destino, por adiar a etapa que estava por vir ou por não permitirem que outras ficassem para trás. Mas quando menos perceberam, estavam vivendo num dos mais longos entreatos da vida, o do amor. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não adiantava dizer como se conheceram nem onde, mas a verdade é que parecia que isso não importava.&lt;br /&gt;
Era como se soubessem que, mesmo quando ainda não se conheciam, se bem que isso não alteraria nada, o momento iria chegar – nem cedo nem tarde. Tinham calma e educação irritantemente curiosas, se cruzavam sem se cumprimentar, ela com os olhos baixos, ele com os olhos firmes. Aí, ficavam dias sem se ver, outros sem se olhar, mas nos segundos em que se flagravam, curiosamente se armavam com assuntos improvisados, como também as palavras, assim como as interjeições. Surgiam na hora os sorrisos, armados e decorados, com pausas para que um ouvisse o outro, mesmo que não parassem para prestar atenção. Nenhum deles estava disposto a baixar - ou mesmo abrir- a guarda. Estavam, de fato, parados e em pé. Mas o coração desobedecia a ordem, sorte que a aceleração da alma também é involuntária, e rapidamente se lembrariam daquele dito popular: “quem corre com gosto nunca se cansa”. Isso lhe interessava, porque além de tudo era ansioso, e toda vez que se despediam ele desconfiava – e quase decretava – que ela não lhe percebia como ele a percebia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tinha medo que estivesse, quando lhe permitia, sendo inconveniente,&amp;nbsp;ao procurar encostar seus lábios no rosto dela&amp;nbsp;quando despediam-se.&amp;nbsp;Não&amp;nbsp;arriscava tentar, ficava tenso, e&amp;nbsp;quando se deparavam e paravam para o cumprimento, apenas repousavam uma face sobre a outra naquele movimento cruzado dos rostos. Disfarçavam bem.&amp;nbsp;Mas empurrado pela velocidade do coração, ao irem embora, ele esperava beijar-lhe a maçã do rosto, mas ela, fiel à sua timidez e ao nervosismo, mesmo desnorteada pelo sumiço da calma, lhe buscava a face com a sua, sem dar chance que as bocas pudessem tocar os rostos. Ao virar-se ela ria baixo antes de levar a palma da mão à boca, para que supostamente ele não a ouvisse. Mas ele ouvia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfim, sentaram-se na mesa e coincidentemente sentaram um ao lado do outro. Coincidentemente tinham a mesma profissão e, claro, coincidentemente, pediram a mesma bebida. Se bem que isso foi depois que&amp;nbsp;ela decidiu trocar o pedido,&amp;nbsp;quando ouviu o garçom repetir o nome do drinque que ele havia escolhido. A mesa estava animada, as conversas pareciam trocar de lugar, ora com um par de amigos ora com outro, os assuntos também cada hora frequentavam bocas diferentes, na velocidade intervalada&amp;nbsp;do coração, mas eram&amp;nbsp;os mesmos amigos, os mesmos drinques, os mesmos sustos, mas outros olhares: outras pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos desceram para fumar. Depois de respirarem outros ares, sentaram-se novamente nos mesmos lugares. Mais uma rodada de bebidas, mais uma de conversas. Mais risadas, menos nervosismo, menos timidez e menos cerimônia. Quase se&amp;nbsp;esqueceram que não se conheciam tão bem, já tinham alcançado um grau de intimidade quase que instantânea e – diria ele – profética. Apesar de não serem nada parecidos, concordavam mais do que discordavam no que dizia respeito à vida e ao amor, mas o negócio é que não ficaram apenas&amp;nbsp;encantados, não se apaixonaram ali, não. Tinham se interessado um pelo outro, e isto, sim,&amp;nbsp;bastava, porque eram transparentes quando eram invisíveis. Era assim que se viam. Passaram a se acompanhar a partir dali.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saíram do bar, meio a contra-gosto, mas depois do apagar das luzes, do chão encharcado com espuma e água sanitária e&amp;nbsp;da conversa dos cozinheiros em voz alta, o garçom com a gravata borboleta mais frouxa trouxe a conta.&amp;nbsp;Decidiram ir embora por livre e espontânea pressão.Dividiram a conta e rumariam a outro lugar, não fosse um dos amigos querer&amp;nbsp;ir pra&amp;nbsp;casa. Como era ela quem dirigia àquela noite, ele estava no banco de trás, aproveitando a carona, decidiu-se que&amp;nbsp;iriam para&amp;nbsp;onde que grupo quisesse&amp;nbsp;. Após deixarem em casa o amigo bêbado, percorreram algumas ruas de Ipanema e Leblon, mas os lugares para saideira ou estavam muito cheios ou muito fechados. Era tarde para todos, menos para eles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Passou para o banco da frente ainda eufórico por dentro, porque não adivinharia – mas suspeitaria - que seria o último a ser deixado. Não falaram nada, apenas coisas corriqueiras, no curto trajeto da casa da última amiga, ligeiramente embriagada, até a casa dele. Depois de apontar o prédio onde mora, ela parou o carro. Ligou o pisca-alerta, comentaram como foi bom se conhecerem melhor, não tiveram que inventar motivos para sorrir, não&amp;nbsp;precisaram arquitetar interjeições, como também não poderiam deixar de se enxergar, mesmo invisíveis – e mais transparentes. Se encontrariam dois dias depois, numa festa de amigos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Despediram-se.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caminhou até a portaria e conseguiu lembrar de toda a noite, menos de como haviam se conhecido, ou quando&amp;nbsp;tinham se visto&amp;nbsp;pela primeira vez, mas também isso não importava, um dia chegaria o dia, o momento iria acontecer: descobriram-se pois. Esperou que ela fosse embora, mas o carro permanecia parado com os faróis acesos. Ele estranhou e foi até lá. Ela abriu a porta do carona e perguntou se ele não iria pra casa, estava esperando - era muito educada - que entrasse para, aí sim, ir embora. Ele disse que estava fazendo o mesmo, estava esperando que ela saísse com o carro para que, aí sim, ele entrasse e subisse pra casa. Riram de novo, examinaram-se e despediram-se. Novamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E chegou em casa feliz por trazer nos lábios o gosto do rosto dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-5073590372091794827?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/5073590372091794827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/11/entreatos-1-parte-despedida.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/5073590372091794827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/5073590372091794827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/11/entreatos-1-parte-despedida.html' title='Entreatos - 1ª parte:  A despedida'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-6923953204155610831</id><published>2009-11-18T02:38:00.007-08:00</published><updated>2009-11-22T16:22:40.129-08:00</updated><title type='text'>Lições</title><content type='html'>“Rio, 24 de agosto de 1999&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bruno,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu me lembro bem das nossas tardes de domingo, no Maraca, torcendo pelo Vasco. Eu todo orgulhoso do filho pequeno, esperto e bonito que um dia pisou o gramado e ficou ao lado de ídolos e de anônimos. Eu que batia pelada na geral, lá embaixo, e ficava na ponta dos pés para ver o jogo. Tinha a sua idade. E pensava assim: “um dia vou assistir lá de cima perto de gente famosa”. E aconteceu, não por acaso. Estudei. Valeu! Quantos jogos eu assisti com você lá do alto, como no samba que Paulinho da Viola fez em homenagem à Mangueira: “vista assim do alto mais parece um céu no chão... Sei lá, não sei não...”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois é, agora no chão, não sei, não! Nessa idade, das definições, afirmações, do que eu posso tudo, sou o melhor e tal e coisa... e tá, tá, tá. O vocabulário não cabe na boca, são tantas “paradas”, tantas coisas “iradas”, que todo cuidado é pouco. Afinal, felicidade não tem preço. E parada errada custa caro. Tá certo, faz parte da vida. Mas de uma parte da vida que não pode ir para o lixo. Eu também fiz “parada” errada nos tempos de escola. Fui suspenso, matei aula, mas nunca deixei que a peteca caísse. Você não vai deixar, é claro. Confio em você, aliás, ainda confio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Achava uma sacanagem com o meu pai e com a minha mãe. Eles sempre sonharam, com tantos filhos, que um deles se desse bem na vida. Pelo menos um. Eu me dei, que merda, né? Fazendo a conta no final do mês para ver se o dinheiro vai dar para pagar a ginástica (a sua), um ticket, um “galo” prá você. Mas o pagamento do colégio, é de Lei. Podia estar na pior, naquela vidinha sem sabor, sem aventura, sem tesão. Seu Argemiro nunca tinha dinheiro. Pagava colégio, tinha dez bocas para comer e às vezes aparecia muito mais aos domingos. Dia de pernil assado e salada de maionese. Todo mundo ia na aba. Ele dizia: “um prato de comida a gente não nega”. E não nega mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas a gente precisa aprender a dizer não. Eu não sei dizer. Eu só quero que você, - no banco da escola ou na esquina da vida -, não vacile, não deixe se influenciar, não deixe ninguém “fazer” a sua cabeça. E corra atrás. Hoje tá mais fácil pra você, mano. Tem dinheiro da mesada, tem festa, tem menina bonita pra tirar onda e saber ficar na crista... da onda. Meio caminho andado para ser alguém na... vida. Esse alguém que hoje o seu pai se orgulha de ser.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu te amo”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Essa carta me foi escrita há dez anos, quando tinha acabado de fazer dezessete. E foi reencontrada depois de tempos escondida numa gaveta do meu antigo quarto, na casa de minha mãe. Uma surpresa. Era a&amp;nbsp;fase da vida onde estava muito deslumbrado, aprontando na escola, com suspensões, reuniões de pais, mau desempenho nas notas. Depois de passar por bons colégios, estudava numa escola mediana e, mesmo assim, andava mal das pernas. Não queria saber de nada. Meu pai, da melhor maneira que um pai pode se manifestar nessas horas, me deu um pito por escrito, uma baita bronca, um documento da vida, uma lição: um presente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E como hoje é seu aniversário, pai, divido esse presente contigo. É pra você, pra minha mãe – e pra mim - que tento ser um homem melhor, de caráter, que tenho certeza que você se orgulha de ver, de onde você estiver. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obrigado por me segurar quando eu mais precisei, e por não me deixar derrapar na mais importante curva da vida, que são as pistas escorregadias da adolescência e da juventude. Uma estrada tortuosa, eu sei – mas não sabia. Parabéns, pai. E obrigado por estar comigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu te amo,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bruno&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-6923953204155610831?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/6923953204155610831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/11/licoes.html#comment-form' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6923953204155610831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6923953204155610831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/11/licoes.html' title='Lições'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-7200506802254025772</id><published>2009-11-12T16:42:00.013-08:00</published><updated>2011-12-14T06:37:37.131-08:00</updated><title type='text'>Escuridão de luzes</title><content type='html'>Era uma noite de calor, mesmo com os respingos daquele céu cinza, carregado com nuvens recheadas e aflitas. Ele teve que esperar mais um pouco dentro do carro, enquanto ela procurava sair da reunião o mais rápido possível. Recusou a carona que sempre lhe economizava a passagem do ônibus e despediu-se dos outros colegas. Saiu do escritório e esperou pelo elevador como quem espera uma resposta para a loucura que estava prestes a fazer. Desceu alguns andares e quando saiu à rua, abriu o guarda-chuva para proteger-se dos pingos grossos que lhe tentavam acertar a cabeça, mas também lhe serviu como esconderijo de quem suspeitasse de sua atitude, como se fosse se proteger dos olhares de alguém que soubesse para onde estava indo. E com quem se encontraria. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A chuva aumentava e ele esperava ansiosamente por ela. Era a primeira vez que sairiam juntos, depois de meses de paquera. Ninguém do escritório desconfiava, afinal, não se falavam durante o expediente, apenas se refugiavam um nos olhos do outro, quando se cruzavam pelos corredores do prédio, pelas escadas ou quando desviavam o olhar da tela do computador e se flagravam sem susto ao se depararem com a coincidência fabricada: se entendiam sem palavras proferidas, se completavam na escuridão do silêncio e na claridade da certeza. Sorriam por dentro, a cortinas fechadas: não queriam ensaios nem espetáculos. Não queriam aplausos. Trocavam cartas de amor mesmo sem nunca terem se visto do lado de fora da fantasia da rotina. Eram completamente encantados pelo que poderia acontecer e não pelo que ainda não tinha sido concebido nem consumado: o desejo velado inquietava alma e traía a carne, mas ela resistia enquanto ele insistia. Um novo temporal se aproximava.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caminhou pela calçada, desviando das poças d´água, reparando com cuidado todo e qualquer carro que pudesse ser o dele, porque&amp;nbsp;lhe havia dito o modelo e a cor. Respirava ofegante, mas não por ansiedade ou nervosismo, mas porque se lhe viesse o ar úmido nas vias respiratórias, talvez o oxigênio lhe resfrescasse não só a memória, mas também seu coração. Olhava por cima do ombro e antes que pudesse perceber que ele a percebia, por um momento quase desistiu do encontro. Mas ao compreender que os faróis dos outros carros também lhe incentivavam a seguir em frente, eis que ele surge e lhe chama pelo nome, e&amp;nbsp;que nome lindo ela tinha, e, ao olhar para a direção da voz, a mesma&amp;nbsp;voz lhe fisgou pelo ouvido do coração, que é a boca, e que boca ela tinha, desenhada com perfeição, os olhos castanhos&amp;nbsp;escuros brilharam no breu das luzes: ele a puxou pela mão enquanto ela saltava de uma poça para outra.&amp;nbsp;Foi então que&amp;nbsp;deixou de se arrepender naquele instante. Era a primeira vez que se viam,&amp;nbsp;à noite, fora do trabalho. Era a primeira vez que não sabiam mais onde estavam, mesmo sabendo que não pisariam mais no chão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tatearam-se com a curiosidade de criança. Não se beijaram, tamanha a vontade de se tocar. Acharam que naquele momento, o bonito mesmo, o que faria jus ao que sentiam, seria se admirarem, procurando disfarçar a euforia que transbordava na pele. Como o champanhe, a bebida preferida dela, sua pele também borbulhou quando tocaram as mãos despretensiosamente de propósito, quando se esbarraram ao contar uma história, quando se estudaram ao discutir sobre os primeiros&amp;nbsp;assuntos. Ele dirigia sem rumo.&amp;nbsp;Talvez fosse&amp;nbsp;essa a&amp;nbsp;carona que ela quisesse.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegaram no bar e sentaram logo. Tinham que esperar um pouco, a casa estava cheia, mas, quem se importava, era assim que se conheceram, pelas coincidências, pelas peças pregadas pelo acaso. Gostavam assim. Pediram a primeira bebida, a única que beberia por toda noite, mas ele beberia um pouco mais. Conversaram sobre tudo, menos pela razão a qual estavam ali, era evidente, mas tudo que é óbvio não tem poesia. E eles gostavam tanto&amp;nbsp;da poesia de seus corpos,&amp;nbsp;de seus movimentos, e&amp;nbsp;ele gostava como ela repousava a capirinha na mesa, enqunto&amp;nbsp;ela achava curiosa a forma em que ele bebia a sua. Matavam a sede no copo e no tato: desarmavam-se meticulosamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O garçom apareceu e lhes avisou da mesa vaga. Sentaram-se novamente, acomodaram-se e olhavam o cardápio como se fosse um leque. Riram, mas dessa vez pra fora, porque lembraram que o menu lembrava a tela do computador, e flagraram, novamente sem surpresa, seus olhares mais curiosos um sobre o outro, sob o cardápio. Não queriam aperitivos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi quando de repente a luz e outras luzes daquela noite oscilaram caprichosamente depois do segundo brinde. Breu total. Silêncio. Vozes e sussurros incompreensíveis vagavam pela cozinha e pelas mesas. Eles não chegaram a reparar, porque viviam um amor às cegas, às escuras, e quando trouxeram a vela avisando que o problema era na cidade inteira, eles fizeram pouco caso do transtorno, e trataram de procurar no reflexo da chama, a razão por estarem ali. Continuaram a conversa em meio ao caos, ele sorvendo mais um gole da bebida, ela matando outra sede, a da curiosidade. Seus olhos castanhos não desviaram mais da direção dos dele. Encontraram-se finalmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo sem palavras faladas, e sim as suspiradas, conversaram sobre literatura, sobre poesia, sobre amores, sobre paixões, desilusões e desventuras. Desvencilharam-se de outros apagões e de outros blecautes, por isso levantaram e rumaram em direção a outras luzes: beijaram-se com olhos fechados mesmo na escuridão, como se as pálpebras fossem cortinas, e puderam enxergar dentro de si o clarão da paixão desconversada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Voltaram pra casa e percorreram sem pressa&amp;nbsp;a cidade escura, apagada, adormecida: não sabiam se o asfalto&amp;nbsp;se iluminava&amp;nbsp;por causa do farol do carro ou pelo brilhos dos olhos. Tatearam-se mais uma vez como se tocariam muitas outras vezes com outras luzes: a da saudade e a do amor. Estavam cegos de si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E não saberiam mais diferenciar a noite do dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-7200506802254025772?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/7200506802254025772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/11/escuridao-de-luzes.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/7200506802254025772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/7200506802254025772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/11/escuridao-de-luzes.html' title='Escuridão de luzes'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-4750620832231551310</id><published>2009-10-29T15:50:00.008-08:00</published><updated>2009-10-29T16:20:43.586-08:00</updated><title type='text'>Itinerários</title><content type='html'>Não lembro bem da origem de meus planos nem de meus sonhos,&amp;nbsp;se bem que&amp;nbsp;não vejo diferença entre esses termos, da mesma maneira como ainda acho complicado explicar o que sentimos logo depois de acordar de um sonho. Convenhamos, explicá-los já não é tarefa apenas para quem nasceu com tal virtude, Freud explica, mas o que me tira o sono é não saber sentir nem sentir depois&amp;nbsp;o que sentiu-se ao sonhar. As sensações&amp;nbsp;se esfarelam pelas&amp;nbsp;lembranças, nunca é a mesma&amp;nbsp;coisa.&amp;nbsp;Flagro-me constantemente cochilando desperto, como faço agora, durante essa viagem de ônibus pela cidade. Gosto de pensar que as janelas desses caixotes metálicos&amp;nbsp;roncadores&amp;nbsp;são como gavetas da rua, a cidade vista daqui de dentro é um grande armário, mas estou do lado de cá nesse momento, as ruas mofadas de gente, empenadas pelo desgaste do asfalto, forradas de prédios e edifícios de toda ordem. Os muros e construções são cinturões de concreto que, concluo, mais parecem cercas imóveis de cimento, porém com aspecto humano. Observo uma ou outra pessoa do alto de uma floresta de espelhos, que é curioso, vejo também&amp;nbsp;o reflexo do mar, há assim outras iguais, que também refletem todo desfile urbano pelo tapete de piche. Faz calor e por isso aceno para um senhor que caminha com dificuldade para adentrar o ônibus onde agora estou temporariamente moribundo, num estado de dormência mental, quase em&amp;nbsp;transe: é&amp;nbsp;contagiosamente irreversível.&amp;nbsp;Me vi&amp;nbsp;num mundo mendigo esmolando mudanças de espírito. Foi isso que vi do lado de dentro da rua. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes é preciso mudar. Tomar o primeiro ônibus sem destino, mas na hora certa. Subir os degraus, cumprimentar o motorista e sentar lá no último banco, como se o isolamento fosse uma forma de ir mais longe. Abro a janela, que corre com certa dificuldade no mesmo sentido do trajeto. Cotovelo direito apoiado no espaço aberto pelo vidro, rosto massageado pela brisa, olhos acompanhando o movimento das pessoas – e o dos carros. Da calçada, outros olhares me encaram duvidosos, talvez por saber que quem os observa é o mesmo rapaz da parada anterior. Mas a cada ponto de ônibus, a cada mudança de sinal, deixo de ser quem sou e me torno quem não sei. E me conheço cada vez menos a medida que o ônibus aumenta a velocidade. Gosto disso, porque, ora, não é assim a vida? Intensidade, freadas, colisões, paradas, acelerações, mudanças e movimento: o itinerário traçado pelo destino, o destino traçado pelo itinerário. Abrir caminhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rezamos a cartilha do afastamento, estamos economicamente humanos e por isso acabamos nos distanciando de nós mesmos. Tomar o volante da vida, guiar seus instintos e frear equívocos – e não atropelá-los - talvez, desse modo, não há de se derrapar nas curvas e estradas de nossas decisões. Quando venta do lado de fora da vida, arrancam-se dos varais do tempo todos os planos manchados por nossos atos: um acordo de sonhos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, terminei por me libertar das correntes que eu mesmo havia criado. Depois de passar longa temporada no escuro, aprendi que meu corpo é meu meio de transporte. Que olhar com olhos é a melhor forma de não sonhar. Que a vida é um trajeto, que minha mente é uma gaveta do tempo. Faxinei a memória, lustrei as ideias e me desfiz de tudo que não prestava mais, como que meu sangue desinfetasse os ladrilhos da alma, como se meu destino estivesse mudando de itinerário. Escolhas são caminhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem ponto final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-4750620832231551310?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/4750620832231551310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/10/itinerarios.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4750620832231551310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4750620832231551310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/10/itinerarios.html' title='Itinerários'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-8197843356711328273</id><published>2009-10-13T16:01:00.016-07:00</published><updated>2009-10-14T05:34:30.714-07:00</updated><title type='text'>As provas de um vestibular</title><content type='html'>Quando voltou da prova, ainda nos pilotis da faculdade, estranhou que a maioria dos vestibulandos, quer dizer, todo e qualquer candidato,&amp;nbsp;menos ele, tivesse em mãos o rascunho com as respostas. Mas, pera lá, não era só isso que o deixava aflito:&amp;nbsp;os outros&amp;nbsp;candidatos&amp;nbsp;também seguravam o papel com as perguntas do exame, com&amp;nbsp;exceção dele.&amp;nbsp;Mas todos, aí tudo&amp;nbsp;bem, ele&amp;nbsp;lá estava, só&amp;nbsp;entregaram - só poderiam - o cartão-resposta.&amp;nbsp;E assim, iniciara-se o calvário de Fernando. Na verdade, no mesmo exame&amp;nbsp;para&amp;nbsp;o&amp;nbsp;curso escolhido pelo rapaz, eram&amp;nbsp;três provas diferentes, método escolhido pela banca para que ninguém colasse durante a realização do vestibular. Papéis rosas, amarelos ou azuis. Praticamente as mesmas questões, mudando ora a ordem em que se encontravam ora a forma como eram aplicadas. Fernando tinha esquecido do detalhe de que poderia conferir respostas com os colegas, ou, o mais importante, o gabarito que&amp;nbsp;sairia no dia seguinte na internet. Tinha perdido a maladragem dos tempos de adolescente. Falta de prática, lamentou-se. Mas a pressa em ir embora e costume de jogar fora as provas, que herdou dos tempos de colégio, os traíram. Como saberia se tinha ido bem? De que maneira poderia ter alguma ideia de seu desempenho? Teria que esperar até março?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso aconteceu numa calorenta manhã de dezembro, um domingo, se a memória não me falha, e o Fernando tinha feito vestibular para uma faculdade tradicional do Rio, que fica na Gávea. O curso escolhido, entre os outros tantos que viria a iniciar também – mas não concluir – era Administração. Disse-me ele que tinha estudado um pouco, coisa e tal, “né, Brunão, o negócio é sair-se bem na redação.” É Fernando, é mais ou menos por aí...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas não. Ele não esperaria três meses. Ou melhor, ele nunca perdoaria tal falha que cometeu contra si. Anotar as respostas e jogar fora o papel onde estavam escritas, qual o quê, não haveria de ser, que distração, que falta de zelo, Fernando! Pois ele não fez por menos. Arriscou um sorriso largo e amarelado, pediu um cigarro, recusou o isqueiro, preferiu acender com a brasa da guimba da menina, mas teve que buscá-la no chão, a moça não tinha ouvido a tempo, sorriu de novo, resmungou algo imcompreensível, ninguém entendeu, ele repetiu, todos riram ainda sem entender. Virou-se, fingiu que viu alguém à sua direita, meio na diagonal, e acenou para o nada, como se sua loucura o tivesse puxando pelo braço em qualquer direção que fosse, mas que fosse para longe dali. Foi pra casa, esqueceu-se por um instante de tudo, como sempre faz, e foi à praia. Tinha onda, sabe como é, subiu o mar, tá batendo de leste, sudoeste, bróder, terral e açaí. Voltou e dormiu logo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na manhã seguinte, antes das sete, despertou num pulo. Esfregou os olhos com as mãos ansiosas da véspera. As mesmas que cometeram o suicídio pré-acadêmico. Vestiu uma bermuda. E só. Desceu à garagem, pegou a bicicleta e rumou em direção à universidade que carregava seus dois futuros, mas apenas um haveria de ser o seu, de fato. Pedalou como se a pressa fosse ajudá-lo. Os portões do prédio estavam fechados. Chamou o segurança e explicou que, “irmão, entenda meu lado, joguei meu futuro no lixo, entende? Não,&amp;nbsp;se senhor jogou o seu&amp;nbsp;também, não sei, que isso,&amp;nbsp;não foi bem o que quis dizer, mas, por favor, no meu caso, ainda posso mudar isso. Calma, irmão, não, não, qual nada, não estou esfregando na cara que sou novo e o senhor, não, não, não lhe estou chamando de coroa. Tudo bem, por favor, preciso achar uma coisa que perdi. É jogo rápido, vou num pé e volto noutro. Posso deixar a bicicleta aqui? Tá certo, eu sei, eu me responsabilizo. Mas tá com cadeado, hein?” E passou pelas portas de ferro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entrou pelo estacionamento. Vestiu a camisa surrada que trazia enrolada no antebraço, de bermuda, sem chinelos. Cabelo dormido. Ao olhar pra trás, percebeu que o segurança da porta acenou para o colega que estava mais à frente de Fernando: “tá indo praí.” Disse o segundo segurança: “O que houve, amigo?” Fernando, de prima: “Irmão, pra onde vai o lixo?” “Como assim, rapaz?” devolveu desconfiado o funcionário. “O lixo, para onde vai todo o lixo dessa faculdade? O lixo de ontem, quero dizer?” – explicou num tom que pareceria mais deboche, não fosse o desespero. “Garoto, você tá de brincadeira? Tá de sacanagem comigo?” – vociferou o vigilante. “Antes fosse, irmão. Tô desesperado aqui. Preciso encontrar a minha prova.” – suplicou o nosso amigo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Silêncio. Depois da gargalhada, o segurança sugeriu: “olha, vai naquele depósito ali e fala com o Tião. Ele é o cara do lixo aqui. Pede pra entrar lá.” “Pô, irmão, tirou onda! Você é o cara!" – agradeceu o rapaz. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- E você acha que vai encontrar aí? – irritou-se Tião depois de ser acordado pelos sussurros nada sutis de Fernando, quando o velho não despertava de maneira alguma com os assobios do rapaz. – "é muita porcaria, muita sujeira." - advertiu.&amp;nbsp;“ Eu posso, irmão?” pediu educadamente aflito. “É contigo mesmo” - sentenciou o zelador. Resmungou alguma coisa, pigarrerou&amp;nbsp;e recostou-se novamente. Antes de cochilar, lembrou: “o lixo fica todo no final desse corredor, naquela sala que não tem porta.” - falou Tião. “Pelo cheiro eu acho” - disse Fernando antes de rir da própria piada – ou desgraça, pensou melhor. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Passada a primeira hora, Tião foi bisbilhotar como estava a sorte de Fernando. O velho fedia à cachaça, e, devia ser, por isso que tinha o dom de sorrir mesmo mal humorado. O sorriso parecia rasgado na sua cara redonda e achatada. Olhou e o viu no meio daquela imundície, junto com&amp;nbsp;restos de sanduíches e refrigerantes, embalagens de mostarda, refeições quase inteiras, copos plásticos, papel higiênico e um arco íris azul, rosa e amarelo. Fernando repetia: “Amarela, amarela, lembro que era amarela”. Tião não acreditava no que via. Consultou o relógio e viu que ainda era cedo, não, não podia estar de pileque ainda. Costumava a encher a cara mais tarde, mas, naquele momento, percebeu que nem mesmo&amp;nbsp;a bebida poderia&amp;nbsp;permitir instantes tão curiosos e estranhos como aquele. Estava se divertindo. “Toma, pegue.”&amp;nbsp;Agradeceu Fernando:&amp;nbsp;“Ô, irmão! Obrigado! Salvou!” – ajoelhou-se e beijou a mão do homem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de colocar as luvas de gari, Fernando passou mais quarenta minutos procurando a prova amarela com as respostas. Separou o maior número possível de papéis daquela cor, inclusive embalagens daquela loja de sanduíches, mas não teve sucesso. Não encontrou seu futuro ali. Foi pra casa chateado, mas conformado. Afinal, fez o possível e o impossível,&amp;nbsp;e não diria apenas isso, mas também&amp;nbsp;o improvável. Ou imprevisível?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Três meses depois, veio a boa nova. Fernando fora classificado. Ficou muito feliz, ligou para os amigos, foi pegar onda, viajou com os pais, pagou chope pra rapaziada e riu quando lembrou de tudo que fizera para saber daquele resultado. Disse que a cisma era porque pressentia o bom desempenho. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas foi numa tarde, durante uma festa de confraternização entre veteranos e calouros na faculdade, lotadíssima, todos bêbados, que Fernando aparece depois de beber todas e mais outras, zonzo de goró, e fixa os olhos no meio da multidão. Mal se equilibra em pé, e repara que o vulto à sua frente também, não. Esfrega com aquelas mesmas mãos ansiosas as pálpebras que teimavam em permanecer abaixadas. Riu e ficou sério. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois riu de novo, quando reconheceu, lá do outro lado, esvoaçando no ar, duas luvas&amp;nbsp;de gari, cinzas e&amp;nbsp;imundas, sacudidas por um velho bêbado e sorridente, mas mal humorado, que berrava: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- “Passou, hein?!?!?!”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-8197843356711328273?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/8197843356711328273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/10/provas-de-um-vestibular.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8197843356711328273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8197843356711328273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/10/provas-de-um-vestibular.html' title='As provas de um vestibular'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-784175592963087314</id><published>2009-10-06T06:13:00.005-07:00</published><updated>2009-10-06T09:34:51.527-07:00</updated><title type='text'>O sal da tarde</title><content type='html'>Todas as tardes se repetiriam naquele tempo. As manhãs nem sempre se pareciam umas com as outras, tampouco as noites. Mas a brisa vespertina, sempre acompanhada pelo cheiro da água salgada, nunca mudaria a direção, porque, mesmo com a mistura de aromas, era o perfume dele que a deixava mesmo desorientada. Talvez por isso gostasse de se banhar, nua, no mar cor de tangerina. Não que seu corpo ficasse colorido de saudade, muito menos de tristeza, mas gostava de se provocar, de se insinuar pra si. Era assim que entendia o reflexo do mesmo sol das mesmas tardes sobre aquele pedaço de oceano esquecido, onde anos antes tinha se despedido dele, antes que o navio zarpasse com destino à vida que não viveria com ela. Sempre o soube, mas até que a embarcação diminuísse de tamanho ao cruzar a linha do horizonte, pensou que, mesmo que repentinamente, mesmo que demorasse mais alguns minutos, ou até dias, ele poderia mudar de ideia durante uma tempestade, entre a oscilação das ondas, e regressar para seu peito: ela queria ser o seu lar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gostava de comparar a saudade com o sol. Começava quando amanhecia, a aurora rompendo a noite como a falta dele lhe rompia os olhos e o coração. Passada as primeiras horas da manhã, como os primeiros momentos em que se flagrava lembrando do passado, os raios de luz funcionavam como flechas douradas que, como as flechas da paixão, se suicidam ao se encontrarem no chão do amor, o solo fértil da vida: o coração. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre o entardecer, confundia-se toda. Não sabia se ficava triste - porque a manhã não voltaria nunca mais. Mas verdade é que tinha mesmo saudade das manhãs. Porém não saberia dizer se estava feliz, porque esperava ansiosa pela noite, onde a saudade dói mais, é verdade, reconhecia, mas a solidão lhe ensinou que quem sofre pela manhã sente falta da escuridão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por esse motivo decidiu que, a partir de sua partida, a dele, todas as tardes seriam iguais. Seguiria o mesmo ritual, na esperança de que um dia ele olhe para trás e faça a manobra de meia-volta e retorne ao cais. Esperaria o tempo que fosse, porque as tardes se repetiriam desde então. E o calor insuportavelmente abafado de tantas tardes e lembranças, fazia com que  ela tirasse a roupa e mergulhasse naquela água cor de laranja, porque foi a última vez que se entregou a ele. Tinha o cheiro dele impregnado na pele, mesmo depois de tantos anos, mesmo antes de avistá-lo desembarcando do navio para dentro de seu corpo. Achava que cada mergulho no mar fosse um lampejo da memória: nadava pela saudade e se afogava no próprio coração. Sentia na língua o sal de todas as tardes que se repetiriam sempre, mas que nunca terminariam. A vermelhidão do céu lembrava o último dia que se amaram e se viram, depois de se amarem antes de se virem. A praia era afastada de tudo, menos do passado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sol permanecia amarelo. Mas as todas as tardes seriam iguais. Ela costumava sentar no deque com as pernas pra fora, como se estivesse se preparando para patinar pelo espelho d´água, e repousava as mãos em palma, amparadas pelos braços que estavam apoiados no chão de madeira, esticados atrás da linha do ombro. Olhava sem rumo pelo rastro que ele deixou no mar. Vigiava o horizonte para que não perdesse quando ele surgisse ao fundo da memória ou viesse arrastado pelos ventos quentes da praia igual às tardes que sempre se repetiriam. Fazia isso todas as tardes desde que ele decidiu ir embora para nunca mais voltar. Quando o sol se punha, suspirava o mesmo lamento que se repetiria por todas as tardes e seguia para casa: anoitecia dentro e fora de seu coração. As manhãs nunca se pareceriam umas com as outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por isso que todas as tardes seriam sempre iguais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-784175592963087314?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/784175592963087314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/10/o-sal-da-tarde.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/784175592963087314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/784175592963087314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/10/o-sal-da-tarde.html' title='O sal da tarde'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-9137813217900889772</id><published>2009-09-30T12:42:00.003-07:00</published><updated>2009-11-20T13:03:46.333-08:00</updated><title type='text'>Leticia</title><content type='html'>Não sei bem quando nos conhecemos, mas lembro como se fosse hoje a tarde em que todos fomos para sua casa fazer bagunça. Faz quase dez anos. Não lembro quem estava, apesar de não esquecer do momento em que decidi me trancar lá no seu quarto, acho que devia estar com sono. Todos, inclusive você, ficaram na sala bebendo, rindo e conversando, muitas vezes mais rindo do que conversando: vivendo. Foi quando me deitei na sua cama e, não sei de onde, descobri uma agenda de quando você era da quarta ou quinta série. Rosto redondo, meio gordinha (sério, ué) e com essa cara de moleca sapeca, com as já conhecidas sardinhas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Exímio devorador de palavras escritas (e das faladas também, é verdade) e arauto das fofocas, tratei de mergulhar naquele seu diário de vida, folha a folha, passando a língua no dedo indicador para garantir de que não perderia tempo ao virar a página afoito de curiosidade. E, você sabe, curiosidade é interesse. Mas isso é desculpa de fofoqueiro, eu sei...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Li suas conversas com as amiguinhas da sala, soube quando você falou mal dos professores ou quando relatou o que tinha comido pela manhã, das primeiras paqueras, das aulas chatas, dos seus sonhos, seus absurdos, suas perguntas engraçadas, suas discussõezinhas com a mamãe. E você relatava tudo de forma irritantemente detalhista, chegava a ter raiva da sua sensibilidade e delicadeza ao descrever cada coisinha, cada olhada, cada respirada, cada fala, cada briga, cada festa, cada beijo, cada prova, cada viagem, cada fim de semana, porque me via obrigado a não deixar de ler uma linha sequer, uma vírgula. De uma pureza tão cristalina e encantadora, de uma beleza genuína que mal cabia naquelas páginas amareladas pelo tempo. Naquele momento, você sabe disso, fiquei com ciúmes do passado e não das pessoas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Queria ter podido te conhecer naquela época, naqueles tempos de primário, porque naquela agenda, você devia ter uns onze ou doze, descobri a Leticia que eu amo hoje. Não era só aquela Leticia que morava na Manoel, loura de tinta, que tinha acabado de voltar do estrangeiro, voz rouca, um pouco grave, mas – não sei como podia- macia. E mascando aquele eterno Trident. Quando fui ao seu quarto eu descobri uma Leticia que sempre existiu, mas que não conhecia até então. Atravessar o corredor da sua casa, naquela tarde, foi uma viagem no tempo: demorei anos para chegar até o seu quarto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E tratei de ler, além dessa, outra agenda e todas que pude naquela tarde. Queria saber mais de você, quer dizer, eu queria conhecer alguém que já conhecia, mas desde o começo, sabe? Tive a sensação de que nossa amizade parecia com aqueles filmes que a gente chega atrasado e a sessão já começou. Aí, fica tudo escuro e as pessoas pedem pra gente sentar, fica a maior zona, e tal, e já passaram os trailers e não tem lugar bom pra sentar... se bem que hoje em dia é lugar marcado. Mas mesmo assim: senti que tinha perdido um pedaço da sua trajetória de vida, mesmo que tenha sido na sua infância e adolescência. Bom, voltando ao seu quarto: estava tão entretido que nem percebia quando um de nós, bêbados, batia à porta com aquele sotaque de goró e riso mole, e me perguntava se estava tudo bem e qual era a razão de estar ali sozinho. Eu não estava só, estava contigo de certa forma- e desde antes dali. Mas quando te li e te soube mais, tive a impressão que você era mais do que especial: você nasceu uma mulher feita. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje tenho um sentimento muito parecido com o de anos atrás. Descobri o seu blogue por acaso e comecei a te ler de novo. Não sei se é coincidência, mas o que não posso deixar de te dizer algumas coisas, principalmente depois de ler o seu post (lindo) sobre o que é falar com Deus. Concordo com você em todos os sentidos e direções. A Leticia das agendinhas de criança já era uma mulher. Percebi ao ler o seu diário virtual. Claro, são razões diferentes: a mesma pessoa em outras palavras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois que meu pai morreu me tornei um homem mais duro. Fiquei estarrecido com Deus. Racionalizei minha fé. Doeu muito, você sabe bem, viveu isso comigo. De lá pra cá, coincidência ou não (começo a achar que o acaso é um animal em extinção), muitos amigos meus perderam o pai. Foi uma provação. Dei carinho e força, estive lá quando precisaram, porque posso falar de cadeira sobre o que é perder um pai. Do sofrimento que é: da saudade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, Lê, não soube como me aproximar mais de você quando você precisou. Talvez porque não soubesse como lidar com isso, talvez porque não quisesse entender porque que a Lê do meu coração, que conheci melhor naquela tarde de sábado dentro de um emaranhado de papéis escritos à mão, estava sofrendo. Rezei muito, ou melhor, conversei com Deus assim como fiz – e faço – pelo meu pai. É o que sei fazer, ou melhor, é o que julgo sincero de mim: o meu pensamento. Torcia para que você voltasse a me chamar de “Maraviiiiiilha”, das nossas rusgas, dos nossos papos-cabeça, das nossas gargalhadas, das vezes que você me ouviu sofrendo de amor, dos seus conselhos, dos nossos pés-na-bunda, dos seus segredos e dos meus. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Qual não foi minha surpresa em ler você de novo? Mas não tenho a sensação de ter você pela metade em minha vida, não. Nossa amizade é algo tão nosso, que não precisamos explicar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E hoje te conheço melhor, mais uma vez, porque te leio e te sei: você nasceu uma mulher feita. De novo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Te amo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-9137813217900889772?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/9137813217900889772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/leticia.html#comment-form' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/9137813217900889772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/9137813217900889772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/leticia.html' title='Leticia'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-6483165860613747933</id><published>2009-09-24T20:11:00.006-07:00</published><updated>2009-11-20T13:04:53.643-08:00</updated><title type='text'>A saudade de Lia</title><content type='html'>Os olhos borrados pela saudade, o sorriso trincado de raiva, quase um rasgo em seu rosto de rugas, quase conformada. A voz engasgada de choro, a respiração lenta da idade: os sonhos despedaçados em vida. Percorria com as mãos feridas de amor o colchão velho onde costumavam se entregar de todas as maneiras, em todos os sentidos, porque, em outros tempos, ele costumava virá-la do avesso enquanto ela o revirava com a língua: se suavam, se melavam e de despediam toda vez que se amavam, porque se amavam toda vez decidiam ficar. Lia lembrou que preferia quando ele lhe beijava o pescoço do que a boca quando faziam amor. Ficava arrepiada, desconcertada. Sentia-se vulnerável porque não sabia como seria sua reação a cada mordidinha na orelha - e como gostava disso - porque sentia cócegas e, quando não resistia mais, inclinava a cabeça e encostava a orelha no ombro, fazendo com que ele, inutilmente, parasse de lhe provocar. Gostava de perder o controle sobre ele quando ele a tomava em seus braços. Mas a verdadeira razão que fazia com que ela gostasse mais dos beijos no pescoço, enquanto se entregava a ele, era outro, mais simples: gostava era de falar sacanagem. Muita sacanagem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda não aceitava que ele partira sem avisar. Mas quem alertaria sobre a própria partida? Qual homem sabe seu destino? Ela não parava de se perguntar, mesmo sabendo da resposta, só não entendia se tinha se dado conta do silêncio da ausência por experiência própria – ou se o soubera sempre. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resplandecia ainda na poça formada pela chuva o reflexo triste daquele olhar de adeus. Gostava de passear pelo jardim nos fundos da casa. Tinha-se a impressão de que o acúmulo de água no chão não era por causa do temporal, mas pelas lágrimas fugidias do rosto de Lia. Setembro costumava ser assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não tinha nada contra o encontro das línguas, daquela dança enroscada de bocas, das respirações. Mas a boca servia para cantarolar sussurros e recitar a poesia da cama: versos sem rima. Adorava o carinho das pernas, o beijo nos ombros e nos braços, os apertões na cintura, gostava quando ele sorria antes de tocá-la. Mas também desejava ser dilacerada pelo loucura do gozo, pelo desespero dos apaixonados: o sofrimento consentido do sexo. Gostava tanto de brincar de leoa que não queria que parasse ali, queria mais, queria a pele, o abraço, o carinho, e depois a saliva, o suor, a dentada, o sussuro, ela queria a gargalhada dos loucos: ela queria os silêncios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Recobrou os sentidos, levantou e vestiu-se. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dirigiu-se à cozinha, acendeu o fogão e preparou o café. Serviu na caneca dele a quantidade que ele costumava beber. Sentou-se na varanda, na cadeira onde ele descansava após as refeições dos domingos. Fez careta ao sorver o primeiro gole fumegante da saudade que estava despejada na caneca. Bebia sem açúcar, como ele sempre fazia, porque achava que dessa forma se aproximava do passado e por isso, se aproximava dele. Sorriu e recostou-se: adormeceu. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No fim do dia ele voltou exausto, porque o sol da tarde não queria mais ir embora. Ventava um vento úmido e o cheiro de madeira queimada lembrava outras tardes de outros tempos, mas eram ainda as mesmas vidas. A luz fraca da lembrança atravessou os portões daquele passado trancado pelo luto. Ele havia voltado naquele momento, tinha regressado ao lar: entregou-se a ela como ela sempre se entregara a ele. Puxou-a pela mão, foi quando então ela acordou um sono que não tinha dormido, porque ele sonhou um sonho que já tinha sonhado: reencontraram em vida a morte do que tinham vivido. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se entregaram pela última vez naquele colchão suado pela memória.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-6483165860613747933?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/6483165860613747933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/o-tempo-do-amor.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6483165860613747933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6483165860613747933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/o-tempo-do-amor.html' title='A saudade de Lia'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-4288464382748166530</id><published>2009-09-17T13:53:00.006-07:00</published><updated>2009-09-18T13:34:34.569-07:00</updated><title type='text'>Poesia</title><content type='html'>Poesia faço papel&lt;br /&gt;
Meço vento&amp;nbsp;em verso&lt;br /&gt;
Invento&lt;br /&gt;
Poesia vejo inverso&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Papel faço poesia&lt;br /&gt;
Verso regresso em tempo&lt;br /&gt;
Nem laço nem movimento&lt;br /&gt;
Poesia meço em vento&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-4288464382748166530?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/4288464382748166530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/poesia.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4288464382748166530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4288464382748166530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/poesia.html' title='Poesia'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-272973021488105527</id><published>2009-09-12T08:52:00.020-07:00</published><updated>2009-11-20T13:06:51.758-08:00</updated><title type='text'>O comentário</title><content type='html'>Depois de tentar diluir o dilema em mais um copo de cachaça – envelhecida – eis que me surge um lampejo de inspiração, quase um susto. Tive um lapso de luzes, franzi a testa, firmei o olhar no chão, mão direita segurando o queixo, não a mão toda, mas polegar e indicador. Parecia que tinha reconhecido no cimento os últimos textos que li, parecia que tinha enxergado na memória os primeiros que escrevi. Antigamente gostava de escrever com caneta. Aliás, não via outra maneira de me relacionar com as palavras, como haveria de ser, se o desenho que se faz ao escorregar a tinta no papel é a forma mais sincera de se expressar o que se sente e o que se pensa? Não podia admitir ou sequer imaginar a possibilidade de escrever poesia ou opinar sobre qualquer coisa que fosse não fosse com mão, caneta e papel. É a forma mais bonita de se entregar a si: escrever. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda atônito de mim, tirei a mão do&amp;nbsp;rosto para pegar a caneta no bolso. Perguntei ao garçom pelos guardanapos. Ele não respondeu nada, virou as&amp;nbsp;costas, abriu a torneira, terminou de lavar dois copos, enxugou as mãos e sacou da prateleira, à sua esquerda, uma caixa metálica onde estavam os guardanapos e pôs no balcão. Agradeci e saquei a primeira folha. Um detalhe: é deliciosa a sensação&amp;nbsp;ao arrancar&amp;nbsp;o papel das caixas de metal de botequins para escrever. Porque, se há necessidade de fazê-lo, ali, é porque se está fervendo de ideias e pensamentos. E sentimentos. Por isso foram tantas naquela tarde. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Reparei que de uns tempos pra cá, faz uns cinco anos, comecei a usar outro afluente das palavras, que na verdade são pensamentos, que, na verdade, são sentimentos. Digitar. Teclas. Espaço. Demorei a reconhecer que precisava aprender a me expressar assim também. Não queria trair a tinta, a caneta, o meu garrancho sincero e nu: a minha letra. Não poderia pensar na mais remota possibilidade de me prostituir, textualmente falando, pois palavras escritas à mão são como frutos da alma. Têm sabor de relâmpago. Saem das entranhas. A forma delicada de fazê-las repousar num pedaço de papel, como se fosse um berço, a maneira de alimentá-las com o amor, como se fossem amantes, me fizeram lembrar que, como diria meu escritor favorito, uma mulher que vai pra cama com um homem uma vez continuará indo para cama com ele cada vez que ele queira, desde que saiba enternecê-la a cada vez. Como manifestar meu amor pelas palavras manuais dali pra frente?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rabiscadas no guardanapo, elas me fizeram encher os olhos d´água, mas não foi tristeza,&amp;nbsp;era&amp;nbsp;saudade. Porque não vou abandoná-las – nunca iria. Foi aí que me flagrei sorrindo, porque hoje em dia escrevo frequentemente com as duas mãos, ao mesmo tempo, coisa também que julgava estranha: eu acreditava ser destro, mas hoje em dia nem sei mais. Devem pensar assim também os canhotos. O teclado é um pouco impessoal no começo, como aquela prima distante que vem morar na sua casa de uma hora pra outra. Difícil se abrir com ela, se exibir: se entregar. Depois, aos poucos, vai se acostumando até se embriagar pelo ritmo delirante do som das teclas e há momentos que não sei mais&amp;nbsp;se escrevo para me ler ou para me ouvir. Não pude, aliás, não tive a sorte nem tempo de me engraçar com dona Olivetti. Cheguei a conhecê-la, mas já era uma senhora de idade. Tive que respeitar. Mas não tenho dúvida que deve ter dado trabalho para muita gente. Era charmosa demais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E foi durante essa dança das teclas que surgiu a ideia de criar um blogue. Precisava derramar sentimentos. Tinha necessidade, quase uma aflição, em&amp;nbsp;poder desafogar tudo que está fervendo na cabeça e tudo que está acelerando o coração. Descobri que as palavras digitadas também são palavras. Que o garrancho vai existir sempre, a letra, a rasura, o rabisco, a cesta cheia de papéis amassados. Mas as palavras que aparecem na tela de um computador, escritas em fonte ou tamanho diferentes também são fiéis. Ou melhor, a minha forma de me relacionar com as palavras não mudou, mesmo que ela se manifeste de outra maneira, mesmo que não seja à mão. E aí, as portas se abriram: me reencontrei. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer outros blogues é conhecer outras pessoas. Opiniões, poesia, críticas, sarcasmos, besteiras, babaquices, culturas: lugares. E o que tenho reparado é que as pessoas até leem o que você escreve, mas dificilmente comentam o texto. Ou porque tem vergonha ou porque não querem se expor ou porque não sabem. O último argumento é inacreditável. Não é obrigação. Mas o bacana é ler e escrever.&amp;nbsp;Escrever e ler.&amp;nbsp;Ponto. A conversa dos comentários, as críticas, os argumentos e o melhor: a discussão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O comentário é o blogue do blogue. Comentar instiga o raciocínio e nos obriga a aprimorar a escrita, ou melhor, dá até uma apimentada na relação. Exercitar a mente, afinal, como ensina a frase genial que vi pichada num muro, no Humaitá, há uns dez anos: “o raciocínio é um músculo”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pessoas têm que se manifestar, discordar, discutir, corroborar, endossar, confundir, contrariar e convencer: debater.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem escreve, lê. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E quem lê, escreve?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-272973021488105527?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/272973021488105527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/o-comentario.html#comment-form' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/272973021488105527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/272973021488105527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/o-comentario.html' title='O comentário'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-3593110421682633314</id><published>2009-09-09T17:54:00.005-07:00</published><updated>2009-11-20T13:12:34.825-08:00</updated><title type='text'>Cosmopolita do tempo</title><content type='html'>Ela chegava sempre apressada e atrasada, com aqueles óculos gigantes e lisases, o corpo delicado e desenhado em outras cores, porém com as mesmas tintas. Os cabelos eram dourados e curtos. Cor de europeia, talvez por isso parecesse fria. Não era muito de falar, preferia sentar-se no fundo da sala e reparava em tudo, mesmo como os gestos despretensiosos e distraídos: quase estabanados. Às vezes levava um pito do professor. Outras, tomava fôlego para ir à mesa do mestre e contar alguma coisa, talvez para explicar o porquê de perder tantas aulas, justificando, como nunca, e como sempre, que trabalhava pacas, que tinha que pagar as contas e tomar conta do cão. Não estava ali pra brincadeira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Achava graça quando ela esboçava um sorriso de criança, talvez, porque quando sorrisse, seus olhos verdes amarelados sumissem atrás das pálpebras que se fechavam delicadamente, traçando cuidadosamente&amp;nbsp;uma linha d´agua: um fiapo de poesia. Parecia uma japonesa quando ria muito. Quando gargalhava, os olhos espremidos e apertados me burlavam a razão, assim como o horizonte distante consola a desesperança dos náufragos. Falava baixinho, falava sorrindo, falava sem abrir a boca. Na verdade, ela fala mais seus assuntos&amp;nbsp;com&amp;nbsp;pessoas que ama,&amp;nbsp;as que gosta,&amp;nbsp;as que curte. Deve se sentir mais à vontade. Mas nunca vi alguém que quase não coubesse em si, talvez porque tenha mania da vida, vontade de explodir e ser muitas, muitas, não, tantas, para poder fazer tudo que quer e não fazer o que não quer. Uma cosmopolita do tempo. Meio rock´n´roll meio qualquer batida forte e desordenada que confunda o ritmo do coração. E eu acompanhava com rabo de olho quando ela adentrava aos lugares, procurando sempre não encontrar o motivo do interesse por aquela moça que sequer me cumprimentava até então.&amp;nbsp;Parecia um pouco taciturna. Mas depois descobri que a ternura de seus gestos é que a faz especial. Conhecia aquela sua correria não fazia muito tempo, aliás, já havia alguns anos. Sempre apressada, escorregadia, mas encantadora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dia cheguei mais cedo na aula. Sentei na última mesa e ocupei dois lugares. Não, a intenção não era que ela viesse ficar perto de mim, mas sabia que a primeira coisa que ela olharia quando abrisse a porta, de sopetão, seria a parede em frente ao quadro negro. Ou melhor, lá o quadro é branco como&amp;nbsp;a manhã de inverno. Fazia isso para não encarar ninguém, porque, no fundo, era tímida demais. Depois confessou-me isso. Aí, lembrei que era aniversário de uma amiga querida que tínhamos em comum. A comemoração seria num bar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de interromper a aula, deu boa noite ao professor e se escorregou, que ironia, lá na frente mesmo. A estratégia não deu certo. Não me viu. Acho engraçado essas descoincidências. Ri comigo e quando acabou a aula chamei-lhe pelo nome. Na segunda vez, ela ouviu. Falei qualquer coisa, inventei um pretexto, e puxei da manga uma carona esperta até o local do goró. Ela topou e, ainda vestindo os óculos lilases, vi pela primeira vez aquele sorriso sapeca e olhos de gueixa, acompanhado de um agradecimento que mais parecia um sussuro: um sopro.&amp;nbsp;Não sabia se olhava mais pra ela ou para as artes estampadas em seus braços e ombros. De europeu mesmo, só mesmo nome e sobrenome, porque sua luz vinha do olhar e seu calor vinha do silêncio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O itinerário entre faculdade e bar me pareceu maior, porque fizemos caber em poucos minutos, e em alguns quilômetros, tudo que não sabíamos um do outro até ali. Falamos da profissão, das matérias, dos amigos, das loucuras, das coincidências, das músicas, falamos sobre nossas perdas, nossos ganhos: nossas tristezas e alegrias. Nossos objetivos. Chegamos e sentamos do lado de fora, não tinha aparecido quase ninguém ainda. Estava cedo. Pedimos os primeiros drinques. Ela bebeu um troço que parecia mais suco de jujuba com álcool. Aquelas amarelas e laranjas. Eu encasquetei com aquele goró doce, meio nada a ver, que leva conhaque, licor de cacau, noz moscada e leite condensado. Uma frescura só. Mas, acho que por estar meio avoado, pedi o primeiro do cardápio, obedecendo a ordem alfabética da carta de bebidas: foram alguns Alexanders e algumas jujubas etílicas. Continuamos o papo, mais precavidos, porque estávamos em terra de amigos, mas ainda não vivíamos uma amizade. As pessoas começaram a chegar, ela perdeu o telefone, aí começou a procurar, mas depois achou, nos levantamos, sentamos em outras mesas e nos misturamos entre os amigos, as vozes, sorrisos, abraços e qualquer outra alegria que coubesse naquela noite de ventania. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caiu um temporal. Ela foi embora sem se despedir. Eu me despedi sem ir embora. Acho que por isso ficamos amigos: cada um na sua, mas todo mundo junto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E estamos bêbados até agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-3593110421682633314?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/3593110421682633314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/cosmopolita-do-tempo.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/3593110421682633314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/3593110421682633314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/cosmopolita-do-tempo.html' title='Cosmopolita do tempo'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-4960670067168379880</id><published>2009-09-08T17:05:00.007-07:00</published><updated>2009-11-20T13:15:24.561-08:00</updated><title type='text'>Vida</title><content type='html'>Teto parede computador armário parede chão. Pé varanda janela. Janela janela céu mato mato. Céu rua céu sol nuvem. Sala cozinha geladeira garrafa. Gargalo gole relógio cachorro. Osso coleira ração. Porta chave botão elevador. Térreo portaria calçada árvore. Carro sol carro sol portão nuvem. Poste botequim farmácia restaurante. Sinal asfalto escola. Praça praça praça. Escola asfalto sinal restaurante botequim. Poste nuvem portão. Sol carro sol árvore. Calçada portaria: conta conta conta. Conta conta conta. Térreo elevador vizinho vizinha. Quatro licença. Chave porta mesa. Banheiro chuveiro torneira sabão. Água sabão água. Escova pasta água dente. Água. Toalha quarto armário. Camisa e calça e cinto. Crachá relógio paciência. Sapato paciência porta elevador. Garagem trânsito paciência. Paciência vaga rua trabalho. Catraca corredor porta vidro suspiro. Porta esquerda direita em frente. Sala chefe paciência. Checar confirmar. Ligar monitorar marcar encher. Sorrir gargalhar xingar. Comer matar morrer. Sorrir chorar. Sorrir. Matar sorrir morrer. Sorrir e matar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entender não entender. Entender não entender. Desistir discordar acatar atrasar. Adiantar. Paciência paciência telefonar escrever. Sentir contar esconder falar. Fingir. Correr caminhar encaminhar sair. Sair. Vaga volante carro rua sinal janela vidro. Mulher garotada senhores senhoras. Bicicletas motos outros cachorros. Vento vento vento. Nuvem relâmpago chuva. Rádio música rua garagem. Vaga elevador chave porta. Cachorro cachorro cachorro. Cachorro cachorro. Mesa mochila luz cozinha. Cachorro. Banho pijama. Computador teclado ideia cabeça cabeça ideia computador. Pão queijo suco. Computador outra ideia. Outra ideia cama teto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Breu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sonho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E sonho e vida e sonho e vida e sonho e vida e vida e vida...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-4960670067168379880?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/4960670067168379880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/vida.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4960670067168379880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4960670067168379880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/vida.html' title='Vida'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-6584821526481787537</id><published>2009-09-07T01:13:00.004-07:00</published><updated>2009-11-20T13:22:24.081-08:00</updated><title type='text'>Fortalezas ambulantes</title><content type='html'>Não pude suportar mais a falta de ar humano e precisei respirar o bafo da rua, o cheiro das pessoas, o tempero da manhã e a aflição de quem amanhecia do outro lado da mesa onde eu bebia desde a noite anterior. Com o alvorecer do dia, a luz do sol me incomodou um pouco e por isso me mudei para os fundos do bar e ri quando percebi que lá de trás, olhando para a rua, a porta do pé-sujo parecia realmente a tela de um cinema. E que eu estava sentado na última poltrona da sala de exibição, mas com a sorte bêbada de estar bem localizado, ao lado do banheiro. E continuei a leitura líquida, arrotando palavras tristes e soluçando risos frouxos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E assim comecei a discutir comigo mesmo sentado na mesa do boteco embaixo do meu prédio. Já estava na terceira garrafa mofada da mais gelada da casa, travando um desigual duelo contra mim, olhando para a rua, acompanhando os carros que subiam em direção à Rocinha, despistando meus pensamentos à medida que me distraía comigo. Resolvi, como diria um amigo, ir à biblioteca líquida para praticar a leitura boêmia dos livros fermentados e destilados. Talvez porque estivesse com a sensação de que o mundo está com pressa porque estaria atrasado. Mas atrasado por quê? Não sei bem explicar, mas aprendi que quando estamos atrasados, devemos apertar o passo e acelerar o ritmo. Não temos mais tempo para perder tempo. Mas para onde estamos indo? Eu me respondia, ainda acompanhando a velocidade dos carros que subiam a rua, a dos ônibus que seguiam pelo sentido contrário, reparava na gorda que apontava o jogo do bicho ao meu lado, no baixinho que me servia mais uma, como diria uma amiga, cerveja cu de foca: gelada até doer os dentes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Justamente agora que começava a ver tudo em câmera lenta, as pessoas começaram a sobrevoar pelas calçadas. Não encostavam mais no chão, elas não me viam mais, porém não conseguiam desviar de meus pensamentos. Me deu vontade de ir ao banheiro, mas se eu levantasse naquele momento, perderia a inspiração. Costumava ser assim: vem a quarta, quinta cerveja, a bexiga aperta - mas a têmpora aperta mais ainda. É quando começa a sessão-matinê e não posso perder nem o trailler: mães levando os filhos pro colégio, as menininhas no ponto do ônibus, os cachorros perambulando pelo bar, o velho agradecendo no balcão pelo segundo rabo-de-galo, num gesto de estalar de dedos, quando o indicador choca-se com o dedo médio, depois de tomar impulso no ar. E, claro, a coroa loura que só bebe cerveja no copo de geléia que ela própria traz de casa. Na medida que as cenas se passavam, reparava na pressa das coisas e no desespero da hora. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi quando percebi que estamos delegando nossas funções às máquinas. Kubrick tinha dito isso há uns quarenta anos. Certo, HAL? Não temos mais tempo para nos emocionar, para conversar, trocar ideias, bater papo. Taí, uma coisa que está acabando. Não lembro, ultimamente, que alguém tenha ligado para a casa de um amigo (telefone fixo) com o único fim de bater papo. Saber do outro. Sei de quem liga para celular, manda mensagem de texto, conversa por mensagens instantâneas, sites de relacionamento. Tudo bem, faz sentido. Mas não é bacana você ouvir a voz? Atender o telefone da sua casa, sentar no sofá e papear. Ouvir é uma forma de sentir sem culpa. Conversar, sentir as pausas e os ataques verborrágicos. Até discussões. Já vi casal de namorados se reconciliar por meio de torpedos. Mais uma vez: tudo bem. Não condeno tais artifícios modernosos, mas as pessoas estão afetivamente mais práticas. Não querem complicação nem aborrecimento: manual de instrução para relações humanas modernas afetivas. Onde compra? É casa, descasa, namora, desnamora, trabalha, destrabalha, começa, termina, volta, escreve e apaga: tudo se resolve e tudo se complica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então entendi que estamos seguindo por um caminho sem volta. As pessoas se trancam do lado de dentro de si. São fortalezas ambulantes, que ao passarem pela rua durante o dia, tem-se a impressão que o mundo é um mendigo abandonado na calçada. Estão se lixando para o mundo, para o outro, para o amor, para vida, para a beleza da poesia, porque há pressa, há necessidade, há demanda, máquinas que resolvem o problema, há máquinas que são sentimentos, há parafernálias que são emoções, há ferramentas que são pessoas: há momentos que são esquecidos. Adquirimos o hábito de se deixar levar. E dizem que o hábito é a usina da mediocridade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que posso fazer, oras? É o que penso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-6584821526481787537?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/6584821526481787537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/fortalezas-ambulantes.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6584821526481787537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6584821526481787537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/fortalezas-ambulantes.html' title='Fortalezas ambulantes'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-1435826642865178705</id><published>2009-09-06T13:06:00.009-07:00</published><updated>2009-11-20T13:23:50.831-08:00</updated><title type='text'>San Diego, 2001</title><content type='html'>I used to live in San Diego, California. Eight years ago.&amp;nbsp;It was short period of time&amp;nbsp;around six months between April and October. Since&amp;nbsp;I came back home it´s been quite difficult to keep on touch with special people who&amp;nbsp;I used to hang out and party around. Specially Sabrina, Sarah, Kathy, Felix,&amp;nbsp;Nikola, Renata, Freya, Mônica, Mona, Elena, Martina, Alex, Barbara, Dominique, Gorian, Hugo&amp;nbsp;and&amp;nbsp;Gabriel.&amp;nbsp;Summer parties, beach parties, Los Angeles, pool parties, wood´s parties... Kinda like this&amp;nbsp;guys, because they were (and still are)&amp;nbsp;very&amp;nbsp;important&amp;nbsp;to me in my life.&amp;nbsp;One year later I lost my father and they, even far away from me, were there.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
I&amp;nbsp;like remembering&amp;nbsp;when we used to dream about life and have fun like there´s no tomorrow. Unfortunately,&amp;nbsp;I couldn´t meet some of you guys here in Rio in Carnaval this year.&amp;nbsp;Shame on me! But I am really looking forward to make this fail up. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nowadays it became easier to keep on touch even though people live far away from each other. Besides e-mail and facebook stuff, I think the most important is the feeling that moves our friendship. It doens´t matter distance nor time, but love and respect. I am sincerely happy to find some of you and have the possibilities to talk and know about our lives from now on. I wake up happier than I dreamed of. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
So much happiness is because I decided to make a trip in 2010/2011. Still don´t know the right time. And I´m headed to Europe, probably France and Spain. I´m going to study. It was a hard decision, ´cause I gonna&amp;nbsp;change some plans to elaborate better ones.&lt;br /&gt;
That´s it, folks! I´ve already "talk" too much. Write me.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
See you &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;-)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-1435826642865178705?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/1435826642865178705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/san-diego-rio-20012009.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/1435826642865178705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/1435826642865178705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/san-diego-rio-20012009.html' title='San Diego, 2001'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-6826225080137208391</id><published>2009-09-04T17:34:00.002-07:00</published><updated>2009-09-04T17:36:18.007-07:00</updated><title type='text'>Felicidades</title><content type='html'>Foge a fuga logo suma onde&lt;br /&gt;
Nasce&lt;br /&gt;
Perde&lt;br /&gt;
Ganha&lt;br /&gt;
Mede&lt;br /&gt;
Cede&lt;br /&gt;
Ferve a fúria lenta seja quem&lt;br /&gt;
Cessa&lt;br /&gt;
Mente&lt;br /&gt;
Gosta&lt;br /&gt;
Pensa&lt;br /&gt;
Jura&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-6826225080137208391?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/6826225080137208391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/felicidades.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6826225080137208391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6826225080137208391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/09/felicidades.html' title='Felicidades'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-2671898928030420798</id><published>2009-08-20T16:48:00.005-07:00</published><updated>2009-09-27T11:39:29.648-07:00</updated><title type='text'>Espreita</title><content type='html'>Olho por cima do ombro e desconfio da sombra &lt;br /&gt;
Mudo &lt;br /&gt;
Medo &lt;br /&gt;
Tudo &lt;br /&gt;
Cedo &lt;br /&gt;
Corri &lt;br /&gt;
Corri &lt;br /&gt;
Cansado de mim meu corpo fugiu e não avisou &lt;br /&gt;
Ando &lt;br /&gt;
Tento &lt;br /&gt;
Tonto &lt;br /&gt;
Canto &lt;br /&gt;
Vento &lt;br /&gt;
Tanto &lt;br /&gt;
Quanto que minha alma desobedeceu minha voz&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-2671898928030420798?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/2671898928030420798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/08/esperanca.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/2671898928030420798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/2671898928030420798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/08/esperanca.html' title='Espreita'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-6534379012064932760</id><published>2009-08-18T12:01:00.007-07:00</published><updated>2009-11-20T12:59:44.698-08:00</updated><title type='text'>Primeiro dia de aula</title><content type='html'>- Ver o que não se vê com olhos, perceber os hiatos, os entreatos, os interlúdios, as pausas, o que está prestes, o que não foi ainda, o salto, o prosseguir – e nem sempre o que se segue. Ou para onde. Entender as pessoas, seus eus, meus eus, nossos quens, saber que amanhã vai ser melhor do que hoje e que todo dia é um dia, mas toda noite é outro dia. Despertar do sono, mas continuar sonhando. Pés no chão e cabeça erguida, mas nunca deixe de alçar os voos do amor. Celebrar a vida, o sol, a lua, o céu, a chuva, as nuvens, os passarinhos. Subir em árvores e conversar com as flores. Ou às vezes ficar do lado de dentro, sem janelas de consciência nem persianas da razão, mas com cortinas da loucura. Reconhecer pressentimentos. Observar da varanda de si cada movimento novo do coração: sentir-se. Agradecer pela comida, pela moradia, pelos estudos, pela família, pela fé, pela saúde, pelo carinho. Aceitar a vida, entender que toda provação deverá ser aceita com resignação – e não conformismo. Viver a juventude, buscar alegrias, arder em paixões, cantar alto, tomar banho de chuva, de cachoeira, nadar nos rios, deliciar-se com o cheiro de capim, buscar presságios no cheiro de chuva, renovar-se com banho de mar, a brisa do mar, a cor do mar, a verdade do mar: suas correntezas e suas marés. Respirar ventos, ouvir o silêncio inevitável do amor, bisbilhotar o destino mas não desafiá-lo, recomeçar a caminhada depois do tropeço, aceitar a queda, entender a queda, viver a queda, sorrir e chorar. Saber que nunca estamos sozinhos. Nunca estaremos sozinhos. A vida se conjuga no plural... &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O menino sorri e percebe que está na hora. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mãe se despede: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Vai lá. Lembre que seu pai e sua mãe te amam muito. Olha, o ônibus já chegou. Vai, vai pra vida. Dá um beijo aqui. Pronto. Pegou o dinheiro do lanche? Ai, viu só, olha a gola pra dentro. Peraí, deixa eu ajeitar. E o cadarço? Não, não, peraí... Não corre, vai trope.. Ai, ai... Boa aula, filho... Mamãe te ama!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-6534379012064932760?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/6534379012064932760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/08/escola-da-vida.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6534379012064932760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/6534379012064932760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/08/escola-da-vida.html' title='Primeiro dia de aula'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-3332614270511827591</id><published>2009-08-09T22:03:00.002-07:00</published><updated>2009-09-27T11:37:47.783-07:00</updated><title type='text'>Karma</title><content type='html'>Vontade de ser quem quero e querer quem sou &lt;br /&gt;
Vontade de ser quem quero e querer quem &lt;br /&gt;
Vontade de ser quem quero e querer &lt;br /&gt;
Vontade de ser quem quero &lt;br /&gt;
Vontade de ser quem &lt;br /&gt;
Vontade de ser &lt;br /&gt;
Vontade &lt;br /&gt;
Saudade &lt;br /&gt;
Saudade de ser &lt;br /&gt;
Saudade de ser quem &lt;br /&gt;
Saudade de ser quem quero &lt;br /&gt;
Saudade de ser quem quero e querer &lt;br /&gt;
Saudade de ser quem quero e querer quem &lt;br /&gt;
Saudade de ser quem quero e querer quem sou&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-3332614270511827591?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/3332614270511827591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/08/conflitos.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/3332614270511827591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/3332614270511827591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/08/conflitos.html' title='Karma'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-8067638305370313698</id><published>2009-08-07T14:17:00.010-07:00</published><updated>2009-11-20T13:02:31.515-08:00</updated><title type='text'>Coincidências</title><content type='html'>Uma coincidência. Justamente uma coincidência como haveria de vir tantas outras. Seria sempre assim. Breno agradeceu a carona e desceu da moto. Despediu-se do amigo e seguiu em direção ao bar. Precisava acertar com o dono as despesas do mês. Chegou espalhafatoso, cumprimentando todos, a caixa, os garçons, a gerente e todos os clientes que ali estavam. Eram quase três da tarde e não chovia. Juliana terminava o almoço. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia conhecido aquela moça fazia pouco tempo e toda vez que se encontravam fora do trabalho ele tirava o ar da barriga, fazia pose, fingia que não percebia sua presença. Depois, quando cruzavam olhares, demonstrava falsa surpresa ao vê-la. Coisa de menino que se julga conquistador. Ela percebia, mas não falava nada. Porém, no escritório, era diferente: conversavam sobre qualquer assunto, nem sempre com relação ao trabalho, e fingiam prestar atenção no que falavam, quando, na verdade, prestavam atenção em todo qualquer outro detalhe que fosse, menos na conversa. Juliana gostava do jeito de Breno falar alto, como se cantasse uma eterna serenata. Achava engraçado porque entendia que era assim que ele encarava o mundo. De peito aberto. Ela gostava de observá-lo. Inventava qualquer pretexto para entrar em sua sala e, quando conseguia, mal podia disfarçar o nervosismo. Procurava alguma coisa que sabia não estar ali ou fingia atender um telefonema que ninguém tinha feito. Por isso as conversas se davam sempre nos corredores ou na sala do café. Na sala dele – reconhecia – sentia-se vulnerável. E gostava disso. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Breno adorava seus cabelos curtos. A pele era cor da manhã de inverno. Tinha a impressão de que ela devia ter nascido assim, pronta, uma mulher com rosto de criança. Quase angelical, não fossem os olhos um pouco puxados e os lábios carnudos. Não era alta, mas sua desenvoltura e delicadeza até para descansar os cotovelos no balcão do bar – suspirava – permitia que de fato pudesse mesmo pertencer ao céu. Breno gostava da forma como Juliana prestava atenção nas coisas, franzia um pouco a testa e mexia a boca com os lábios fechados, como se estivesse reprovando uma coisa ou ponderando sobre outra. Era charmosa. Divertia-se com a voz articulada e postada de Juliana, seu jeito cuidadoso, sua forma de andar, meio desfilando, meio séria, meio as duas coisas. Perfumada sempre – observava. Mas o que achava engraçado mesmo, fora o fato de só conversarem no corredor ou na sala do café, era quando ela entrava em sua sala durante o expediente com qualquer desculpa que fosse, menos para dirigir-se a ele. Breno sabia, mas fingia não perceber. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não eram de se encontrar fora do trabalho. Quando acontecia, dava nisso: o rapaz não sabia o que fazer e tratava de falar cantando ou cantar falando. E ela observava cada gesto, mexendo a boca para o lado e para o outro, sempre com os lábios fechados. Seria sempre assim. Quando se cruzavam no corredor, falavam de futebol, da loteria, da novela, daquele samba antigo, daquele chefe, daquele prazo, daquela folga, daquilo tudo que fosse, menos deles mesmos, afinal, não precisavam falar sobre nada: se olhavam, se sentiam, se cheiravam, se queriam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas não se sabiam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-8067638305370313698?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/8067638305370313698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/08/coincidencias.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8067638305370313698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8067638305370313698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/08/coincidencias.html' title='Coincidências'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-4769851781384103168</id><published>2009-08-01T17:05:00.011-07:00</published><updated>2009-11-20T13:01:38.913-08:00</updated><title type='text'>Realidades</title><content type='html'>Sentou-se na borda da cama. Olhou fixo o chão e com seu dedo indicador enrolou sem pressa a ponta de seus cabelos castanhos de ontem. Trancada em seu quarto, esquecida do mundo, ela queria ser alguma coisa que não tinha sido até ali: queria ser Deus. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma mulher orgulhosa- observou o espelho. E fitou-o como se fosse o reflexo incandescente de um córrego de luzes. Achou-se tão perfeita, tão exuberante. Levantou-se e, com as mãos não tão delicadas de outros tempos, arrancou pedaços daquele antigo espelho vivo e os mastigou devagar. Sentiu o gosto da vaidade. Arranhou as paredes e beijou o chão: chegara ao Paraíso. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sentiu-se rouca e tirou a roupa. Tragou de uma só vez a ânsia doce do nervosismo. Sorriu. Aos poucos sua alma foi rasgando o corpo. Iria comer estrelas e abraçar nuvens: iria se afogar em sonhos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas de repente do outro lado da vida soprou um vento arrependido e desesperado, talvez porque arrastasse para outros rumos a alma rebelde daquela menina. Sentou-se no parapeito. Engoliu um choro surdo antes que a brisa dos presságios lhe envolvesse em segredo. Expressões nervosas do passado lhe assustavam aos gritos. Pensamentos desordenados fugiam pelos dedos prateados do espelho morto, mas sua alma já havia partido. A janela aflita não pôde impedir que pulasse. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sentiu-se Deus por um instante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-4769851781384103168?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/4769851781384103168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/08/realidades.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4769851781384103168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4769851781384103168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/08/realidades.html' title='Realidades'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-8393709821878544387</id><published>2009-07-30T09:07:00.005-07:00</published><updated>2009-11-20T12:57:22.435-08:00</updated><title type='text'>Sabores da terra</title><content type='html'>Toda vez que se encontravam era assim: soslaios e relances. Ensaiavam sorrisos despretensiosos. Não fazia muito tempo haviam se esbarrado no fim do ano, numa daquelas festas na casa de um amigo. Cordiais, discretos, precisos: nem pressa nem urgência. Ele, jornalista; ela, atriz. Se enxergavam sem olhos, conversavam com o acaso: não tinham pressa mesmo. Silêncios são muitas vezes palavras e vice e versa, dizia ela. Desde que sejam pontes, não se excluem - se empolgava. Ele achava engraçado quando ela se empolgava. Falava de si, da profissão, de brechas de interpretação, de entrelinhas. Ele também discursava sobre si, algumas reportagens, sobre bastidores - da profissão e do coração - mas intercalava com "cacos" sobre seu interesse por ela, sabe como é, jornalista é fogo. Os dois gostam de trocadilhos, mas, tudo bem, quem não gosta, são mecanismos fabulosos da linguagem, são entrelinhas deliciosamente maliciosas. Terrenos ambíguos e férteis, árvores triscando o céu lilás cor de outono. A chuva morna reconheceu no chão os frutos caídos dos galhos do acaso. A casca da fruta e a fruta da casca: sabores da terra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não demorou muito se encontraram em outros versos, mas a poesia era mesma. Ele insistia na rima, ela resistia: nada como a manipulação das palavras! Está na profissão certa - observou. Ele, arisco, tentava driblar a atriz irredutivelmente indisponível, se valendo de outra arte, a dos desencontros. Sim, talvez se não se encontrassem premeditadamente, talvez se desenhassem um mapa sem longitudes nem latitudes nem direções. Quem sabe, porque, para ela, é muito mais interessante descobrir o outro por meio de atitudes e palavras do que por adivinhação. Vivamos! - bradaria a menina bonita do batom vermelho. Ah, e das covinhas... &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele percorria outras linhas. Ela decorava os mesmos textos. Ela é um arco-íris de três cores. Todas numa. Ele é a chuva do sol, o sol da chuva, o céu lilás, o chão de palavras. Ela é vento de luz. Descansou entre sonhos e lembranças,&amp;nbsp;e cantarolava&amp;nbsp;bêbado qualquer canção que viesse à cabeça, claro, sob os holofotes imaginários da memória: conhecia aquele arco-íris de outros carnavais, porém sem mudar as fantasias. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegou em casa ainda cheirando à cachaça, transpirando delírios e sorrindo um suor nervoso. Acendeu a luz do quarto e da alma. Rabiscou na madrugada algumas palavras que sobrevoavam o quarto, respirando ofegante pelas janelas escancaradas da véspera bêbada. Guerra e paz - lembrou - foram palavras que ela usou durante a primeira troca de cartas. Não tinha decidido se iria adormecer para reencontrá-la em sonho. Tampouco sabia se, desperto, sentiria o perfume daquele olhar de soslaio, encantadoramente desinteressado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele queria escrever. Ela adoraria ler. Deixou claro: adoro sincericídios, ataques verborrágicos. Ele achou graça. Ela prosseguiu: não sei sobre amanhãs, prefiro morar nos hojes. Ele sorria com os olhos, mas ouvia com atenção: hoje estou enrolada, mas acho interessante qualquer troca ou encontro, mas na condição de amiga. Ele riu um riso frouxo, pensou que gostava mais da confusão de cores do que a das tintas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Preferia admirá-la sem maquiagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-8393709821878544387?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/8393709821878544387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/07/sabores-da-terra.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8393709821878544387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/8393709821878544387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/07/sabores-da-terra.html' title='Sabores da terra'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-5594141673237465982</id><published>2009-07-28T14:32:00.001-07:00</published><updated>2009-09-27T11:35:09.984-07:00</updated><title type='text'>Temporal</title><content type='html'>Começa &lt;br /&gt;
Hoje&lt;br /&gt;
Um &lt;br /&gt;
Vento de &lt;br /&gt;
Amanhã &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rompe &lt;br /&gt;
Agora &lt;br /&gt;
Inverno de &lt;br /&gt;
Ontem&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-5594141673237465982?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/5594141673237465982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/07/temporal.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/5594141673237465982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/5594141673237465982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/07/temporal.html' title='Temporal'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-4592610474065102882</id><published>2009-07-26T10:36:00.001-07:00</published><updated>2009-09-27T11:33:32.910-07:00</updated><title type='text'>Dormente</title><content type='html'>Acordo de tarde sono covarde &lt;br /&gt;
De manhã me deito &lt;br /&gt;
Desperto &lt;br /&gt;
De perto ninguém é cedo &lt;br /&gt;
De longe nenhum tem medo &lt;br /&gt;
De todos quase &lt;br /&gt;
Adormeci ontem &lt;br /&gt;
Levantei e sonhei que amanhã é outro dia &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ah, que vontade de dormir e acordar e acordar e dormir &lt;br /&gt;
Sem sono de acordo &lt;br /&gt;
E perambular sonâmbulo &lt;br /&gt;
Vestido de insônia &lt;br /&gt;
Despido de mim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-4592610474065102882?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/4592610474065102882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/07/dormente.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4592610474065102882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/4592610474065102882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/07/dormente.html' title='Dormente'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-1498941730796026412</id><published>2009-07-24T10:35:00.003-07:00</published><updated>2009-11-20T12:59:02.933-08:00</updated><title type='text'>No Conto do Vigário, só cai o vigarista</title><content type='html'>Que jornalista escreve pra jornalista, todo mundo já percebeu. O leitor é coadjuvante, é plateia de pista livre. Lê, às vezes opina, mas sempre repercute os principais assuntos na sala do café, no corredor da empresa, na hora do almoço. Tudo bem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas de uns tempos pra cá, pegando carona num ensaio sobre a crise da notícia, escrito pelo bravo Geneton Moraes Neto, os jornais não trazem mais novidades. Véspera se confunde com o dia. Daniel Dantas é réu em processo de formação de quadrilha. Aham, legal. Qual a nova? Pra mim, não o jornalista, mas o cidadão, o reles leitor, o banqueiro sempre foi réu. Sempre foi um bandido safado, ladrão, cínico e tudo mais que a corja de canalhas possa abrangir. Quer dizer, notícia mesmo seria se ele fosse, enfim, condenado e preso. Antes disso, amigos, leremos nas entrelinhas de muitas manchetes, novidades antigas. “Ah, não, caro blogueiro, o Dantas havia sido indiciado pelos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, mas formação de quadrilha ainda não tinha sido formalmente acusado”. Ahhhhhhhhh, tá. Entendeu, leitor, a notícia? Porque tem até repórter que não sabe esclarecer bem essas diferenças, digamos, assim, sutis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra: José Alencar recebeu alta. Todo dia nosso digníssimo vice-presidente recebe alta. Isso lá é notícia? Parece que os plantões na porta dos hospitais, na verdade, são planejados – me perdoem – na expectativa de outra notícia, que ainda não aconteceu. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jornalista é fogo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-1498941730796026412?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/1498941730796026412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/07/no-conto-do-vigario-so-cai-o-vigarista.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/1498941730796026412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/1498941730796026412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/07/no-conto-do-vigario-so-cai-o-vigarista.html' title='No Conto do Vigário, só cai o vigarista'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-7019480840010851502</id><published>2009-07-09T08:22:00.002-07:00</published><updated>2009-11-20T12:58:07.984-08:00</updated><title type='text'>A família traçante</title><content type='html'>Aconteceu ontem à tarde. Eis que, ao chegar de uma corrida na Lagoa, decidi assistir ao telejornal de uma emissora de televisão que se autoentitula uma&lt;strong&gt; &lt;em&gt;família.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Pois bem. Do estúdio, o âncora chama uma repórter ao vivo, num link (na linguagem de televisão) dentro da DFAE (Delegacia de Fiscalização de Armas e Explosivos). Na mesa exposta pelos policiais, três fuzis: um AK-47, um FAL e outro, se não me engano, era um M16. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda sem entender o porquê do assunto, claro, antes de entender o porquê de uma entrevista ao vivo sobre, a repórter (?) pergunta ao delegado: qual desses três fuzis tem maior poder de destruição? O delegado respondeu, mas não lembro qual foi a arma agraciada, porque me recuperava ainda atônito sobre os porquês citados acima. Foi quando a seguradora de microfone, a da &lt;strong&gt;&lt;em&gt;família&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, saca duas balas que também estavam expostas na &lt;em&gt;vernissage policial&lt;/em&gt; e mostra para a câmera: “olha, gente, essa com marca vermelha na ponta é a bala traçante. Essa outra aqui, como vocês podem ver aí em casa, com a ponta azul, é a bala comum. Delegado, qual dessas é a melhor? Qual é a diferença? A traçante...blablabla”. Enquanto isso, eram veiculadas imagens de tiroteios em pelo menos três comunidades diferentes, Rocinha, Macacos e outra, próxima à Linha Amarela. O âncora esbravejava que tais imagens eram exclusivas, que foram gravadas pelas equipes de reportagem da... &lt;strong&gt;&lt;em&gt;família&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quer dizer, a família instruindo “quem está em casa”, qual arma é a melhor, qual bala destrói mais. Evidentemente com ilustrações reais, ponta vermelha, ponta azul, traçante é melhor usar à noite, a comum é melhor usar sob a luz do dia. Como se vivêssemos numa eterna festa e precisássemos saber qual traje usar e quando. Onde? Em qualquer lugar. Afinal, é festa de família! E o pior? Não troquei de canal. Aliás, quem trocaria? As crianças, os adolescentes? Os bandidos? Uns, como eu, pasmos com esse tipo de “jornalismo”. Outros, achando que jornalismo bom é fazer assessoria de imprensa para a polícia, mas de graça. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É apenas a ponta do iceberg, caros. São não me perguntem se é azul ou vermelha. Isso é assunto de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;família&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-7019480840010851502?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/7019480840010851502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/07/familia-tracante.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/7019480840010851502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/7019480840010851502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/07/familia-tracante.html' title='A família traçante'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-5185552685660495729</id><published>2009-06-25T14:46:00.003-07:00</published><updated>2009-09-27T14:40:17.735-07:00</updated><title type='text'>Em nome do pai</title><content type='html'>&lt;em&gt;Por Eduardo Carvalho&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi no dia em que a bunda ia passando. Redonda, bojuda, displicente, nem aí pra ninguém. A-com-pa-nha-mos a bunda, um sem saber do outro. No giro de volta dos pescoços (e mentes) ao lugar – será? –, encontraram-se os nossos olhos. Rimos, num leve balançar de cabeças, e voltamos – já cúmplices – à realidade de notícias e outras chatices.O comparsa de tão frugal momento era o Tim. Pai de um filho que hoje tenho feito irmão. Emocionado com o que li aqui e com a nossa amizade, e pra dar as boas vindas ao seu blog, eu, que tenho pai à distância, agora corrompo os lindos versos da canção de Gil pra dizer a você que “passei muito tempo aprendendo a beijar outros homens como beijo (beijasse) meu pai”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E você, que tem o pai presente em todo minuto, saiba que – e recorro de novo a Gil, eu que não sei escrever nem versar – “quando beijo um amigo estou certo de ser alguém como ele (o pai, um pai) é, com sua força pra me proteger, com seu carinho pra me confortar, com olhos e coração bem abertos pra me compreender”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, como numa pausa de mil compassos sonhada por Paulinho, ao meu jeito fiz este arremedo de texto, lá para o infinito – ou para bem aqui, dentro da gente.Meu amigo: um beijo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-5185552685660495729?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/5185552685660495729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/06/em-nome-do-pai.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/5185552685660495729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/5185552685660495729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/06/em-nome-do-pai.html' title='Em nome do pai'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-2798083157819261938</id><published>2009-06-25T04:01:00.003-07:00</published><updated>2009-09-27T14:43:33.650-07:00</updated><title type='text'>Redação de O Globo, 1975</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Por Luis Turiba &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bom carioca que sou, embora nascido no Recife, quando me sobra tempo, espaço e saco, devoro lenta e caprichosamente as páginas d`O GLOBO, jornal que tem as marcas e rugas da cara do Rio. Me levam, as páginas, a passear pela cidade outrora maravilhosa e por coisas do mundo, minha nêga, do hoje e do ontem. Tenho uma ligação histórica com o jornal. Foi lá, na Rua Irineu Marinho, pertinho do Balança Mais Não Cai, que dei meus primeiros passos nesta profissão que carrego e por ela sou carregado há 34 anos. Fui repórter de Cidade d´O GLOBO. Cobri crimes, desastres, cenas cariocas, dramas humanos, carnavais, engarrafamentos de trânsito na Avenida Brasil, temporais, plantões nas praias e nas cidades fluminenses fora do Rio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele tempo não tinha tanto tiroteio e bala perdida como se tem hoje. Bons e inocentes tempos. Mandava na redação o Caban. Acima dele, o Evandro com seu hiper-óculos de ver além. E lá do alto do terceiro andar, o nosso “Companheiro, Editor-Chefe, jornalista Roberto Marinho”, popularmente conhecido como Dr. Roberto, inventor deste grande império. Na redação, ralando nas letrinhas, uma seleção de repórteres que até hoje dá saudade. Vamos ver até onde a memória ainda alcança, três vez salve a esperança: Luiz Eduardo, Jorge Oliveira, Thaís Mendonça, Paulo César (de Nova Iguaçu), Eduardo Mamcasz, Beliza Ribeiro, Jurandir, Pamela Nunes, Lúcia Leão, Marcelo Beraba, Riomar Trindad, Celeste (Educação), Marcelo Pontes, Albeliza, Hélio Contreiras, Mara Cabalero, Roberto Ferreira, Rosa Picoreli, Ismar Cardona, Henrique Lago, Luisinho, Marcos Dantas, nossa!, quantos vieram à tona e tantos mais que a memória deslizante me impede de lembrar. Éramos comandados (de certa forma) pelo super-repórter Domingos Meireles, que desenhava nossos textos; e copidescados – que luxo! -por dois gênios: Tite de Lemos e Agnaldo Silva. Chefiando a redação Anderson, Renan e Frejat. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deixei por último, um nome significante, símbolo maior e, por que não, herói de toda essa geração e daqueles lindos e tenebrosos anos: Tim Lopes, o Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento, que de contínuo da redação se transformou num repórter tão fantástico e penetrante, tão grande e nocivo à bandidagem, que caiu em combate, sendo terrivelmente eliminado pelo que há de mais perverso no tráfico do Rio de Janeiro. Tim, como muitos de nós, morava em Santa Teresa e utilizava o bondinho para chegar em casa. "Solta a franga, gente boa: só quem brinca com as palavras sabe a graça que elas têm", dizia antes de vestir sua camisa mais elegante para ir dançar na Estudantina, gafieira da Praça da República, quase Lapa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sinceramente, não sei porquê, mergulhado em O GLOBO desta última sexta-feira (dia 22), me dei conta de toda essa saudade. Talvez porque o Obama tenha resolvido levar para solo norte-americano os presos de Guantánamo, como foi noticiado na primeira página. Ou quem sabe porque o PT, a CUT e a UNE se juntaram para lançar a canditatura da Dilma em passeata na Avenida Rio Branco. Ah, acho que foi a foto do Lula na Turquia que se juntou ao comentário do Merval Pereira: "Como em política, ninguém prega prego sem estopa, a doença da Dilma está colocando a classe política em polvorosa. A solução mais óbvia, nem por isso mais fácil, é a possibilidade de Lula vir a disputar um terceiro mandato consecutivo." Mas o sarro que Nelson Motta tirou do Comandante Fidel também contou: "Ele (el comandante) descobriu que o Pentágono controla a internet e conspira contra Cuba, bloqueando o seu acesso à rede. Além do bloqueio econômico, o digital. Nem o mais idiota dos latino-americanos acredito nesse delírio cínico: é Fidel quem bloqueia o acesso dos cubanos à internet e às TVs internacionais." Isso sem falar da nota do Ancelmo dando conta que Jaime Arôxa vai substituir Carlinhos de Jesus na Comissão de Frente da Mangueira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não, nada disso. Talvez o que tenha me levado a regressar à redação de O GLOBO de 1975, tenha sido a entrevista que a repórter Márcia Abos fez com tia Rita Lee, onde ela abre o verbo corajosamente: "Não posso nada. Sou alcoólatra, então bebeu o primeiro, f... Meu pai e meu avô eram alcoólatras, minha irmã morreu de alcoolismo, overdose. Quando comecei a fazer a turnê do "Bossa 'n'roll", baixou um Vinicius de Moraes, e eu estava ali com um uisquinho. Álcool é a droga mais pesada que já experimentei. E tem essa hipocrisia de ser liberado - Se beber não dirija. Isso tudo é cinismo. Ou libera tudo ou proibe tudo. Quando nasceu minha neta eu tava num hospício. Porque "rehab" para mim é hospício, lugar de gente louca que tem compulsão a tudo: comida, sexo, jogo, álcool, drogas. Mas não me arrependo de ter feito tudo o que fiz, de ter tomado tudo o que tomei, de ter passado pelas esquinas por onde andei. Não tenho discurso de madalena arrependida. Teve um lado bom de alcançar um arquivo que eu jamais alcançaria careta. Mas é perigoso. Você consegue coisas maravilhosas, música, letra, a ousadia. Mas você abre a guarda e , nessa, vem o outro lado da moeda que é o escuro. Era uma coisa Luke Sywalker, agora é Darth Vader." Esse depoimento de Rita Lee é um poema, como foi poema ter vivido à redação de O GLOBO com Tim Lopes e - quase ia me esquecendo - com Nelson Rodrigues, fumando seu cigarrinho na Editoria de Esportes, enquanto escrevia sobre o Sobrenatural do Almeida, seu alter-ego para explicar as inexplicáveis vitórias ou derrotas do Fluminense. &lt;br /&gt;
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Lembra Tim?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-2798083157819261938?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/2798083157819261938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/06/redacao-de-o-globo-1975.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/2798083157819261938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/2798083157819261938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/06/redacao-de-o-globo-1975.html' title='Redação de O Globo, 1975'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2677384391553177547.post-1289542655945288502</id><published>2009-06-02T08:12:00.002-07:00</published><updated>2009-09-27T12:28:55.327-07:00</updated><title type='text'>Sete anos</title><content type='html'>Hoje eu poderia escrever mais uma vez sobre violência. Sobre tráfico de drogas e de armas. Também poderia discorrer ideias ou pensamentos criticando a política de segurança do estado - ou a falta dela. Muros da discórdia. Ou falar de assassinatos e torturas. Crimes e mortes. Falar sobre impunidade, redução de pena, progressão de regime, guerra de tribunais e tribunais de guerra. Legitimação do estado democrático de direito ou sua proclamação, ainda que tardia. Censura à imprensa por parte do governo. Censura à imprensa por parte do tráfico - ou da milícia. Relembar casos do jornalista Tim Lopes, da equipe de reportagem do jornal "O Dia" e do bravo fotógrafo André Az, por exemplo. Ou do crescente número de mulheres grávidas vítimas da violência. Filhos que morrem dentro das mães: mães que morrem dentro dos filhos. Também não seria novidade levantar outras questões, como o inferno que viveram agora - ou vivem - moradores de Copacabana e do Leme. Isso era coisa do subúrbio e zona norte, claro, fora Rocinha. Poderia reverenciar os últimos feitos em comunidades como o Batan, Cidade de Deus, Santa Marta, Chapéu-Mangueira. Vila Cruzeiro? Não, não vou tocar nesse assunto. Nem deveria, porque estamos cansados da violência, vivemos em eterno estado de ressaca moral, ou melhor, ressaca social. São comerciantes, empresários, policiais, taxistas, jornaleiros, jornalistas, fotógrafos: trabalhadores. São chefes de família. Nem todos são pais, mas todos são filhos. A violência não escolhe profissão nem cartáter. A violência, sim, é indiscutivelmente democrática. &lt;br /&gt;
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Mas não. Hoje quero falar do meu pai. Não do jornalista Tim Lopes. Mas do pai Tim Lopes. Alguém mais sente essa falta? Não. Ninguém. A saudade é imensa e, há sete anos, todo mês de junho é assim. A temperatura é mais amena, mas o frio é sempre maior. O silêncio do outono fala mais alto. Lembro da minha infância, correndo pela redação do Jornal do Brasil, de O Dia. Dos almoços de domingo, dos jogos do Vasco no Maracanã, ainda quando começavam às cinco da tarde. "Olha, vai de calça, senão não dá pra entrar na tribuna de honra do Maraca" ou " aquele ali é Touguinhó, puta jornalista" ou ainda "Ih, o Aydano tá ali... Foge, foge, porque ele é flamenguista". O convite "Quer entrar em campo? Niltinho (fotógrafo) vai te colocar na boa, cola com ele, vai, vai" e a ideia sugestiva: "Vamos de ônibus, porque se formos de táxi, não vai rolar grana pro lanche no intervalo do jogo". E íamos, pai e filho, em direção ao Maracanã, eu de boné e calça num calor de fevereiro: "Se você vai de boné, mermão, não pode sentar na janela. Vai dar mole? Nego do lado de fora leva logo na mão grande. Fica esperto" - advertia ele, temendo pela minha falta de malandragem, coisa de quem foi criado nesse feudo social chamado Zona Sul. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lembro dos almoços em botequins, cafés da manhã em padarias, da praia no Posto 8, da festa junina da Mangueira, do sítio de Saracuruna, do pôr do sol no Arpoador, dos passeios pelo calçadão, das viagens, da mesada, das matérias que vi nascer em mesas de bar - e depois estampadas na primeira página dos jornais. Outras que abriam o Jornal Nacional, ou ainda, as reportagens "do boa noite do JN. Vê lá, filhote, creditozinho do teu pai." E eu via, porque não sabia ainda que vaidade e orgulho eram coisas diferentes. O jornalista Tim Lopes era o meu pai? Não. O meu pai era o jornalista Tim Lopes. Como filho e também jornalista, não é fácil separar uma coisa da outra. Não que devamos desvencilhá-las, mas acho que sinto mais falta de um do que de outro. Não convivi com o jornalista Tim Lopes nas redações. Ouço as histórias, imagino os detalhes, como teria sido, como ele teria reagido em determinada situação, como conseguiu aquela entrevista. É como se percorresse um caminho de volta ao passado, sem nunca tê-lo vivido, mas que é trilhado pela saudade dos amigos e pela memória das matérias. Ler reportagens antigas, ou ainda ouvir "você é filho do Tim? Ô rapaz, teu pai certa vez...", me fazem ficar mais perto dele, do jornalista. Nunca vou saber como seria, mas posso ter uma ideia de como foi. Mas não em relação ao pai. Essa é a saudade que dilacera o homem. Todo dia o meu pai morre, porque acordo com ele vivo. Ouço suas palavras, me divirto com suas gargalhadas, me assusto com suas broncas em voz baixa, suas risadas desordenadas, seu olhar de criança. Mas no final do dia, acabo lembrando que ele não está mais aqui. Que não volta mais. Que nunca mais meu pai vai me dar um pito ou um abraço apertado, ou vai dizer: "meu filho, que orgulho! você agora é jornalista". &lt;br /&gt;
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O que dá coragem de seguir em frente, é que todo dia meu pai, depois de morrer nasce mais forte, dentro de mim. E começo a entender: nunca me deixou. Sinto sua presença mesmo sem saber quando nem onde. Não saber, mas sentir. O amor de pai e filho não cabe em palavras nem lágrimas. Elas são apenas afluentes da saudade. O amor de filho aumenta a cada dia. E todo mês de junho, entre o dia de morte de meu pai e o dia do meu nascimento, separados por dez dias, me sinto mais próximo dele. Não porque vou ficando mais velho, mas porque vou me tornando mais homem, açoitado pela crueldade da morte, mas fortalecido pelo sofrimento da vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira vez que andei sozinho na rua devia ter uns sete anos. Desci do antigo apartamento de meu pai, na Rua Jangadeiros, e fui à lanchonete da esquina comprar caldo de cana e pastel de queijo. Tudo era aventura: até apertar o botão do elevador. Atravessei a rua, estiquei a mão com o dinheiro e fiz o pedido. Lembro que comi em pé, só, olhando do balcão para a janela onde meu pai me fitava cuidadoso, mas desviava o olhar de quando em quando, para que eu tivesse a ligeira sensação de que estava sozinho no mundo. Aí, quando o flagrava me olhando de volta, ele acenava discretamente, esticando o polegar da mão direita e arriscava um assovio malandro, que só eu reconheceria. Ele sorria, sei porque enxergava seus dentes de longe. Talvez porque estivesse sorrindo com o coração. Estávamos felizes. E depois de limpar a boca com as costas da mão, me dirigi de volta pra casa, cheio de pose, aos sete anos, pensando: a rua é um palco onde tudo pode acontecer. Mal sabia eu que já era jornalista naquele tempo. Hoje sinto que estou andando pela primeira vez não na rua, mas na vida. E meu pai me olha de outro lugar e não da janela do apartamento. Ainda ouço o assovio malandro, lembrando feliz daquele tempo. Esse Tim Lopes não morreu. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E toda vez que volto pra casa, fecho os olhos, e consigo vê-lo esticando o polegar, sorriso malandro e penso: o coração é um palco onde tudo pode acontecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2677384391553177547-1289542655945288502?l=amoladafaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladafaca.blogspot.com/feeds/1289542655945288502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/06/sete-anos.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/1289542655945288502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2677384391553177547/posts/default/1289542655945288502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladafaca.blogspot.com/2009/06/sete-anos.html' title='Sete anos'/><author><name>Bruno Quintella</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09015263073260616550</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_4EBU-N02RM4/SqUxeA7ipTI/AAAAAAAAABA/HMbiwe31PuY/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry></feed>
